Diego Barbarossa

18 maio, 2022

Filmes

Chegando um pouco atrasado no Brasil, A Médium é o mais novo trabalho de Banjong Pisanthanakun, (Espíritos: A Morte Está ao seu Lado), num filme no estilo de mocumentário (ou falso documentário) que acompanha a vida de uma médium tailandesa.

Na história, Nim (Sawanee Utoomma) é uma importante xamã de uma pequena cidade no norte da Tailândia. Conectada à entidade Bayan, Nim vai mostrando e explicando aos espectadores que o ser divino escolhe as mulheres de sua família há anos, protegendo-os e ajudando os moradores da região Isan.

Ao adotar o formato de câmera na mão, com pessoas desconhecida documentando algo um assunto fora do comum, Pisanthanakun deixa claro que pretende fazer com que os espectadores se aproximem mais de seus personagens que estão em tela.

Após a morte de seu cunhado, Nim começa a perceber que Mink (Narilya Gulmongkolpech), sua sobrinha, está com alguns sinais de possessão espiritual. Logo, Nim suspeita que Bayan esteja escolhendo Mink para ser sua próxima médium. Mas, suas dúvidas logo se transformam em preocupações quando eles veem que não é Bayan causando os sinais em Mink.

Pisanthanakun assina o roteiro baseado na história de Na Hong-jin, que também é produtor executivo no filme, e Chantavit Dhanasevi. O filme tem bastante semelhança com O Lamento, um dos trabalhos comandados por Na Hong-jin, pois ambos trabalham com xamanismo e possessão.

Com pouco mais de duas horas de duração, o filme começa a construir todo um ambiente necessário para a sua conclusão. Ele, aos poucos, vai apresentando a rotina de Nim como xamã, passando a mostrar mais sobre a sua família, com sua irmã Noi (Sirani Yankittikan), mãe de Mink, e o irmão Manit (Yasaka Chaisorn).

Não tem como não comparar ou mesmo relembrar de filmes como Bruxa de Blair, Atividade Paranormal ou REC em questão de planos e filmagens - estes se tornaram referências claras no gênero do terror. No entanto, um fio condutor em A Médium é a questão da religião. O choque entre cristianismo com as crenças locais da Tailândia abre espaço para bastante interpretação e de como o ocidente lida e sabe pouco sobre o lado espiritual dos países orientais.

É muito interessante ver, já no terceiro ato do filme, como um ritual de banimento e invocação é realizado. Há várias regras envolvidas no processo e que devem ser respeitadas. O ambiente é preenchido com velas e inscrições dispostas em ângulos, deixando tudo mais crível. Me lembrou bastante o Vozes da Escuridão, um filme que se permite comentar como esses rituais com magia são extremamente cansativos, perigosos e complexos (fica a dica aí).

No fim, A Médium é mais um boa opção para os fãs de terror e que apreciam o gênero Found Footage. A Paris Filmes está lançando o filme nesta quinta-feira, 19 de maio, nos cinemas.

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