Bola pra Cima (Balls Up, 2026) | Crítica do Filme | Prime Video

A comédia Bola pra Cima (Balls Up, 2026), já disponível no Prime Video, marca mais uma incursão de Peter Farrelly no humor escrachado que definiu parte de sua carreira. Conhecido por títulos como Quem Vai Ficar com Mary? e Débi & Lóide, o diretor retorna a esse estilo após projetos mais recentes de apelo dramático, como Green Book. O resultado, porém, revela um filme que aposta em exageros e repetições, sem sustentar o ritmo ao longo da narrativa. Leia a crítica.

A trama acompanha Elijah (Paul Walter Hauser), um inventor que desenvolve um preservativo com proposta incomum, e Brad (Mark Wahlberg), vendedor encarregado de transformar o produto em sucesso comercial. A dinâmica entre os dois segue o modelo clássico de opostos: de um lado, o criador inseguro; do outro, o vendedor confiante. Essa combinação funciona nos primeiros minutos, quando o filme explora o contraste entre os personagens e estabelece o tom cômico.

O enredo avança quando a dupla consegue associar o produto à Copa do Mundo, ambientada no Brasil. No entanto, uma sequência de decisões impulsivas leva à perda do contrato e, posteriormente, a uma confusão durante a final do torneio. A partir desse ponto, o roteiro abandona qualquer construção mais coesa e passa a se apoiar em episódios desconexos, nos quais os protagonistas enfrentam situações cada vez mais absurdas enquanto tentam escapar de consequências maiores.

A estrutura narrativa se fragmenta em uma série de esquetes que incluem perseguições, encontros improváveis e participações pontuais, como a de Sacha Baron Cohen, que interpreta um chefe de cartel com forte carga caricatural. Essas sequências, isoladamente, poderiam funcionar como sketches independentes, mas, dentro do filme, carecem de continuidade e impacto.

No campo das atuações, Paul Walter Hauser se destaca ao imprimir variações de tom ao seu personagem, demonstrando controle cômico mesmo diante de um material irregular. Wahlberg mantém um registro conhecido, sustentado por energia e presença, mas limitado pelas circunstâncias do roteiro. A química entre os dois é perceptível no início, mas se perde conforme a narrativa se dispersa.

Bola pra Cima (Balls Up, 2026) - Crítica e Fatos do Filme do Prime Video

O principal problema de Bola pra Cima está no roteiro assinado por Rhett Reese e Paul Wernick, nomes associados a produções como Zumbilândia e Deadpool. Aqui, o texto se apoia em uma única linha de humor, repetida ao longo da projeção, sem variações que sustentem o interesse. As piadas giram majoritariamente em torno do mesmo tema, o que reduz o impacto e compromete o ritmo.

Crítica do filme: vale à pena assistir Bola pra Cima no Prime Video?

Com pouco mais de 100 minutos, o filme se estende além do necessário para uma comédia desse tipo. A direção de Farrelly adota uma abordagem solta, que acompanha a estrutura fragmentada do roteiro, mas sem encontrar equilíbrio entre improviso e construção narrativa.

No fim, Bola pra Cima apresenta um início que sugere potencial, mas não consegue desenvolver suas ideias. A combinação de humor repetitivo, narrativa dispersa e excesso de situações desconectadas resulta em uma experiência irregular, que depende da tolerância do público ao estilo proposto.