Diego Barbarossa

12 nov, 2020

Animes e Mangás

Com um belo potencial, Burn The Witch é a nova série de Tite Kubo.

Anunciado como uma história que se passa no mesmo mundo que Bleach, Burn The Witch já chega com bastante carga em cima de seus ombros. O autor da obra, Tite Kubo, havia publicado, lá em 2018, uma one-shot e logo ela se tornou uma série de mangás, que viria a ser publicada em agosto de 2020, e sua animação chegou em outubro.

Com a produção do Studio Colorido (Olhos de Gato), a animação chegou ao Brasil pela Crunchyroll não como um filme, como saiu no Japão, mas em uma serialização dividida em três episódios/partes. Na história, a estudante colegial Noel e a idol Ninny são bruxas que fazem parte de uma organização protetora da sociedade londrina dos "temíveis" dragões. Logo de cara, a história nos apresenta as regras que fazem parte deste lado do mundo, mostrando a Londres Reversa, uma realidade paralela da cidade inglesa em que somente os detentores da magia conseguem ir, e local onde encontramos todos os tipos de dragões e criaturas mágicas.

A direção de Tatsurou Kawano – que trabalhou tanto na animação como direção de Boruto e Psycho-Pass, além de conduzir todo o processo em Kanebari of the Iron Fortress -, junto da assistência de Yuji Shimizu (assistente em Olhos de Gato), trouxe toda a vida em cores e movimentação que Burn The Witch precisava, com fluidez na narrativa e condução estratégica no que abordar.

Os personagens, principalmente Noel, Ninny, Balgo e Bruno, são bastante interessantes. As duas bruxas são mulheres com ambições divergentes, convictas e fortes no que se propõem. É sempre bom ter esse tipo de personagem, mesmo que de uma forma clichê, presente nessas obras mais mainstream do universo dos animes e mangás. Mas para além disso, é necessário trabalhar estes personagens. Bruno, por exemplo, é um personagem que se mostra com mais de uma camada, principalmente, quando vemos um pouquinho mais de sua personalidade ao final da animação.

Uma das coisas que senti falta na abordagem do Studio Colorido foi a decisão de não mostrar a diversidade dos dragões, falando sobre suas características e como os magos e bruxas se utilizam deles naquela realidade. A variação, pelo o que é mostrada no mangá, é grande, indo de dragões voltados para a limpeza aos de transporte público, mas a falta disso não prejudica em nada a animação. Isso acontece, de forma rápida, no mangá, e acaba engrandecendo, ainda mais, àquele universo.

Com toda uma ambientação rica em detalhes e histórias que podem ser contadas, Burn The Witch apresenta magias que se parecem muito com as já vistas em Bleach, trazendo o traço característico de Kubo - além da referência clara mostrando que a Wing Bind é a Soul Society do ocidente, só que com características próprias.

O potencial que Burn The Witch possui, principalmente, com algumas pontas soltos no decorrer da(o) animação/mangá, como o aproveitamento de lendas e contos folclóricos e a exploração do passado dos personagens e da organização, eleva e cativa a curiosidade deixada pelo final. Apesar de ser uma animação curta, Tite Kubo já confirmou que o mangá voltará ainda em 2020, trazendo a serialização por "temporadas". Então, é possível que no próximo ano, outra animação - ou mesmo uma série em anime, seja lançada com base na obra.

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