Per Aspera Ad Astra (2026) Crítica e Fatos do filme de ficção científica da Netflix Per Aspera Ad Astra (2026) Crítica e Fatos do filme de ficção científica da Netflix

Per Aspera Ad Astra (2026) Crítica do Filme | Netflix

Ficção científica chinesa aposta no espetáculo visual para discutir tecnologia e sonhos

A ficção científica chinesa segue ampliando seu espaço no streaming, e Per Aspera Ad Astra, dirigido por Yan Han e disponível na Netflix, demonstra como o gênero pode combinar ação, humor e conceitos ambiciosos sem abrir mão do entretenimento. Ambientado em um futuro no qual longas viagens espaciais dependem de um sistema capaz de manter os passageiros em mundos oníricos durante a hibernação, o filme transforma uma premissa tecnológica em uma aventura que mistura suspense, comédia e reflexões sobre a relação da humanidade com suas próprias invenções. Confira a nossa crítica do sci-fi chinês.

A construção desse universo exige uma quantidade considerável de exposição nos primeiros minutos. O roteiro precisa explicar como funciona a LM Systems, empresa responsável pela tecnologia dos sonhos artificiais, e estabelecer as regras que governam a missão espacial. Embora essa introdução reduza o ritmo inicial, ela fornece as bases para que a narrativa possa explorar situações cada vez mais imprevisíveis quando os sistemas começam a falhar.

É nesse momento que a produção encontra sua identidade. O administrador Xu Tianbiao, interpretado por Dylan Wang, torna-se um protagonista improvável ao ser obrigado a invadir o universo onírico da capitã Li Simeng, vivida por Victoria Song, para impedir que uma falha coloque toda a missão em risco. A partir daí, realidade e sonho passam a se misturar em uma sucessão de cenários que desafiam a lógica e permitem que Yan Han experimente diferentes linguagens visuais.

O maior destaque de Per Aspera Ad Astra está justamente em sua direção de arte. A fotografia investe em contrastes entre ambientes tecnológicos e paisagens que parecem nascer da imaginação dos personagens, enquanto iluminação, texturas e efeitos digitais trabalham para transformar cada sequência em uma composição visual própria. Em vários momentos, o filme parece menos preocupado em seguir convenções da ficção científica tradicional e mais interessado em criar imagens capazes de transmitir sensações.

As influências são evidentes. Produções como A Origem, Matrix e Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo surgem como referências tanto na estética quanto na construção das cenas de ação. Ainda assim, Yan Han evita transformar essas inspirações em mera reprodução. O longa utiliza esses elementos para construir uma identidade própria, marcada pelo humor e pela constante quebra de expectativas.

O elenco também contribui para esse equilíbrio. Dylan Wang conduz o protagonista com leveza, funcionando como contraponto ao perfil disciplinado da capitã interpretada por Victoria Song. Já Duo Wang entrega a atuação mais versátil do filme ao viver Ge Yang, personagem que transita entre a aparente normalidade e um antagonista disposto a mergulhar no caos conforme a trama revela suas verdadeiras intenções.

Mesmo quando aposta em cenas grandiosas, Per Aspera Ad Astra não abandona completamente seu interesse pelos personagens. O roteiro utiliza a tecnologia dos sonhos para discutir confiança, identidade e dependência tecnológica, levantando questões sobre até que ponto sistemas criados para facilitar a vida também podem alterar a percepção da realidade.

Crítica do filme: vale à pena assistir Per Aspera Ad Astra na Netflix?

Nem todas essas ideias recebem o mesmo desenvolvimento. O desfecho opta por respostas relativamente previsíveis, enquanto parte das discussões levantadas ao longo da narrativa permanece em segundo plano diante da necessidade de manter o ritmo da aventura. Ainda assim, a produção encontra uma forma eficiente de equilibrar espetáculo visual e emoção.

Sem reinventar a ficção científica, Per Aspera Ad Astra entrega uma experiência que chama atenção pela criatividade estética e pela maneira como transforma seus mundos virtuais em parte da narrativa. O resultado é um filme que aposta na força das imagens para conduzir uma história sobre tecnologia, imaginação e o desejo humano de alcançar novos horizontes.