Raphael (Ph) Carmo

18 jun, 2019

Filmes

Atualmente está difícil garimpar conteúdos bons produzidos pela Netflix. Mas, de vez em quando, aparecem obras que justificam aquele valor da mensalidade paga por mês. I Am Mother, um suspense de ficção científica lançado recentemente, é um desses exemplos. Confira nossa crítica sem spoilers. Caso você já tenha visto o filme, confira nossas interpretações e explicações aqui.

I Am Mother conta a história de uma garota (Clara Rugaard) que nasceu e foi criada por uma robô em uma instalação futurística. É dito a ela que o mundo lá fora está inabitável mas ela acaba conhecendo uma sobrevivente (Hilary Swank) que lhe faz duvidar do que foi dito a ela.

Como toda boa ficção científica, I Am Mother pega um tema comum e coloca em uma situação fantástica envolvendo tecnologia. E, como já mostra o título do filme, o tema aqui é maternidade. Para conseguir isso, essa temática é muito bem abordada em cada aspecto do filme. Primeiramente, temos a forma como o robô chamado de "Mãe" interage com a filha. Além disso, temos a própria escolha de atrizes para serem iguais, fazendo com que a personagem da mulher funcione como uma referência de mãe humana para a protagonista.

Todo o fato dos personagens não terem nomes dá ainda um clima de fábula ou até bíblico para a obra. Além desse fator, temos também a configuração minimalista da obra, escolhendo contar uma história com poucos personagens e locações. A escolha de locações fechadas ainda dá um clima de suspense e claustrofobia que são essenciais para a narrativa construída. Por isso, sinto que existe um clima muito grande de filme independente e barato no longa. Espero que a Netflix continue investindo em obras baratas mas com uma grande qualidade como essa.

Falando em produção, a direção do longa não fica nem um pouco atrás de outros thrillers de ficção como Alien e Exterminador do Futuro. Aliás, a obra bebe muito dessas obras, pegando um pouco de cada para contar sua própria história. Além disso, o longa usa muito bem o seu orçamento visivelmente baixo para colocar efeitos especiais onde realmente importa e escolher bem suas locações para passar o clima certo sem exageros.

É difícil falar da trama sem dar muitos spoilers, mas a história é muito bem construída. Cada personagem possui suas motivações e convicções. Dessa forma, o longa é uma daqueles tipos de história em que você fica no escuro. A todo momento você duvida do que é mostrado e é treinado para questionar o que é visto. O longa possui um universo bem definido e entrega um final que não é facilmente digerido.

I Am Mother é uma ótima adição ao catálogo da Netflix e facilmente um dos melhores filmes que vi esse ano. Finalizando, se você gosta de sci fis com um bom clima tenso mas ainda com interessantes questionamentos sobre a condição humana, você vai gostar desse aqui. Para uma discussão maior sobre o final e suas interpretações, confira nosso texto com spoilers aqui.

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