A Ilha | Crítica

376

Nem mesmo Nicolas Cage é capaz de salvar A Ilha de ser um desperdício de tempo

Nicolas Cage é um artista e tanto. Poucos atores no mundo conseguem escolher tantos projetos ruins na carreira. E dentro desse seleto grupo, apenas ele consegue se divertir nesse processo, não importa o quanto o espectador esteja sofrendo do outro lado da tela. Porém, como numa relação extremamente tóxica, é praticamente impossível não ter uma curiosidade mínima sobre seus novos trabalhos. A Ilha, adicionado recentemente ao catálogo do Looke, é tudo aquilo que já estamos acostumados. O que ainda não sei se posso chamar de boa notícia.

Ambientada no sul da Louisiana, a trama acompanha o desafortunado Buddy (Luke Benward) pai de primeira viagem que está em busca de dinheiro para cuidar da esposa e da filha recém-nascida. Seu caminho acaba cruzando com o de Walter (Cage) que na noite anterior teve sua cerca destruída por ter atirado em um ladrão. O que parece um serviço simples para Buddy, ganha sérias complicações: um furacão que se aproxima e a sedutora Fancy (KaDee Strickland) esposa de Walter. É nesse ambiente conturbado que A Ilha constrói um tedioso jogo de interesses obscuros.

A direção de Stephen S. Campanelli busca estabelecer uma atmosfera enervante e misteriosa. Os comportamentos erráticos de Walter e Fancy até funcionam no início do filme, mas logo tornam-se repetitivos. Não é preciso muito para perceber o quanto as coisas irão sair dos trilhos dentro da casa, mas o terreno é preparado de uma maneira insossa. E quando o embate entre os personagens finalmente ocorre, toda a expectativa já foi consumida pela surpreendente enrolação em desenvolver a história.

Nicolas Cage em A Ilha

O roteiro escrito por Iver William Jallah e Rich Ronat passa longe de ser uma fonte de criatividade. Nenhuma das viradas propostas pela dupla chegam a ser surpreendentes. Uma casa repleta de segredos, com personagens problemáticos presos numa tempestade tem muito mais potencial a ser explorado do que A Ilha consegue alcançar. O texto tenta mesclar temas extremamente distintos dentro de um mesmo núcleo, o que obviamente faz com nenhum deles realmente tenha o devido tratamento. Sem contar na resolução patética do que deveria ser o grande mistério da história.

Em termos de atuações, o saldo também não é positivo. Luke Benward em nenhum momento convence como alguém simples que de repente está envolvido em algo terrível. Quem ainda se esforça é KaDee Strickland, que entrega uma personagem sedutora capaz de convencer um estranho a enfrentar seu marido louco. Não cometerei o insulto de afirmar que Nicolas Cage está mal, afinal de contas, não existe mais esse sistema de avaliação em sua carreira. O pecado maior é que nem seu papel habitual compensa o tempo investido.

A Ilha é um filme que tenta ser várias coisas, mas que não acerta em nenhuma delas. E mesmo que seja divertido ver Nicolas Cage sendo ele mesmo, existem longas melhores para vivenciar essa experiência.