Malévola: Dona do Mal | Crítica

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Malévola está de volta! Mas será que deveria?

Por Alec Moreira

A obra estrelada por Angelina Jolie e dirigida por ​Joachim Rønning está de volta às telonas de cinema, prometendo uma nova grande continuação da história de Malévola, mas dessa vez, com enfoque maior da trama voltado para a princesa de Moors, Aurora.

Desde que o anúncio da continuação da franquia foi a público, não criar expectativa e controlar a ansiedade foram tarefas difíceis para os amantes do primeiro filme. Afinal, Malévola nos entregou uma nova percepção de um conto de fadas tão conhecido, com um roteiro original, bem construído, personagens marcantes e um grande ensinamento sobre o amor.

O peça cinematográfica gira em torno do casamento da princesa Aurora (Elle Fanning) ​com o príncipe Phillip (Harris Dickinson)​, onde coloca a menina como peça ativa da obra, pois é a partir do desejo de matrimônio da herdeira de Moors que tudo se desenrola. Desde o começo é visível o descontentamento da madrinha (Malévola) pelo casamento da garota, especialmente por motivos maternos e de apego, artifícios esses que são bastante evidentes, fortificando a percepção mãe e filha que a produção aborda de forma implícita desde sua primeira produção em 2014.

O roteiro apresenta inúmeros defeitos, desde a construção até sua elaboração. A verdade é que estamos falando de um filme esquizofrênico, confuso e sem uma identidade marcante. Malévola: Dona do Mal apresenta problemas de direcionamento, há uma mesclagem mal feita entre um conto infantil com personagens fracos e desestimulantes, junto com o ​desejo de ser visto como um filme de batalha épica, que não funciona e muito menos convence o espectador, o que acarreta em um nível baixo de imersão.

Há uma grande falta de coesão narrativa que acaba afetando todo o desenvolvimento já feito anteriormente pelo primeiro filme, o que destoa perceptivelmente para o segundo, onde, por diversas vezes, acaba se contradizendo com o que já havia sido apresentado, a começar pela escolha do nome (“Malévola: Dona do Mal”).

Na primeira produção feita em 2014, havia um círculo perfeito sem pontas soltas, um roteiro crescente, personagens objetivos, focados e coerentes, mas isso é algo que definitivamente não acontece no segundo (muito pelo contrário).

Há uma má exploração da própria narrativa e dos personagens, a trama não desenvolve ou embasa devidamente a própria mitologia da protagonista, dando apenas explicações rasas que geram apenas mais dúvidas para quem assiste.

Há a inserção de personagens novos na trama e eles também sofreram com o reflexo de um roteiro mal estruturado. Eles são mal construídos e executados, não há um motivo ao menos razoável para conseguir criar um elo de empatia com as novas figuras que nos são apresentadas, o que acaba sendo um ponto preocupante, pois eles detêm o poder sobre uma boa parte das cenas emotivas. Infelizmente, até a princesa de Moors não escapa a essa regra, dessa vez, temos uma Aurora extremamente manipulável, sem personalidade, subjugada e irritante. Ela é capaz de conseguir despertar preguiça ou o sentimento de irritação no espectador devido suas atitudes e é dona de uma grande cena nonsense de toda a produção cinematográfica.

No quesito gráfico não há decepções. A direção de arte não deixa a desejar pois mantém o nível linear do primeiro filme, sendo ainda mais colorido que o anterior, mas em alguns quesitos como fotografia e enquadramento o aspecto técnico chama atenção.

As referências usadas no filme remetem ao nazismo e são o que mais impactam quem o assiste, sendo o ponto alto do longa-metragem. Tais cenas onde esse elemento está presente causam uma sensação de angústia e desconforto, causando um real incômodo, e nem o cenário colorido, fadas ou plantas mágicas conseguem amenizar a brutalidade do que é mostrado.

No fim das contas, Malévola: Dona do Mal é uma obra que não afeta o espectador da forma que desejava, deixando inúmeras pontas soltas, dando uma explicação confusa sobre o que é mostrado. O filme causa um certo sentimento de indiferença, mas ainda pode ser visto como uma opção a ser considerada caso você deseje conferir os pontos altos com seus próprios olhos.