3ª temporada de Grace and Frankie mostra regularidade em alto nível da série Netflix

Como quem não quer nada, Grace and Frankie chegou ao catálogo Netflix há alguns anos surpreendendo bastante. Com uma estrutura bastante utilizada na TV estadunidense (comédia dramática), a série protagonizada por Jane Fonda e Lily Tomlin surpreendeu muito mais pela qualidade de cada elemento utilizado aliado a uma premissa interessantíssima: o que acontece na vida de duas mulheres, que, no auge da terceira idade, descobrem que seus maridos possuem um caso amoroso há décadas e agora decidiram se assumir (e se casar)?

Um produto inovador

Eis que a série fez sucesso e ganhou longevidade, com a terceira temporada chegando agora (24 de março) ao catálogo Netflix. A essa altura, Grace e Frankie decidiram empreender lançando no mercado um produto inovador: um vibrador voltado para a terceira idade. Para isso, elas precisarão conseguir um empréstimo, além de vencer a barreira do preconceito que um produto desses carrega. Isso sem contar problemas individuais de cada uma, sejam emocionais ou de saúde.

Após o término da segunda temporada (com o clima lá no alto), podemos dizer que Grace and Frankie manteve uma regularidade satisfatória nesse terceiro ano. Além do gancho para o novo empreendimento da dupla protagonista (vibrador para o público idoso), há novas subtramas interessantes que dão força e crescimento para a história em forma de unidade, como Robert (Martin Sheen) entrando para uma peça de teatro gay, Brianna (June Diane Raphael, com mais destaque) sendo ela mesma, Mallory (Brooklyn Decker) tentando criar “um bilhão de filhos” e Bud (Baron Vaughn) com uma namorada.

Dessa vez Lily Tomlin ganha mais destaque no roteiro, entregando uma Frankie aprofundada e com dilemas dignos de protagonista, privilégio que aparentemente ia sempre para Jane Fonda. É muito bom para a trama ver que Frankie pode ir além da riponga multirreligiosa, personagem perfeita e cômoda para alívio cômico. Claro que há também muito humor e cenas desconcertantes, como na cena onde as duas oferecem o vibrador para uma turma de mulheres religiosas ou mesmo quando as duas passam um episódio inteiro estiradas no chão com dor nas costas. Frankie and Grace tem um leque enorme de possibilidades, seja para o humor ou mesmo para o drama, e os criadores (Marta Kauffman, Howard J. Morris) conseguem dosar isso muito bem.

O ponto negativo talvez seja o tom mais triste na reta final. Há poucos momentos felizes nos últimos três episódios que destoam um pouco da regularidade supracitada, mas isso é apenas uma percepção em relação à dupla protagonista, que continuam seu disparate de personalidade de forma orgânica, visto em questões como posse de armas. No mais, há uma saudável rotatividade nos temas abordados e personagens carismáticos o suficiente que garantem a qualidade da série. E que venha a quarta temporada!

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