Como se não fosse polêmica em sua essência, The Young Pope estreia com os dois pés na porta

Tratar de religião não é algo simples, afinal, há diversas delas espalhadas pelos globo. Conciliar pessoas com suas crenças, discursos e fobias é, em muitas vezes, um exercício que demanda muita paciência e empatia para não cair em conflitos óbvios (alguns até violentos, infelizmente). Tente envolver ateus ou agnósticos nesse balaio, e você terá armado uma bomba de potencial incalculável.

The Young Pope, série recém chegada ao catálogo do Fox Premium (serviço de streaming da Fox), propõe uma hipótese bastante peculiar na linha do tempo do papado moderno, onde um jovem e charmoso estadunidense chamado Lenny Belardo (Jude Law) se torna o primeiro pontífice norte americano da história escolhido para liderar a Igreja Católica. A partir disso, temos toda a rotina do grande líder, assim como detalhes do que rola nos bastidores do Vaticano, aquele teco de terra restante de propriedade da igreja, que hoje opera como país soberano, habitado por nem mil pessoas.

Anticoncepcionais, aborto, masturbação, drogas, sexo apenas por prazer. Tudo isso é dito logo no discurso de abertura que, apesar de um sonho, representa muita coisa ao ser transportado para a tela de uma série, ao mesmo tempo que estabelece as ideias desse papa distópico para os católicos. Mas ainda há muito de realidade em The Young Pope, principalmente quando associado à política, que demanda diplomacia quase que em tempo integral, atributo que falta ao protagonista. Mas tudo tem um limite, mesmo para um papa que convence outro padre a revelar as confissões dos inimigos. Isso é muito bem ilustrado quando Lenny revela não acreditar em Deus.

A maior parte do que The Young Pope se propõe a mostrar é apoiada na figura carismática de Jude Law. O ator, que na sua carreira como galã já vive papéis de desprendimento em relação ao esteriótipo do pegador hétero, consegue rejuvenescer algumas décadas aqui ao entregar um Papa onde o que mais chama atenção é a pouca idade para o exercício da atividade. Nesse primeiro episódio assistido, ficamos com uma base suficientemente interessante do que esperar do personagem para o restante da temporada.

Mas não é apenas em Jude Law que reside o charme da série. A sempre excelente Diane Keaton está presente aqui, ainda tímida, mas com grande potencial para ser desenvolvida na narrativa. Assim como o Voiello (Silvio Orlando), esse já uma realidade, que faz o principal contraponto ao papa no Vaticano. Isso sem contar a figura de Michael Spencer (James Cromwell), que possui um relacionamento anterior com o protagonista muito interessante de conferir.

Sendo assim, podemos relacionar The Young Pope até com House of Cards, série de sucesso da Netflix que, por sua vez, mostra os bastidores da política estadunidense. O papa de Jude Law possui muito da visão de Frank Underwood (vivido e eternizado por Kevin Spacey), mas, principalmente, compartilha da frieza que vemos em Claire (Robin Wright). Não é sem motivos que alguns projetos, como The Vatican, não tenham saído do papel.

Quando tratamos da religião católica e seus bastidores, é preciso direcionar muito bem os retratos para que o expectador não seja pego pelo marasmo e desista de acompanhar. Aparentemente, The Young Pope conseguiu isso.

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