A cultura pop (da qual nós nerds agora fazemos parte) costuma confundir diversas vezes nossas emoções quando diz respeito aos ídolos que nos entretém e o que eles fazem entre quatro paredes. Mas como lidar com nossos sentimentos em relação a um ídolo que pisa na bola? A questão foi reacendida recentemente com a adição de Johnny Depp ao elenco da nova série de filmes Animais Fantásticos e Onde Habitam, filme pertencente ao rico universo da saga Harry Potter.

Depp, como muitos puderam acompanhar, protagonizou um papel que provavelmente nenhum admirador esperava: o ator foi acusado de agressão doméstica contra sua então esposa Amber Heard. O caso foi de certa forma abafado, onde para conseguir o divórcio Heard precisou entrar em um acordo com o astro, retirando assim a queixa. Sua adição ao novo filme potteriano gerou algumas reações, muitas de protestos pelo fato de ir contra os princípios que a própria saga se propõe a disseminar como igualdade e RESPEITO. O vídeo abaixo do canal faNATic reúne de forma prática o sentimento de quem pensa dessa forma:

Outros exemplos podem vir automaticamente ao destrincharmos ainda mais polêmicas sobre esse tema. Mel Gibson teve sua carreira manchada por conta do mesmo comportamento, e consequentemente as portas estão fechadas para ele em muitos lugares até hoje (agrega negativamente as declarações anti-semitas dadas por ele). Mas é claro casos semelhantes são identificáveis além do mundo do cinema.

Biel pedindo desculpas após assédio sexualO mundo musical é cheio de exemplos de artistas de comportamento contraditório, mas se nos restringirmos ao machismo um que repercutiu no Brasil foi o de MC Biel que, independentemente do que você acha de suas músicas, foi acusado de assédio sexual por uma repórter do portal IG, maculando e talvez até abreviando o momento de sucesso da sua carreira artística.

Silvio Santos é outro que tem pisado na bola com frequência, muito provavelmente por conta da idade avançada. Na recente edição do Teleton, a maratona beneficente que o SBT promove anualmente em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), o “patrão” mandou mais de suas pérolas dessa vez no campo do machismo, racismo e piada com obeso. Anteriormente, o dono do SBT já havia desferido comentários um tanto intolerantes em relação ao filme Carol (filme com Cate Blanchett que mostra a relação entre duas mulheres), dizendo que o filme era uma porcaria pelo seu conteúdo. Só não repercurtiu muito pelos comentários ainda piores de sua filha Patrícia logo em seguida (tudo isso vídeo abaixo).

Devo parar de curtir coisas como Mad Max, músicas e até o vindouro Animais Fantásticos e Onde Habitam, ou então não doar um centavo sequer para o Teleton?

Não é pra tanto. Precisamos sim fazer esse exercício de reflexão, saber que o resultado de uma obra não está intrinsecamente ligado ao que um artista isoladamente faz no seu momento fora do trabalho (seja isso deplorável ou não). O resultado disso é um expectador amadurecido, que vai pensar duas vezes antes de declarar seu amor a qualquer celebridade que apareça. Ou seja, para quem está disposto a aprender, faz parte da aventura. Bem vindo à vida adulta.

Mas é claro que a benevolência com situações assim pode gerar um incômodo tamanho que o produto final perde a graça, e até o patrocínio. Atualmente é quase impossível acompanhar os programas do Silvio Santos sem torcer o nariz para tanta gafe e bola fora, por mais que em muitos momentos sua espontaneidade seja sensacional. Dessa forma, as pessoas deixam de acompanhar e os prejuízos logo chegam. Cabe também a quem contrata e aconselha, seja Warner ou quem for, adotar políticas mais rígidas em relação a quem trabalha sob seu comando.