Marcada por conseguir arrecadar dinheiro com personagens do segundo e até terceiro escalão, a Marvel sabe como explorar seu catálogo em produções para o cinema e especialmente para a TV. Além da longa parceria com a Netflix, a Casa das Ideias emplacou suas criações em outros canais como a Fox e agora em um novo serviço de streaming. Série original do Hulu, Runaways é focada em um desses grupos desconhecidos pelo grande público, mas que é facilmente vendido pelo selo Marvel que antecede seu título. Embora seja diferente do que estamos acostumados.

O que você faria se descobrisse que seus pais fazem parte de uma organização criminosa? E pior, os progenitores de seus melhores amigos também estão envolvidos nisso. Dentre todas as opções, fugir talvez seja a mais plausível. Essa é a trama de Runaways, Fugitivos em PT-BR, série baseada nos personagens criados pelo brilhante Brian K. Vaughan (Y: O Último Homem, Ex Machina, Os Leões de Bagdá, Paper Girls e Saga). Apesar da premissa simples, o conceito foi perfeitamente explorado por Vaughan nas páginas dos quadrinhos. Representando uma ótima exceção diante do cenário pouco criativo na hora de conceber novos heróis.

Embora seja complicado comparar mídias diferentes, Runaways não possui o mesmo charme em sua forma episódica. Ainda que Vaughan atue como consultor, é difícil replicar os melhores conceitos da HQ. Mas para ser justo, a série criada por Josh Schwartz e Stephanie Savage é bem sucedida em um aspecto importante: apresentar seus personagens. São quase 20 novos rostos, desconhecidos até mesmo para os leitores vorazes da Marvel. Personalidades e histórias diferentes, que precisam encontrar um equilíbrio. Por sorte, ou competência, os três episódios liberados pelo Hulu passam no teste. Mesmo que alguns se destaquem mais do que outros.

O grupo é formado por seis jovens: o líder e estrategista Alex Wilder (Rhenzy Feliz), Nico Minoru (Lyrica Okano) que é capaz de utilizar o Cajado do Absoluto que pertence a sua mãe, Karolina Dean (Virginia Gardner) uma alienígena com poderes à base de luz que são controlados por uma pulseira especial, a caçula da equipe Molly Hernandez (Allegra Acosta) que possui superforça, Chase Stein (Gregg Sulkin) que utiliza manoplas roubadas de seu pai e Gertrude Yorkes (Ariela Barer) que possui uma conexão telepática com um velociraptor geneticamente modificado conhecido como Alfazema. Juntos, eles precisam fugir de seus pais, que formam a organização Orgulho, na medida em que buscam meios para impedir seus planos.

Claro que algumas mudanças foram feitas durante a adaptação, como o fato do grupo ter se separado por anos após a morte de uma integrante e ter retomado o contato no mesmo dia em que realizam a fatídica descoberta. Além da tal fuga, que parece longe de acontecer. Os primeiros episódios preparam o terreno, dando aos seus protagonistas as ferramentas necessárias para encarar o inimigo. Ao mesmo tempo que situam o espectador num universo completamente novo.

Em sua essência, Runaways é uma série teen. Ou seja, carrega todos os clichês desse tipo de produção. Além de manter uma clara distância de todo o material já apresentado em outras séries de personagens da Marvel. Isso pode desagradar quem espera algo mais adulto, mas pode atrair todos que estão passando pela fase da vida em que enxergam os pais como grandes vilões. Doce ironia. Mesmo assim, não faltam momentos em que os pais brilham mais que os filhos, com todos os problemas e mistérios que cercam suas vidas.

Nas atuações, não existe nenhum grande destaque. Talvez seja muito cedo para alguém brilhar de verdade. Assim como os efeitos também não saltam aos olhos, com o orçamento claramente direcionado para elementos mais caros como as aparições do Alfazema e algumas demonstrações de poderes. Longe da qualidade da primeira temporada de Demolidor, Justiceiro, Legion ou The Gifted, Runaways ainda possui seu charme. Embora precise provar seu valor o quanto antes. Pelo menos está acima de Punho de Ferro e Inumanos, o que já pode ser considerado um grande alívio ¯\_(ツ)_/¯

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