Damien Chazelle (La La Land) retorna aos cinemas novamente já como um dos favoritos do Oscar, mas diferente dos seus antigos filmes musicais, seu novo longa conta a história do homem por trás do mito da viagem à lua. Confira nossa crítica sem spoilers.

O Primeiro Homem foca em um momento da vida de Neil Armstrong (Ryan Gosling), o primeiro astronauta a pisar na lua. O filme inicia com a perda de sua filha e segue contando sua jornada durante o treinamento, relacionamento com colegas e sua relação com mulher Janet ( Claire Foy) e filhos.

A escolha de contar uma história mais intimista sobre um fato histórico e épico é ousada. Ryan Gosling entrega um Neil contemplativo e focado no trabalho, muitas vezes é difícil saber o que está passando em sua mente, mas cada vez vai ficando mais claro qual é o seu objetivo final. Mas a personalidade apática criada por Gosling acaba deixando o personagem pouco carismático e desinteressante em certos momentos, é fácil entender sua dor, mas ele não consegue manter o filme sozinho, sempre precisando de outros personagens em cena.

Já Claire Foy traz uma Janet preocupada tanto com a vida do marido quanto com sua relação com os filhos. A personagem é o elo mais emocional e humano de todo o filme e com certeza terá pelo menos uma indicação ao Oscar. A relação dos dois é intimista e nunca brega, mas você consegue ver a conexão e respeito que existe entre os dois.

No quesito técnico o filme é impecável, as cenas de viagem espacial são claustrofóbicas e assustadoras, a fotografia sempre mostra muito pouco ou quase nada do que está acontecendo, nos fazendo ficar na pele de Armstrong e seus colegas. Mesmo nas cenas de diálogo, a fotografia sempre está muito fechada e focando nas expressões dos personagens, para passar a ideia dos shuttles apertados em que os astronautas viajavam. O longa ainda possui um granulado e câmeras de mão, o que dá um ar de documentário na obra.

Em conexão com essa fotografia claustrofóbica e assustadora, o som acaba sendo também um ótimo personagem do filme. As cenas de viagem espacial possuem um som ensurdecedor e monstruoso que preenchem a cena. A viagem espacial é tratada como um monstro, um grande desafio assustador e assassino que mata várias pessoas durante a obra. Existe até mesmo um questionamento de o porquê continuar com aquilo, porque tanta gente morrer e tanto dinheiro gasto nessa corrida espacial. Infelizmente o filme não foca em nenhum desses pontos.

Acredito que o ponto mais problemático da obra é o roteiro. É óbvio que o filme foca muito mais no lado humano de Neil, mas acaba deixando de lado explicar o que está acontecendo na tela, aqueles que não estão acostumados da história da exploração espacial ficam confusos com termos e as diversas missões e testes que acontecem. A critica social colocada de leve com uma cena musical bem legal também é pouco explorada, fazendo com que o filme tenha um problema de foco. Por falar em som, a trilha sonora tem uns temas legais mas em alguns momentos parece querer pegar o protagonismo do filme, talvez por orientação de Chazelle, um diretor bem musical.

O Primeiro Homem foca em um aspecto diferente da exploração espacial, prefere viajar para o interior de um homem que pisou onde ninguém tinha pisado antes. A parte técnica do filme e as atuações estão ótimas, mas o filme acaba tendo um problema de foco em sobre o que ele quer falar em alguns momentos. É um filmaço para ser visto na melhor tela e com o melhor som que você conseguir.