As duas últimas temporadas de The Flash não foram nada fáceis, colocando o Velocista Escarlate em situações embaraçosas que nem mesmo o homem mais rápido do mundo poderia escapar. Roteiros preguiçosos, ideias equivocadas e uma assustadora ausência de criatividade tomaram conta da série. O ápice foi alcançado no último ano, que conseguiu sufocar até os resquícios de qualidade. Mas ao final de The Flash Reborn, primeiro episódio do quarto ano, as coisas parecem voltar aos trilhos.

Após seis meses dos acontecimentos da última temporada, Barry Allen (Grant Gustin) continua preso na Força de Aceleração. Agora acompanhamos como o Time Flash cuida das ruas de Central City e os perigos que não param se surgir já que a cidade perdeu seu grande símbolo. Wally (Keiynan Lonsdale) e Cisco (Carlos Valdes) são os agentes de campo, com Joe (Jesse L. Martin) dando suporte policial e Iris (Candice Patton) auxiliando dos computadores do Star Labs (parece que ela aprendeu muita coisa observando os gênios da equipe). O melhor desse novo cenário é observar como o “sacrifício” de Barry atingiu cada um de seus companheiros.

Ok, os sumiços do Flash não são nenhuma novidade. E mesmo não sendo nenhum segredo que ele retorna ainda no primeiro episódio, existe uma certa descrença pairando no ar. Iris precisa superar outro desencontro com seu amado, mas agora escolhendo uma nova atitude. Reprimindo sua tristeza ao máximo, resolve focar na continuação da missão. Sempre correndo, assim como Barry pediu no final da última temporada. E apesar do romance nunca engrenar, não dá pra ficar insensível diante do seu sofrimento. Cisco foi outro que precisou encarar algumas perdas nos últimos anos. Sua melhor amiga, seu irmão, uma paixão, seu “mentor” e seu melhor amigo. Ainda sim ele conserva o bom humor recheado de citações da cultura pop. E mesmo que seu plano de trazer Barry de volta seja um tanto egoísta, é impossível julgá-lo por isso.

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Caitlin (Danielle Panabaker) também retorna ao time. Nesses seis meses, ela manteve sua rotina bastante movimentada. Aparentemente se envolveu com o submundo da cidade, algo que deve ser explorado no futuro, enquanto luta para controlar sua versão Nevasca. A expectativa é que ela tenha mais desenvolvimento do que na última temporada. O retorno de Barry passou longe de ser triunfal, mas foi bem conduzido. Tudo bem que o plano é extremamente mirabolante, mas isso já é marca registrada de The Flash.

A grande sacada aqui foi não trazê-lo em sua melhor forma. Os meses preso na Força da Aceleração bagunçaram sua mente, ainda que tenham aumentado seus poderes. Porém, sua cura das pirações multidimensionais soou bastante artificial. Seu amor por Iris ter sido suficiente para tal mudança é uma ideia do mesmo nível das últimas temporadas. Prefiro acreditar que isso tenha mais peso ao longo da trama. Já que um dos temas desse primeiro episódio é justamente a fé, ainda conservo a minha de que os momentos risíveis ficaram no passado.

Mas o que salta aos olhos nesse primeiro episódio é a aposentadoria dos vilões velocistas. O trunfo do primeiro ano transformou-se no calcanhar de Aquiles das últimas temporadas. É impossível lembrar de Savitar sem embrulhar o estômago. Saem os músculos e entra o cérebro. O Pensador (vivido por Neil Sandilands, de The 100 e The Americans) é o responsável por importunar a vida do Flash. Nas HQ’s, Cliff Devoe era um homem de inteligência acima da média que decidiu lutar contra a bandidagem de Keystone City (a cidade de Jay Garrick). Em uma de suas versões, ele abandonou seu corpo moribundo e levou sua mente para a internet. Dando trabalho para a Liga da Justiça. Um oponente para lá de interessante. Até ouso chutar aqui que os símbolos desenhados por Barry tem alguma ligação com Cliff.

Após as decepções da última temporada, The Flash parece ter reencontrado seu caminho. Fica a esperança de que essa aparência se confirme e a série recupere seu fôlego de outrora. Um vilão super inteligente pode ser um bom sinal de que a mente dos roteiristas estará mais afiada esse ano.

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