Dragon Quest: Your Story (Netflix) | Crítica

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Dragon Quest: Your Story

Dragon Quest é um JRPG (Japanese Role Playing Game) mundialmente conhecido. A série de jogos criada por Yuji Hori nasce na década de 1980 com o NES, o famoso Nintendinho no Brasil, e vai crescendo até chegar no jogo em que Your Story se baseia, Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride, lançado para Super Nintendo em 1992.

Dragon Quest: Your Story pega todo o conceito e história que o quinto jogo da série aborda e transforma em uma adaptação que é bonita, instigante e que homenageia a franquia. A animação é produzida pelo estúdio Robot Communications e conta com um 3D CGI fluido, onde as paisagens e algumas texturas são sensacionais. Esse estilo de animação tem sido o foco de algumas produções recentes, como Stand By Doraemon (2014), Lupin The First (2019) ou mesmo o novo filme de Pokémon que irá sair pela Netflix.

Dragon Quest: Your Story
Luca. Reprodução: Netflix

Em Your Story, Takashi Yamazaki – que esteve na direção de Doraemon e Lupin, já citados, conduz a narrativa, escrita e supervisionada de Hori, com uma forma muito presente em diversos jogos clássicos do gênero RPG: apressada, mas com propósito.

A história da animação se inicia com uma apresentação em 16 bits – o que é uma novidade, pois se utiliza dos frames iniciais do jogo de 1992 – apresentando os personagens centrais da trama. Assim, conhecemos Luca, um jovem que teve sua mãe raptada, logo após dar à luz, por monstros. Seu pai, o rei Pankraz, decide partir em uma jornada em busca de sua mulher e acaba levando o seu filho.

Dragon Quest: Your Story
Pankraz com Luca criança. Reprodução: Netflix

A trama se desenvolve bem, mesmo com os saltos temporais que ocorrem ao longo do filme. Algumas ações, diálogos ou situações podem não fazer tanto sentido – ou acabar deixando algo solto, em alguns momentos, mas nada que prejudique a experiência do espectador.

O visual dos personagens e do mundo, junto de uma história que caminha para algo que esperamos, mas que entrega uma virada, é outro quesito importante para se colocar em evidência. Aliás, o mundo aqui é um dos pontos fortes, mesmo que pouco explorado, os monstros clássicos, as magias e habilidades, as localidades, tudo – ou quase, está presente. E o 3DCG ajuda nesse quesito.

A trilha sonora aposta no já conhecido Koichi Sugiyama – compositor na série de jogos Dragon Quest, que no comando da Orquestra Sinfônica Metropolitana de Tóquio traz as melodias clássicas dos jogos, que é um deleite para quem já conhece, ao mesmo tempo que se apresenta para um novo público.

No fim, DQ: You Story é uma boa animação de fantasia, com um potencial para futuras adaptações. Acredito que quem goste de RPG, vá perceber algumas possibilidades não abordadas durante a história que poderiam, não melhorar, mas ampliar, ainda mais, a noção daquele mundo. Não vale a pena comentar sobre o terceiro ato do filme, pois atrapalharia a experiência de quem fosse assistir, mas o final explica muito o porquê do subtítulo ser Your Story.