Diego Barbarossa

6 nov, 2020

Animes e Mangás

Com ritmo apressado, The God of High School apresenta uma história confusa, mas bem produzida

The God of High School é uma das produções mais aguardadas do ano por três motivos: é uma animação original da Crunchyroll, adapta um dos manhwa/webtoon coreano bastante conhecido e, por último (mas não menos importante), foi produzida pelo estúdio MAPPA – que possui um belo currículo com Yuri on Ice, Banana Fish, Dorohedoro, entre outros – além de estar por trás do novo querido Jujutsu Kaisen, por exemplo.

A primeira temporada, apesar de ter um ótimo trabalho por parte do estúdio MAPPA junto ao Sola Entertainment (Ultraman e Ghost in the Shell: SAC 2045, produções Netflix), e, principalmente, pela condução geral de Sunghoo Park, trouxe diversos diretores em seus episódios para garantir que, mesmo com o cronograma apertado, a qualidade da animação junto ao pequeno grupo de trabalho (staff) não prejudicasse o andamento da animação final.

Focando na pancadaria e na estilização dos movimentos dos personagens, a produção agradou a muitos e deixou outros agoniados com o desenvolvimento – ou a falta dele - da história. O grande problema do anime foi tentar compilar mais de 1000 páginas da webtoon em apenas 13 episódios de animação.

Por mais que a decisão da equipe tenha sido focar na diversão, trazendo uma produção caprichada, com a ótima trilha sonora de Arisa Okehazama e adequação de estilização do traço trabalhada de Manabu Akita - o mesmo de Kakegurui -, faltou um ingrediente primordial na adaptação: desenvolver a relação dos personagens e seus conflitos.

Os personagens, a mitologia e a história por trás do torneio – junto ao que Yongje Park, autor da obra, mostra com sua aproximação e apreciação às artes marciais –, poderiam ter dado todo o brilho a mais que a animação necessitava. O trio principal tem seu carisma. Jin Mori, Yoo Mira e Han Daewi conseguem mostrar um pouco de sua relação, principalmente no quarto episódio em que vemos o desenvolvimento maior da amizade dos três que são (ou devem/deveriam ser) a liga para tudo que é apresentado.

Com muita coisa ainda para ser revelada, os dois ou três episódios finais são um show de coreografias e poderes que me faz pensar na maratona em que a produção estava. A confusão com os poderes e limites (se há algum?) junto à mitologia que a obra possui já tinham sido enviadas para escanteio, como se estivessem dizendo: na próxima temporada a gente trabalha mais isso, beleza?

No mais, a primeira temporada de The God of High School é okay, pois tem um grande potencial a ser trabalhado, especialmente com sua mitologia e personagens. É esperar e olhar quem estará por trás dos novos episódios, pedindo a Buda que nos presenteie com mais um espetáculo de pancadaria, só que trazendo uma história concisa por trás de tudo isso.

A primeira temporada do anime está disponível no streaming da Crunchyroll.

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