Os Irmãos Willoughby (Netflix) | Crítica

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Os Irmãos Willoughby nova aposta da Netflix

Um longa de animação sobre crianças, mas não necessariamente para crianças e talvez obrigatório para alguns pais. Os Irmãos Willoughby estreia na Netflix

Falar sobre assuntos infantis para crianças nem sempre é uma tarefa simples. A nova animação longa metragem da Netflix em parceria com a BRON Animation é a prova disso. Os Irmãos Willoughby, dirigido por Kris Pearn (Tá Chovendo Hamburguer 2), estreou recentemente com destaque no serviço de streaming. A história é baseada no premiado livro da escritora Lois Lowry.

O livro "The Willoughby" de Lois Lowry
O livro “The Willoughby” de Lois Lowry

O longa canadense conta a história de quatro irmãos, Os Willoughby, que são pessimamente criados por seus pais. Provavelmente, o pior casal de pais que já vi nas animações infantis e adultas. As crianças nunca saíram de casa e não conhecem o mundo. Eles tomam a decisão de mandar os pais para uma viagem arriscada, onde provavelmente eles morreriam. O plano dos Willoughby é virar órfãos. Eles não contavam com uma babá super incrível que foi contratada pelos pais para cuidar das crianças durante as férias. A possibilidade de uma família feliz se torna o objetivo dos irmãos.

E antes que você pense que as crianças são malvadas, elas são sobreviventes. Elas não eram alimentadas, os gêmeos tem que ficar revezando um único suéter no frio. É algo violento porém com um colorido e um ritmo alucinantes. Um recurso para se contrapor a uma história extremamente pesada. Abandono de incapaz, adoção, orfandade são algumas das palavras-chave de um roteiro que ainda consegue ser divertido. No típico rir para não chorar.

Um personagem que rouba a cena é o gato-narrador (Ricky Gervais). Ele é quem conta a história da família que é bem mais assustadora do que a Família Addams. Os Willoughby são a antimatéria dos Addams que são uma família monstro, excêntrica mas que há um nítido sentimento de amor coletivo cativante. Os Willoughby são uma família dividida onde as crianças não vão para o cantinho do castigo, elas vão para o porão por dias, literalmente.

Em termos de estrutura temos muitos personagens para dar conta. Os irmãos são muito peculiares em oposição a eles temos a história da Babá e do Comandante Melanoff, proprietário de uma gigante fábrica de doces. Os núcleos se entrelaçam com histórias importantes que o longa parece não dar conta totalmente, em alguns momentos perdemos a mão na compreensão de quem é o protagonista.

 Os Irmãos Willoughby - a babá
Os Irmãos Willoughby – a babá

Isso não tira os méritos de um filme que trata de um tema relevante com uma grande beleza estética, num mesmo padrão de Klaus. Aliás, assim como o longa indicado ao Oscar, Os Irmãos Willoughby também recebeu o selo PG (dado pela Motion Pictures Animation, parecido com nossa classificação etária indicativa só que nos Estados Unidos). Isso significa que as crianças só devem assistir ao filme com orientação dos adultos, algum conteúdo os pais podem não gostar que as crianças assistam. É a pura verdade, o colorido e os personagens extremamente cativantes escondem um história dura que deve ser assistida principalmente pelos pais, para que nunca nenhuma família se transforme nos Willoughby.

Se quiser conferir mais conteúdo sobre animação, não deixe de acessar nossa coluna Animaland, comandada por Vinicius Augusto Bozzo, que trata exclusivamente do assunto, assim como nosso podcast Se Anime.

Crítica Geral
Os Irmãos Willoughby
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roteirista, diretor, editor, músico e ator comediante. Produziu diversos programas de televisão, séries para web e documentários para TV (“As histórias de Quintino Cunha”, “Aldeia do Saber” e “Máquina de um Tempo”). Atualmente é diretor da Sinfonia Filmes onde dirigiu a animação "Bambolim - A Diversão Sempre Vence" e "Smartphamily". Vinicius é membro da ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas), da ABCA (Associação Brasileira de Cinema de Animação) e do Fórum Cearense de Animação.