Populares em fóruns da internet, as creepypastas são pequenas histórias de terror que surgem do mais absoluto nada. Graças a velocidade com que a informação é divulgada na rede mundial de computadores, logo várias pessoas estão compartilhando, comentando e até incrementando esses relatos aterrorizantes. Embora o impacto inicial seja enorme, o inevitável esquecimento chega e as creepypastas acabam retornando de onde vieram. Isso até alguém pensar que seria uma boa ideia fazer um filme sobre uma delas. Talvez a mais famosa dos últimos anos: Slender Man. O resultado final? Algo incrivelmente sem qualidade e personalidade.

Na trama de Slender Man – Pesadelo Sem Rosto, as amigas Wren (Joey King), Hallie (Julia Goldani Telles), Chloe (Jaz Sinclair) e Katie (Annalise Basso) descobrem sobre a história da figura esguia e sem rosto. Tomadas pela curiosidade, elas decidem fazer o ritual para invocar o Slender, sem imaginar as terríveis consequências desse ato. E tão genérica quanto essa sinopse é o desenrolar do filme. Todos os clichês do terror enlatado norte-americano estão presentes aqui. O que não seria nenhum pecado se o roteiro de David Birke (Elle) soubesse utilizá-los da melhor forma. Com um material tão pobre nas mãos, a direção de Sylvain White (Os Perdedores) acaba indo pelo mesmo caminho.

Envolvido em vários problemas de bastidores desde 2016, quando foi anunciado pela Sony, Slender Man – Pesadelo Sem Rosto deveria ter ficado esquecido na gaveta de algum executivo. O cenário piora quando sabemos que o estúdio decidiu cortar algumas cenas perturbadoras, na tentativa de enquadrar o filme ao estilo mais família. Vai saber, talvez o melhor do longa tenha se perdido na ilha de edição. O que ajuda a explicar inúmeros plots sem resolução.

Ainda nos aspectos técnicos, chega a ser admirável a tentativa de despertar algum tipo de pavor no coração do espectador. Porém, a fotografia extremamente escura e a trilha sonora previsível não jogam pelo time. Na verdade incomodam bastante. O próprio Slender Man não induz medo algum. Principalmente quando suas aparições tornam-se frequentes. Fazendo uma comparação no mundo do terror, a freira de Invocação do Mal 2 é muito mais eficiente nesse quesito (não ao ponto de ganhar um filme solo, mas tudo bem).

Quem mais sofre nisso tudo é o esforçado elenco. É visível a tentativa das protagonistas de extrair algo decente diante de todo o caos. Mas o que ganham em troca são diálogos modorrentos e situações que beiram o ridículo. Ninguém em suas perfeitas faculdades mentais tomaria decisões tão estúpidas. Claro que isso faz parte do kit básico do terror. Se todos os protagonistas fossem inteligentes, a trama não andaria. Mas existe um limite para a ingenuidade nesses casos.

Para ser justo, Slender Man – Pesadelo Sem Rosto até começa de forma interessante. Com um certo horror psicológico, mas que não dura muito tempo. O resultado final é mais um filme que não veria a luz do sol se os escritórios dos grandes estúdios de Hollywood fossem habitados por pessoas mais sensatas. Ou com algum senso de ridículo. De fato, existem coisas que só são legais na internet.