Charles Luis Castro

10 set, 2015

Filmes

O texto a seguir contém SPOILERS de O Agente da U.N.C.L.E. Se você ainda não viu, corra logo para o cinema mais próximo, pois não serei responsável se essa missão fracassar.

A Guerra Fria sempre foi um dos momentos históricos preferidos dos filmes de espionagem. São inúmeras produções que tem a tensão entre EUA e Rússia como pano de fundo. Mas, infelizmente, nem todas são boas. O Agente da  U.N.C.L.E, novo filme do diretor Guy Ritchie, parece nem se esforçar em disfarçar sua preguiça. Uma pena, já que é inegável a sensação de que poderia ter sido feito algo melhor.

Na década de 1960 os até então inimigos mortais Napoleon Solo (Henry Cavill), agente da CIA, e Illya Kuriakin (Armie Hammer), espião da KGB, são obrigados a trabalharem juntos. A grande missão da improvável dupla EUA-Rússia é combater a terrível organização T.H.R.U.S.H., que desenvolve armas nucleares. Para isso eles precisam proteger a filha de um cientista alemão. Papel esse que ficou com a bela Alicia Vinkander.

agenteO longa se sustenta em boa parte na eterna disputa dos personagens de Cavill e Hammer. Que é legal de se ver no começo, mas que depois fica completamente desinteressante. Não por culpa dos atores, mas certamente por um excesso no roteiro e uma direção desleixada de Ritchie. Armie Hammer é esforçado como sempre e entrega um espião russo decente. Um sotaque bem treinado e o estilo montanha indestrutível fazem bem o contra ponto com o espião da CIA vivido por Henry Cavill. Que parece ainda não estar totalmente confortável em ser um britânico vivendo alguém extremamente americano. Com o tempo vai se acostumar.

Alicia Vinkander é que parece não ligar para a disputa idiota entre os personagens principais. A atriz sueca faz bem o papel de mulher que não precisa ser defendida 24 horas por dia e que tem mais que a beleza como arma fatal. O trio tem uma química inegável, mas acabam sendo ingredientes da péssima mistura que é O Agente da U.N.C.L.E.

o-agente-da-uncle-critica-2Algumas cenas de ação se salvam, principalmente os combates físicos. Mas não existe aqui nenhuma grande sequência de arregalar os olhos. Fato é que alguns sorrisos surgem em cenas variadas, pequenos momentos em que o filme tenta ser mais do que realmente é. É chato, mas é preciso voltar a tocar no nome de Guy Ritchie. O diretor parece ter esquecido a fórmula que o tornou tão popular com filmes como Snatch - Porcos e Diamantes. Aqui ele repete os erros primordiais dos filmes de Sherlock Holmes que comandou. Trabalha com um elenco estrelado, mas insiste em efeitos de câmera e pseudo reviravoltas que nem de longe parecem desafiar a inteligência do espectador.

A trilha sonora e os figurinos são destaques certamente. No visual, é um filme bonito. Colorido e atrativo para os olhos, mas que parece não saber aonde quer chegar. O corte final não privilegia o clímax do longa. A perseguição aos vilões, totalmente descartáveis por sinal, acaba da maneira mais clichê possível. E logo começa a se espalhar pela boca o gosto amargo de uma produção que não soube usar as ferramente ao seu favor.

404098.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxEsse sou eu cobrando demais de um filme que nunca se vendeu como uma super produção de espionagem? Certamente. Mas o Agente da U.N.C.L.E. poderia ser um grande filme em sua proposta original, seja ela homenagear a série homônima dos anos 60 ou qualquer outra coisa.

Uma possível sequência fica no ar, mesmo que não tenha sido confirmada pela Warner. Mas do mesmo jeito que o mundo não precisa de uma nova Guerra Fria, talvez não precisemos dos serviços de Napoleon Solo e Illya Kuriakin.

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