Viajando no tempo com nostalgia e pontualidade, Vingadores: Ultimato emociona no momento certo e entrega ao fã o que ele merece, revisitando pontos-chave do Universo Cinematográfico da Marvel

Acredite em mim quando digo que Vingadores: Ultimato é o maior evento já realizado na história do cinema. Continuação direta de Guerra Infinita, o filme da Marvel Studios chega repleto de desafios que só uma produção muito bem planejada e executada é capaz de superar. Os responsáveis por tal feito são muitos, e vamos tentar lembrar de todos nesta crítica.

A trama em questão é muito simples. Os maiores heróis da Terra foram derrotados por Thanos (Josh Brolin), que conseguiu reunir todas as joias e realizou seu objetivo: eliminar metade da vida no universo. Para reverter seu feito, é preciso ir atrás do Titã Louco e tomar dele a manopla – desfazendo o que foi feito.

Sendo assim, Vingadores: Ultimato precisa fazer algumas coisas. Primeiro, ecoar as perdas do longa anterior, afinal, não é todo dia que metade das pessoas que existem vão a óbito. Também é preciso revidar o ataque sofrido, seguido de um plano mais apurado para resolver o problema e colocar Thanos no seu devido lugar. Por fim, há a clara necessidade de dar um desfecho a alguns personagens, que deixaram um belo legado ao longo de uma década de filmes.

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Pode parecer simples, mas a dificuldade é infinita (com perdão do trocadilho). Mais uma vez, são dezenas de personagens, cada qual com suas particularidades, que precisam funcionar numa trama de modo que passe a sensação de unidade na narrativa. Isso não é fácil, pois, além da demanda por um roteiro adequado, há toda a mobilização logística envolvendo atores, locações e equipe de efeitos especiais.

Maior evento cinematográfico já visto

Isso tudo só foi possível pela fé de Jon Favreau e Kevin Feige, que trouxeram um Tony Stark dotado de carisma na pele do desacreditado Robert Downey Jr. em Homem de Ferro (2008), até hoje considerado por muitos um dos melhores filmes sobre origem de um super-herói. Isso abriu as portas para a Marvel Studios investir a médio e longo prazo, algo pouco pensado nos cinemas, eclodindo no excelente Os Vingadores (2012), depois de filmes individuais e medianos para o Thor (2010) e Capitão América (2011). O responsável por dirigir essa união foi Joss Whedon, que soube entender a dose ideal de humor e ação para o agrado de qualquer um que busque um bom entretenimento no cinema. De quebra, também afagou o ego dos sempre exigentes fãs de quadrinhos.

Para dar sequência a isso que se chama hoje de “fórmula Marvel”, temos mais três nomes que valem a lembrança (e encerro minhas condecorações). Um deles é James Gunn, responsável por levar os heróis para o espaço com Guardiões da Galáxia (2014), definindo um certo padrão estético para os filmes fora da Terra. E por último, Joe e Anthony Russo, diretores que começaram no MCU com o excelente Capitão América: Soldado Invernal (2014), experimentando recursos em Guerra Civil (2016) que serviriam para o bom andamento de Vingadores: Guerra Infinita (2018).

Esse projeto ambicioso é o que torna Vingadores: Ultimato maior do que outros postulantes, como Avatar. Note que não estou me referindo à qualidade como filme apenas, mas a todo o cenário em volta de cada lançamento. O filme de James Cameron, por exemplo, tornou-se a maior bilheteria – e, consequentemente, um grande evento – por ser o grande precursor do formato 3D nos cinemas, com um produto de saltar aos olhos e capaz de gerar muita conversa depois das sessões. Nesse sentido, Ultimato é algo ainda maior.

Isso porque, além de se encaixar em alguns dos quesitos que tornaram Avatar um fenômeno, Ultimato oferece ainda mais elementos. Começando por tudo que citei acima, com sua dezena de heróis. Também pela mistura de universos onde temos todo tipo de fantasia, desde as armaduras do Tony Stark à magia do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), funcionando de modo coeso, por mais que tenhamos motivos para alguma crítica aqui ou ali.

Revisitando o MCU

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely trabalha muito bem o fato de ter desenvolvido personagens como Thanos em Guerra Infinita. Isso possibilita seguir e explorar outros temas, como as pendências entre Tony Stark e Steve Rogers (Chris Evans), e o fato desses heróis estarem há muito tempo segurando as pontas e salvando o mundo. Outro destaque é o espaço maior para Nabulosa (Karen Gillan) e Bruce Banner (Mark Ruffalo).

O extermínio global é refletido bastante no clima do filme, nada sombrio no sentido jocoso que essa palavra se tornou (por conta da rivalidade com filmes da Warner / DC), mas temos um primeiro ato com tudo que vimos nos trailers: uma fotografia nublada onde os heróis tentam seguir em frente, e o desespero frente a incapacidade.

Isso até entrarmos em contato com uma das partes menos populares do MCU até então: o universo do Homem-Formiga. O Reino Quântico tem vital importância em tudo que se segue a partir disso e é elogiável a coragem da Marvel em colocá-lo como peça-chave na resolução dos problemas. Tudo isso até o confronto principal, num último ato recheado de momentos emblemáticos para o deleite do nerd, até entendermos o que os irmãos Russo queriam dizer com a fala “custe o que custar”.

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Para isso, no entanto, é preciso (de um modo que não vamos detalhar aqui) revisitar o Universo Cinematográfico da Marvel em diversos momentos. A tal viagem no tempo, algo evidenciado pelos trailers e comerciais, acontece de forma muito pontual e didática, assim como foi com as joias no filme anterior. Porém, nem tudo fica completamente solucionado nesse sentido, o que pode acabar fomentando debates futuros. Mas para essa trama, especificamente, é seguro dizer que a sempre perigosa viagem no tempo não prejudica o filme. Pelo contrário: além de embalar-nos no berço da memória afetiva, essas cenas proporcionam piadas impagáveis.

Mesmo sendo o maior evento já criado nos cinemas, Vingadores: Ultimato não escapa de alguns pequenos erros. O principal é não introduzir nenhum vilão novo, ou mesmo um personagem totalmente inédito no universo Marvel. Vale lembrar que mesmo a Capitã Marvel (Brie Larson) acaba de chegar através de um filme solo.

Fazendo uma analogia à condição do Thor (Chris Hemsworth) no filme, também há uma certa “gordura” em algumas cenas, como numa emocionante passagem envolvendo Clint Barton (Jeremy Renner) e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), que acaba se estendendo pelos motivos errados. Nada que mude uma vírgula no acabamento do longa, que acaba se assemelhando bastante a Guerra Infinita estruturalmente, porém, com muito mais forma e fluidez entre as cenas dessa vez.

Vingadores: Ultimato é um acontecimento único no cinema, para ser assistido e reassistido pelos fãs da Marvel Studios e de quadrinhos como um todo. Não é à toa quando dizem que essa é a melhor época para ser nerd. Precisamos aproveitar cada segundo desse momento, e tendo isso em mente, é muito provável que você despeje algumas lágrimas no cinema a partir do dia 25 de abril.