A Universal divulgou o primeiro trailer oficial de Jason Bourne, novo filme da franquia estrelada por Matt Damon. E após os 2 minutos e 40 segundos de vídeo é possível perceber que muitas coisas mudaram. Não falo apenas do retorno de Matt e a saída de Jeremy Renner (do péssimo O Legado Bourne) ou de Paul Greengrass finalmente retomando a cadeira de diretor. As mudanças estão concentradas no clima e na abordagem que o novo filme pretende trazer. As pistas estão todas no vídeo e casam perfeitamente com o atual cenário da sociedade quando o assunto é a segurança – ou a falta dela – de informações e dados. É o que chamam de nova geração da espionagem.

Saem os agentes bons de briga e entram os drones. É como se no mundo dos espiões fosse muito melhor ser o agente Q do que o James Bond. Aliás, essa situação esteve presente no último filme do 007, quando a figura do personagem vivido por Daniel Craig parecia completamente obsoleta. Era de se esperar que a franquia Bourne também fosse atualizada devido os acontecimentos que presenciamos desde O Ultimato Bourne.

Lá no início dos anos 2000, quando A Identidade Bourne foi lançado, nosso mundinho era bem diferente do que conhecemos hoje. As pessoas não estavam dando a mínima para esse lance de espionagem, treinamento secreto e tantas outras coisas que apareciam nos filmes. Muitas vezes a CIA parecia tão personagem de ficção quanto aqueles agentes extremamente mortais. Mas Jason Bourne surgiu entre a queda de torres e guerras travadas em locais distantes. O que parecia destinado ao fracasso tornou-se um enorme sucesso. O mundo havia acordado para a realidade. E a forma “crua” como a trilogia Bourne abordava o tema foi essencial para sua popularização.

Vigilância, manipulação e as famosas teorias da conspiração tornaram-se assunto presentes nas rodas de conversa pelo mundo, especialmente nos EUA. Mas George W. Bush, a grande figura que representava o conturbado cenário mundial dos anos 2000, saiu de cena. Em seu lugar entrou Barack Obama. Uma nova realidade, novas promessas, e claro, novos problemas. E foi aí que Jason Bourne enxergou a oportunidade de dar o pulo do gato.

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Certamente você reconhece um nome citado no trailer: Edward Snowden. Foi ele que, em meados de 2013, divulgou documentos secretos que revelavam que o governo dos EUA tinha investido um tempo considerável espionando países e corporações multinacionais, coletando dessa forma informações valiosas. O mundo estava diante de um novo medo, a tecnologia. Não que fosse uma grande novidade, mas a internet era mais eficiente em descobrir informações do que os espiões antes aclamados. Matt Damon já havia comentado sobre o assunto, mas agora temos a confirmação de que Jason Bourne está inserido nesse mundo “pós-WikiLeaks”.

Quem acompanhou os três primeiros filmes viu Jason correndo, saltando, lutando e atirando em busca de descobrir quem ele era. A medida que o tempo passava, sua luta não era apenas contra a CIA e seus agentes, mas também contra a imprensa e seu enorme poder de manipular o cenário ao seu bel-prazer. Algo que estamos acostumados, especialmente quando vivemos num cenário político tão conturbado. Mas esses vazamentos acabaram colocando uma enorme pulga atrás da orelha das pessoas quando o assunto era jornais, revistas e outros meios de informação. A necessidade da verdade tornou-se mais presente do que nunca.

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Mas no novo filme Jason Bourne já sabe quem realmente é, afinal ele mesmo anuncia que lembra de tudo. Sua busca agora é pelo o que ele não sabe, algo que não estava em suas memórias. Foi preciso um homem revelar arquivos secretos para nos lembrar que informação é poder. Um poder capaz de derrubar países e fechar grandes empresas. Imagine o que ele pode fazer contra um homem, por mais habilidoso que ele seja. Bourne agora está atrás da grande verdade que nunca lhe contaram. Nos resta esperar o que ele vai fazer quando descobri-la.