Raphael (Ph) Carmo

12 set, 2018

Filmes

John Cho cumpre o papel essencial de nos guiar nessa narrativa fantástica

Quando o primeiro Bruxa de Blair saiu em 1999 ele fez bastante sucesso e popularizou uma nova linguagem para o cinema: o mockumentary. E acredito que Buscando... (Searching..., 2018), com todo o seu potencial, pode acabar inspirando uma nova narrativa para os filmes que virão.

Sem falar muito sobre plot do filme, Buscando... conta a história de David Kim (John Cho), um pai desesperado procurando por sua filha Margot (Michelle La) que desapareceu sem deixar rastros. Ele, então, se alia a detetive Rosemary Vick (Debora Messing) em uma busca por sua filha seguindo os rastros digitais que ela deixou.

Buscando...

Parece que vimos essa história várias vezes, mas a grande sacada de Buscando... é que ele se passa completamente em telas de computador e smartphones. Tudo que vê no filme são mensagens de texto, áudios, sites, videochamadas e diversas outras interfaces. Pode parecer uma ideia absurda mas já foi feita em outras obras, inclusive em um episódio da série Modern Family, mas aqui temos uma linguagem usada de forma sensacional, sem perder o foco e sem ficar desinteressante.

Um ponto importante é que o filme foi completamente localizado para o português, na versões legendadas e dubladas, onde todos os textos que aparecem na tela estão traduzidos, deixando uma imersão perfeita para o público brasileiro.

Já na abertura vemos o passar dos anos pela tela de um computador com vídeos, fotos e interações com a interface feito de forma genial. Buscando... conta muita coisa em pouco e já mostra para o que veio. Nesse momento, eu já fiquei descrente achando que a linguagem ia me cansar fácil, mas o longa sempre mostra caminhos interessantes de manter a narrativa sempre dentro das telas, mesmo nos momentos mais decisivos e tensos. É louvável a criatividade e a diversidade de programas, aplicativos e interfaces que são usados para nos contar a história.

Buscando...

Falando em tensão, o longa consegue criar e manter o suspense muito bem até o fim. O clima tenso vai crescendo nos momentos certos, sem perder um pouco do humor. É incrível como ele consegue passar esses sentimentos mesmo sabendo que o protagonista está em casa atrás da tela de um PC.

O filme já seria legal se fosse só a linguagem, mas isso tudo está aliado a um ótimo roteiro que não fica atrás de thrillers famosos. Ele te dá dicas e você se sente como o protagonista, sempre tentando ligar as pistas para descobrir o mistério o mais rápido possível. As relações entre os personagens e as atuações são boas, dando um charme ainda melhor ao filme. Além disso, ele passeia por diversos temas envolvendo tanto família, privacidade e falsidade nas redes sociais, culminando em belas mensagens no seu fim.

Buscando... pode chegar tímido e sem fazer muito alarde, mas com certeza está entre os melhores filmes de 2018. Espero que ele inspire e motive outros diretores a fazerem experimentos tão bem feitos como esse. Recomendadíssimo.

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