Raphael (Ph) Carmo

25 jul, 2016

Filmes

A Piada Mortal de Alan Moore é uma das hqs mais importantes e famosas do morcego, nela temos a ( ou uma?) origem do Coringa e ao mesmo tempo um acontecimento que muda a vida de Barbara Gordon (aka Batgirl), além disso ela foi a principal inspiração para o melhor filme do personagem: O Cavaleiro das Trevas de Nolan. Era de se esperar que a adaptação para filme em animação faria juz a hq, seguindo a linha de ótimos longas animados que a DC vem produzindo, mas o filme com roteiro de Brian Azzarello (meu roteirista favorito) tem alguns problemas bem tensos. O texto a seguir contém Spoilers sobre a trama.

Para começar o filme tem um prólogo que não existe nas hqs, mostrando Batman e Batgirl agindo juntos e tendo até um caso. Esse início tem a Batgirl como protagonista e vemos a história pelo lado dela. Olha, eu não vejo problema em adicionar um plot a mais para ter mais algumas cenas de ação e até dar mais protagonismo para a Barbara Gordon, o problema é que ficou fraco e preguiçoso. A história coloca a Batmoça em um papel de fragilidade e não tem conexão nenhuma com o resto do filme, parece mais um curta metragem que foi inserido à força na obra. A polêmica do sexo entre os dois nem é tão impactante assim na obra...simplesmente não tem peso e não é desenvolvido, foi colocado ali nem sei porque...

Depois que termina essa introdução a história segue exatamente como nas hqs. Mas acontece com um corte brusco, fica até esquisito o Batman chegar no Coringa e falar "Eu venho pensado na nossa relação...". Na hq é misterioso essa fixação do Batman e a gente fica se perguntando o que levou ele a fazer aquilo, no filme a gente acabou de ver o Batman em ação e ele não parecia muito preocupado com o assunto. Com alguns minutos de trama a gente esquece a introdução e embarca na Piada Mortal propriamente dita. Aqui não tem muito o que reclamar, é a hq perfeitamente exposta para as telas. Os elogios que eu teria aqui são os mesmos que eu teria para a obra em quadrinhos, o texto e a ideia são muito bons. Parece tanto que no final fica aquele sentimento de o filme ser inútil, pois ele não acrescenta quase nada e não diz nada mais do que foi dito.

Acho que o único ponto forte do filme que acrescentou algo foi a dublagem do Batman ( Kevin Conroy) e do fantástico Coringa (Mark Hammil), para as gerações mais novas, são as mesmas vozes dos jogos da série Arkham. Hammil está ótimo como sempre, principalmente na cena da música, tirada das hqs.

Não quero dar uma de fã chato, mas acho que A Piada Mortal é uma história que é melhor aproveitada nas páginas de quadrinhos, ela não é uma hq com lutas ou cenas muito impactantes visualmente, a sua genialidade está no subtexto e nos diálogos, algo que é muito melhor desenvolvido quando você está lendo, para ter mais tempo para digerir. No filme ficou jogado e forçado, ficando até meio ridícula aquela cena final clássica. É legal ver essa hq no formato audiovisual, mas no final fica uma sensação de "para que?", principalmente com aquele prólogo que não acrescenta em nada e parece totalmente desconexo. A DC já fez animações bem melhores...

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