Hoje é praticamente impossível imaginar Berserk sem o Eclipse. O arco é amplamente reconhecido como o momento mais impactante da obra criada por Kentaro Miura, responsável por transformar uma história de fantasia sombria em uma narrativa sobre trauma, destino e as consequências da ambição humana. No entanto, uma revelação recente mostra que o próprio autor chegou a questionar se aquela história deveria existir.
A informação surgiu por meio de uma entrevista concedida à Sabukaru por Akira Shimada, ex-editor e atual responsável pelos direitos autorais da obra de Miura. Segundo ele, o mangaká demonstrou dúvidas sobre a decisão de publicar a queda definitiva de Griffith durante o Eclipse, indicando que esse foi um dos períodos mais difíceis de todo o processo criativo de Berserk. Via FandomWire.

Kentaro Miura acreditava que o Eclipse poderia ter ido longe demais
Shimada explicou que Miura raramente enfrentava dificuldades para desenhar ou desenvolver storyboards. O Eclipse, porém, foi uma exceção.
De acordo com o ex-editor, o criador de Berserk chegou a pedir que a história envolvendo a descida de Griffith ao mundo etéreo fosse cancelada depois de já ter sido publicada na revista. Para Shimada, essa reação demonstra o peso emocional que o arco carregava para seu autor.
A revelação ajuda a entender por que o Eclipse se diferencia de outros momentos violentos do mangá. O impacto não está apenas na brutalidade das cenas, mas no fato de que o evento destrói, em poucos capítulos, tudo aquilo que os leitores acompanharam ao longo do Arco da Era de Ouro.

O que é o Eclipse em Berserk?
O Eclipse acontece quando Griffith, após anos perseguindo o sonho de construir seu próprio reino, ativa o Beherit Carmesim e aceita a proposta da Mão de Deus.
Em troca de um novo poder, ele sacrifica todos os integrantes do Bando do Falcão, grupo formado por companheiros que dedicaram suas vidas ao seu objetivo. O ritual abre as portas para a chegada dos apóstolos, criaturas que iniciam um massacre contra os soldados.
Enquanto seus aliados são mortos, Guts tenta desesperadamente alcançar Griffith para impedir sua transformação. Porém, o antigo líder já havia tomado sua decisão.
Ao final do ritual, Griffith abandona sua humanidade e renasce como Femto, o quinto integrante da Mão de Deus.
Como o Eclipse mudou a trajetória de Berserk
A partir desse momento, Berserk deixa de ser uma história sobre ascensão militar e amizade para se tornar uma narrativa sobre sobrevivência.
Guts sai do Eclipse profundamente transformado, tanto física quanto emocionalmente. Durante o evento, ele perde um braço e um olho, além de testemunhar a destruição completa de tudo aquilo que construiu.
Casca também sofre consequências permanentes, desenvolvendo um colapso mental que passa a definir boa parte dos arcos seguintes.
Já Griffith abandona sua condição humana e assume um papel quase divino dentro da história.
Essa ruptura estabelece os temas que passariam a acompanhar a obra até seus capítulos mais recentes: o enfrentamento do trauma, a luta contra a causalidade e a tentativa de preservar a humanidade diante do sofrimento.

O arco que Kentaro Miura temia se tornou seu maior legado
A declaração de Akira Shimada ajuda a entender a dimensão do Eclipse dentro da carreira de Kentaro Miura. O arco que o autor aparentemente acreditava ter ultrapassado certos limites acabou se tornando o elemento que consolidou Berserk como uma das obras mais influentes da história dos mangás.
Mais do que um capítulo marcado pela violência, o Eclipse se transformou em um divisor de águas narrativo. Foi o momento que redefiniu seus personagens e estabeleceu a identidade definitiva da série.
Paradoxalmente, a história que mais atormentou Miura durante sua criação acabou se tornando a principal responsável por eternizar seu legado junto aos leitores do mundo inteiro.