Meu Nome é Dolemite | Crítica

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meu nome é dolemite

Meu nome é Dolemite é o filme biográfico, estrelado por Eddie Murphy, sobre Rudy Ray Moore, pioneiro do humor sexualmente explícito e do gênero chamado blaxploitation*, além de ser considerado o padrinho do gênero musical Rap.

Quem foi Rudy Ray Moore?

Cena do filme Dolemite

Nascido em 1927 no estado de Arkansas, Rudy Ray Moore nasceu para o estrelato. Ele foi ator, comediante, produtor e cantor. Começou tentando se tornar um cantor famoso, sem sucesso, até descobrir uma nova modalidade de comédia stand-up e, finalmente, alcançar a fama ao unir música e comédia, além de, futuramente, lançar o seu próprio filme.

Sobre o filme

A história traz um personagem ingênuo, mas extremamente ambicioso, que, mesmo ouvindo diversos “não” durante a vida, ele continua insistindo e resolvendo de maneira criativa, percorrendo a carreira de Rudy desde os primórdios até o auge do seu estrelato. É um relato um pouco longo, mas se observarmos o tanto que o filme precisa mostrar, acaba sendo curto e até ligeiramente corrido.

Os personagens são carismáticos, e o elenco é composto por atores com os quais já estamos relativamente familiarizados, como Wesley Snipes, Snoop Dogg, Chris Rock etc. Aliás, falando em Wesley Snipes, ele é, de longe, um dos melhores personagens. Eu quase não o reconheço de tão diferente, muito distante dos papéis com os quais estamos acostumados.

Dolemite, Lady Reed, Jerry, Ben Taylor e Theodore

Aliás, o filme traz elementos interessantes, que não são voltados ao público branco, conversando muito sobre racismo e a dificuldade da população negra em ter a sua própria cultura transcrita para a tela, para o rádio. Tem uma cena muito forte em Rudy vai ao cinema com os amigos, uma comédia que dizem sem engraçada, e só tem eles quatro de negros naquela sala e são os únicos que não entendem a graça daquilo tudo, traçando um paralelo sobre as diferenças de público. Nos Estados Unidos, essas diferenças raciais sempre foram muito marcadas e a representatividade negra não tinha valor. Se nos dias atuais, com toda a informação e os movimentos que temos, ainda é difícil ver representatividade, imaginem naquela época. E Meu nome é Dolemite exibe isso de forma clara, com todos os produtores e pessoas com quem ele tenta negociar sendo brancas e diminuindo o seu produto, dizendo não ser rentável, impossível de vender e ele provando ao contrário.

Em outro momento, dizem para Rudy que ele não poderia fazer um filme, pois não teria público o suficiente, pois seu nicho era de minorias negras. E ele diz que não importa, pois de pouco em pouco, em cada estado, formariam um grande público. E, sabemos, ele foi um sucesso.

O filme é leve, engraçado, divertido, tem uma trilha sonora boa, que acompanha bem a trama, cantada principalmente pelos próprios personagens. A história é muito gostosa de acompanhar e passa até rápido demais, mesmo o tempo do longa sendo um pouco grande. Indico para todo mundo: assistam e se deliciem com uma história de superação bem divertida.

*Movimento cinematográfico norte-americano que surgiu no início da década de 1970, cujo público alvo era, principalmente, a população negra.