Um terror bem humorado, com sustos previsíveis e um elenco incrível

Quando Invocação do Mal chegou aos cinemas pelas mãos de James Wan, gerou um renascimento para o gênero de terror, dando impulso para novos projetos do tipo serem desenvolvidos. Com essa renovação, a Warner apostou na criação de um universo compartilhado da franquia e surgiu o “The Conjuring Universe”. A ideia deu certo, e A Freira é o novo capítulo dessa história, aprofundando mais da mitologia dos filmes, apresentando novo personagens carismáticos e uma boa direção.

Dirigido por Corin Hardy, a trama se passa durante a década de 1950, e começa quando o jovem entregador Frenchie (Jonas Bloquet) encontra uma freira enforcada em frente de um velho convento. O Vaticano fica sabendo do que aconteceu e nomeia o Padre Burke (Demián Bichir) para fazer uma investigação, com auxílio da noviça Irene (Taissa Farmiga), para determinar se o local ainda poderia ser considerado sagrado. O trio acaba entrando no meio de uma luta espiritual envolvendo o demônio Valak, e precisam achar um meio de derrotá-lo.

Os fãs do gênero podem acabar se decepcionando um pouco, já que “O Capítulo mais Tenebroso da Franquia”, como A Freira é vendido, não é tão assustador assim, pelo contrário, ele possui alguns momentos engraçados, a maioria surgindo do personagem Frenchie, o que deixa o filme mais leve. Os sustos estão presentes (os famosos “jumpscares”) em escala menor e previsíveis, nada realmente novo, mas que funcionam de certa maneira. O roteiro de Gary Dauberman também não tem nada de inovador, é mais do mesmo do que já vimos nos filmes anteriores, conseguimos até adivinhar algumas das cenas antes mesmo de acontecerem. A expansão da mitologia do demônio Valak deixa a desejar, apesar de vermos algumas coisas inéditas, não são oferecidas grandes informações sobre a entidade. A figura da Freira é assustadora, e não se restringe a apenas uma, o que envolve algumas das melhores cenas do filme quando próximo ao seu fim.

O castelo na Romênia é uma mudança de cenário que beneficia o filme, e um dos pontos altos da trama, trazendo um ar dos clássicos de terror agradável, explorando bastante a fotografia e a trilha sonora gerando um certo nível de nervoso que deixa o espectador envolto no clima de suspense. A direção de Corin Hardy não é inteiramente perfeita, além de errar a mão nos sustos previsíveis, mas que pelo menos não são jogados na tela de forma gratuita, também falha em alguns pontos da fotografia, escurecendo a tela em alguns momentos que podem acabar atrapalhando a experiência.

O que realmente enche os olhos ao assistir A Freira é o seu elenco. Taissa Farmiga está incrivelmente sensacional no papel da noviça Irene e entrega uma atuação brilhante, de dar inveja pela sua carga dramática e personalidade forte, muito diferente de personagens clichês de outros filmes. Jonas Bloquet é uma excelente surpresa, é ele quem inclui um pouco de humor na trama, que é muito bem vinda já que esse capítulo da franquia funciona como uma experimentação de elementos que acabaram dando certo, e podem ser aplicados em outros produtos do universo. Já Demián Bichir não entrega uma atuação tão satisfatória quanto os demais, mas acaba funcionando muito bem quando o trio está junto.

A Freira é o episódio mais bem humorado do universo de Invocação do Mal, com surpresas guardadas até o momento final que entregam uma boa experiência de terror clássico leve. Fora o roteiro nada brilhante, a história tem bons mistérios que agradam, com experimentações e que ao mesmo tempo se mantém na zona de conforto, porém ganhando uma identidade própria para chamar de sua. Easter-eggs da franquia principal também estão presentes, mas nada grandioso. O resultado é um bom filme de terror, não tão tenebroso como prometido, mas que não compromete a experiência final.