Adoráveis Mulheres | Crítica

230
adoráveis-mulheres-sony-pic

Diretora mantém olhar sensível da autora em Adoráveis Mulheres, adaptação da obra de Louisa May Alcott

Com data de lançamento brasileiro para dia 9 de janeiro (ou seja, hoje), Adoráveis Mulheres é a mais nova adaptação do famoso livro Mulherzinhas, da autora Louisa May Alcott, uma história com fundo autobiográfico sobre quatro irmãs que crescem durante a Guerra Civil Americana. Ela teria se baseado no próprio relacionamento com as irmãs para criar o seu universo literário (que é composto por mais alguns volumes, que contam o que aconteceu após esse primeiro livro).

Com um elenco recheado de nomes conhecidos, como Emma Watson, Meryl Streep, Saoirse Ronan e Timothée Chalamet, o filme consegue englobar os acontecimentos do primeiro e do segundo livro da autora de maneira leve e profunda, passeando pelo presente (em que são todas adultas) e o passado, quando eram apenas jovens despreocupadas se divertindo juntas. O longa traz uma visão acertada sobre amadurecimento, família, amor, escolhas; as irmãs são extremamente diferentes uma da outra, e cada uma busca coisas diferentes para a própria vida, apesar disso, a união entre elas é forte e muito bem explorada.

A diretora, Greta Gerwig (a mesma de Lady Bird: A Hora de Voar), manteve o olhar sensível da autora com planos longos, uma exploração deliciosa do cenário bucólico, trabalhando com paciência cada relação, amarrando com destreza os afetos e fazendo com que nos apeguemos às personagens. Exceto a irmã mais nova, que é parte importante da trama, mas senti que faltou um pouco mais de trabalho nela, sendo um pouco deixada de lado – talvez porque a atriz não seja tão famosa – é o que suspeito.

Não preciso nem falar muito do elenco, que é incrível. Conseguiram capturar bem os papéis dados. A família March é simplesmente puro amor, com todas as atrizes parecendo estar super confortáveis em seus papéis e gostando muito uma da outra, intercalando momentos sérios da vida adulta e as decisões que precisam tomar para as próprias vidas com as passagens infantis, que exibem a irmandade formada entre elas, as dúvidas sobre quem são e quem querem ser, assim como as certezas que toda pessoa jovem tem sobre o próprio futuro.

Há um trabalho sutil e muito gostoso de acompanhar entre as personagens Jo (Saoirse Ronan, a verdadeira protagonista) e Amy, pois elas possuem uma certa rivalidade por Jo ser um espírito muito livre e Amy ser a irmã mimada e cabeça de vento. E, claro, por elas fazerem parte de um não requisitado e desajeitado triângulo amoroso.

Também posso citar a crítica magnífica sobre a condição feminina daquela época, em que mulheres eram vistas apenas como objetos a serem adquiridos, e o único meio de ter alguma coisa na vida era por meio do casamento, e, se observarmos bem, apesar de podermos ter o nosso próprio dinheiro e não sermos mais consideradas, perante a lei, como propriedade do nosso parceiro (no caso de relações héteros), o resto ainda é muito atual.

No fim das contas, o Adoráveis Mulheres é tão delicioso de se assistir quanto ler os livros. E rapazes, percam o preconceito de achar que porque um filme é protagonizado por mulheres vocês não vão gostar, pois esse longa é absolutamente delicioso e você estará perdendo uma boa história.

Publicidade