Quantos sacrifícios são necessários para construir uma rebelião? Até que ponto é preciso enfiar as mãos na lama para alcançar um objetivo maior? São questões pertinentes que por muito tempo nos escaparam da mente quando assistimos Star Wars. Claro, sabíamos que aquelas conquistas não vinham de graça. Mas, faltava um relato mais profundo das desventuras dos Rebeldes. E Rogue One surge justamente para sanar esse problema.

O filme de Gareth Edwards apresenta os elementos essenciais, e por muitas vezes esquecidos, que permeiam a grande Rebelião. Se antes tínhamos uma imagem pura e cristalina dos heróis que enfrentavam o Império, agora esse quadro está manchado de cinza. Uma mudança necessária para que os fãs, agora mais maduros do que quando tiveram o primeiro contato com a saga, possam entender que salvar o dia nem sempre é uma atividade moralmente rica. Numa guerra, todos acabam sujos.

Os Rebeldes não tem o benefício do tempo. Não podem beber despreocupados enquanto uma arma de destruição em massa está sendo construída. Não podem desperdiçar a menor possibilidade de desestabilizar o inimigo, mesmo que isso signifique ficar um pouco mais parecido com ele. É preciso matar informantes que atrapalham a fuga, roubar, sabotar e torturar. Se os pilotos de caças travam lindas batalhas no espaço, é preciso que alguém no solo faça o trabalho sujo. Seja dando ordens ou obedecendo. Rogue One explora todo esse cenário.

Mas uma rebelião é construída com outros elementos, como o amor. Amor de pai e filha, amor pela causa e pelos companheiros que lutam ao seu lado. Amor por pessoas e lugares que agora não passam de uma mera lembrança. Claro que um sentimento tão poderoso pode gerar reações extremas. É o que o personagem de Forest Whitaker (Saw Gerrera) representa. Alguém capaz de ir até o limite por algo que acredita, mesmo que cative a desaprovação de outros que lutam pelo mesmo objetivo. Nem tudo é perfeito na vida dos mocinhos.

Leia também: Rogue One: Uma História Star Wars | Review

Uma rebelião também é construída com coragem. Defender até o último instante aquilo que guia sua vida, mesmo no momento derradeiro. Coragem de encarar uma luta que já havia perdido o sentido para você. Jyn Erso (Felicity Jones) e Cassian Andor (Diego Luna) representam essa coragem. Seja para concretizar a ideologia do pai ou assumir as consequências dos atos cometidos em nome do bem maior, a coragem sempre está presente. É o que nos move diante da missão suicida.

A fé também é um elemento crucial. Chirrut Imwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Jiang Wen) acreditam na Força, cada um da sua forma. Em Rogue One, a Força está presente como uma religião, um elemento maior que guia aqueles que nela acreditam. Uma oração, um mantra repetido em momentos de necessidade. Que guia o cego e abre os olhos de quem não acreditava. Existe também a fé naquele que luta e sangra ao seu lado, que por mais que o cenário esteja ruim, não será abalada. Uma rebelião também se constrói com amigos.

Mas o essencial numa rebelião é a esperança. É ela que te faz agir diante do impossível, que torna suportável o peso de cada decisão questionável. A esperança de que todo o sangue derramado sirva para construir um futuro melhor. É ela que toca o coração daqueles que tinha todos os motivos para estarem do outro lado, fazendo com que enxerguem a realidade da situação. Ainda que a burocracia e o medo atrapalhem, a esperança se mantém firme. Pronta para atender aqueles que clamam por ela. Não é toa que o primeiro filme de Star Wars foi batizado de Uma Nova Esperança. Mas é incrível perceber que ela foi talhada antes de Luke empunhar seu sabre de luz.

Rogue One é, em sua essência, um filme de guerra. E assim como a maioria do gênero, ele deixa uma lição quando os créditos sobem. Não importa qual princípio guie seus passos, é preciso acreditar que você está no caminho certo, mesmo que as dificuldades apareçam.