Parasita e sua sociedade decrépita | Crítica

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Parasita

Parasita é uma reflexão sobre a sociedade que luta de todas as formas, mas que não chega em lugar algum

A cultura coreana é algo que está cada vez mais presente no ocidente, seja com a música, onde temos diversas boy e/ou girl bands que se destacam no cenário, ou com produções cinematográficas. Por exemplo, o longa Train to Busan (Invasão Zumbi), dirigido pelo sul-coreano Yeon Sang-ho e lançado em 2016 é só uma das amostras do que o cinema coreano nos proporcionou no últimos anos e que teve bastante sucesso.

Dirigido e roteirizado por Joon-ho Bong (Okja; O Expresso do Amanhã), Parasita é um filme que traz reflexões sobre como a sociedade ainda possui “castas” que parasitam outras, e isso tudo sendo uma reação ao atual sistema econômico vigente – o capitalismo, como já dito pelo cineasta em entrevistas.

A família Kim.

O filme trabalha com dois núcleos familiares importantes. O primeiro núcleo apresentado, os Kim, vivem através de subempregos, com o mínimo necessário, chegando ao estado de miséria. Já o segundo, os Park, são o oposto do que nos é apresentado.

O desenrolar da trama parte quando o filho mais velho da família pobre acaba conseguindo um emprego como professor de uma jovem da família rica. E o primeiro contato com um universo diferente do seu acaba por despertar uma ideia de ascensão social que vai acabar envolvendo todos de sua família.

A crítica sobre algum aspecto social já é uma assinatura do diretor, e aqui não é diferente. Parasita traz uma ótica sobre a pobreza e a riqueza que você, possivelmente, já se atentou. As pessoas tendem a querer crescer ou ter ambições amparadas em outras, e muito disso é o que Joon Ho mostra aqui.

O título não é à toa, pois a relação um tanto que simbiótica e, muitas vezes, necessária, é um reflexo sobre o que as nações cada vez mais capitalistas e individualistas propõem. A ironia de se conviver com algo que, ao mesmo tempo, lhe beneficia e também retira, é algo muito presente no filme. E é o que acontece com os Kim junto aos Park. A primeira família se vê numa relação oposta de necessidade, que com o humor da direção, caminha para algo que vai do cômico ao trágico em uma construção das tramas. A segunda é a meta de desejo, de se ver como uma elite de uma sociedade moderna urbana.

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Os irmãos Kim Ki-jung e Kim Ki-woo.

O filme é fluido em sua narrativa, o que me deixou à vontade para querer saber mais sobre o futuro daquelas famílias. Os diálogos são ótimos e retratam as emoções dos personagens, deixando-os mais críveis com o que desejam. Eu me importei com o destino daquelas pessoas.

A filmagem de Joon Ho não somente prioriza os personagens como dá um destaque para os cenários. Desde o porão em que os Kim moram até a mansão dos Park, você consegue observar tudo o que está em cena, identificando todos os elementos. A iluminação junto da fotografia são um dos maiores pontos deste filme, sem dúvidas.

Talvez o final seja insosso para alguns, ou este possa trazer uma sensação mista de sentimentos. É um soco atrás de outro e o que fica nas entrelinhas é algo que deve ser pensando. É genial como esse filme caminha entre as cenas finais, nos lembrando sobre como uma sociedade parasitária pode ser inesperada. Parasita é único, e é um lembrete deixado por Joon Ho para o cinema mundial e para o sistema socioeconômico “falho” que nossa sociedade tem adotado.

Vale ressaltar que este filme foi vencedor da premiação “Palma de Ouro” no Festival de Cannes 2019 e do “Prêmio do Público” na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter sido selecionado pela Coreia do Sul para concorrer a uma indicação na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar 2020.