As Panteras (2019) dá um novo ar para franquia | Crítica

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As Panteras, da Sony Pictures

Elizabeth Banks dá novos ares para As Panteras no cinema com uma produção honesta que traz ação, investigação e aparatos tecnológicos

Quando a nova versão de As Panteras (Charlie’s Angels) foi anunciada eu pensei “Que legal. Acho que seja um bom momento”. Mulheres fortes que sabem o que querem e que não baixam a cabeça diante do preconceito e de quem tenta pisar em seus ideais. Isso aliado a porradaria, mas sem perder o charme. É o que este novo filme possui, o tom de feminilidade vindo da maravilhosa Elizabeth Banks (A Escolha Perfeita), que produziu, dirigiu e atuou neste filme.

A versão das Angels que conheci foi a dos anos 2000 estrelada por Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore, que trazia uma mistura de ação, investigação e comédia bem pastelona, mas que me agradava assistir sempre que passava na TV. Foram dois filmes para os cinemas, o primeiro em 2000 e o segundo em 2003, com a direção de McG (O Exterminador do Futuro: A Salvação, 2009) e renovou a franquia, de uma certa forma.

Essa é a minha referência, pois não tinha em mente a série criada nos 70s por Aaron SpellingLeonard GoldbergIvan Goff e Ben Roberts, que teve cinco temporadas, e contava com a saudosa Farrah Fawcett no elenco da primeira temporada, e algumas participações especiais nas temporadas posteriores.

As Panteras
Da esquerda para a direita: Jane, Sabina e Elena.

O novo filme nos apresenta duas novas Angels, a problemática Sabina, interpretada por Kristen Stewart (Personal Shopper), e a centrada Jane, vivida pela Ella Balinska (The Athena). Cada uma já atua há um tempo dentro da unidade de investigação global de Charles Townsend, e mostram suas habilidades logo nas primeiras cenas do filme, que por sinal, se passa no Rio de Janeiro.

A personagem de Naomi Scott (Aladdin), Elena, é apresenta em seguida e o cerne da história parte de sua subtrama. Elena é uma engenheira de sistemas que participa da construção de uma fonte de energia limpa que pode revolucionar o planeta. Em meio a isso, temos o personagem do incrível Patrick Stewart, John Bosley, se aposentando, e a Bosley, interpretada pela Elizabeth Banks, assumindo uma investigação. Sim, Bosley é um codinome utilizado pela agência. Então, o filme estabelece uma caralhada destes personagens espalhados pelo mundo.

O desenvolvimento destes personagens só é pincelado. As três Panteras poderiam ter sido trabalhadas ao longo da trama. Tinha tempo e história para isso, mas a direção e o roteiro de Banks optou por mostrar alguns acontecimentos e colocar em tela a personalidade de cada uma. A própria Bosley que poderia ter um maior background maior acaba não tendo isso. Mas tudo bem. Assim, Jane acaba sendo a personagem com peso dramático pontuado no decorrer do filme, o que deixa um tanto desbalanceado no trato com as demais.

As Panteras traz tudo que os filmes de McG tinham e ainda referencia isso. Talvez, alguns percebam e gostem do que é posto. Das poucas coisas que me incomodaram, as cenas de lutas estão nelas. A montagem não é ruim, mas deixa uma sensação de confusão. E em um período onde temos cenas de combate corpo a corpo ótimas como as de John Wick, as que o filme entrega ficam à deriva no oceano do cinema que se propõe em ação.

As músicas estão por toda parte do filme. Na introdução, nas explicações, sempre tem alguma trilha, mesmo que seja mínima. Surpresa perceber que a voz de Anitta está na parte do Rio de Janeiro. Outro ponto estranho é a quebra que o filme traz do segundo para o terceiro ato, com as três personagens em uma situação e tocando uma música que parece fim de filme.

Ir para esse tipo de produção com as expetativas neutras é uma coisa boa. Ele entrega tudo que propõe: lutas, tiros, investigações, tecnologias de espionagem e até mortes, sem contar a comédia pastelona. Os possíveis momentos dramáticos é que destoam, e parecem desnecessários. É o momento em que você se pergunta se é foi uma boa deixar…

Penso que se este filme estivesse em uma plataforma grande de streaming, como Amazon Prime Vídeo, Netflix, a estreante Disney Plus ou a vindoura HBO Max, talvez o alcance e a receptividade seria maior, pois seria um ótimo filme para ver em casa. Espero que o projeto dê certo, na real.

Não sei o que a Sony quer dessa vez, mas Elizabeth Banks pode estar dando um novo ar para a saga de As Panteras no cinema. Em um momento em que o feminismo é algo que tem sido amplamente importante e imponente, a franquia pode trazer mais visibilidade para o papel da mulher em nossa sociedade, com um bom toque de humor ácido, claro.