Com base nos primeiros 4 episódios dessa nova temporada na Netflix, apontamos os maiores detalhes de Stranger Things 2 (spoilers a seguir)

Já faz mais de um ano que Stranger Things chegou arrebatando corações na Netflix. Com personagens pra lá de carismáticos, ambientação nos anos 1980 e fortíssimas referências à cultura pop dessa mesma época, a série criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer também passa bastante a sensação de estarmos vendo filmes clássicos dessa saudosa década como ET: O Extraterrestre, Goonies e It: A Coisa.

Posto isso, o maior desafio de Stranger Things na 2ª temporada (ou Stranger Things 2, como a Netflix está divulgando) é superar o fato de não ser mais uma novidade. A possibilidade de um programa desse porte cair de qualidade após o hype é muito grande. Nesse sentido, a série parece protegida o suficiente com seus inúmeros mistérios (e conseguentes teorias) para trabalhar.

A primeira cena de Stranger Things 2 não se parece nada com o que já vimos. Trata-se de uma sequência na cidade grande, com direito a perseguição e fuga concretizada com a ajuda de habilidades especiais, mas por uma personagem não mostrada até então. Em seu pulso, há a tatuagem do número “08”. Incrível, não?

É gratificante ver que os responsáveis pela série fizeram uma autoavaliação sobre o que deixou a desejar na primeira temporada, principalmente no caso de Barb (Shannon Purser). No segundo ano, as coisas que aconteceram envolvendo a amiga de Nancy (Natalia Dyerrepercutem de forma mais coerente na trama, mesmo que não tragam (pelo menos nos primeiros 4 episódios) a justiça prometida pelos criadores. O relacionamento de Nancy com Steve (Joe Keery) sofre uma pausa (ou término), assim como na primeira temporada, para que ocorra uma nova parceria entre ela e Jonathan (Charlie Heaton).

Stranger Things

Joyce (Winona Ryder) continua sendo aquela mãe que, de tão protetora e preocupada, passa a impressão de estar louca em diversos momentos, mas também é dado contornos diferentes para a personagem buscando uma solução para os problemas que aparecem de modo mais inteligente. Também pudera: Will (Noah Schnapp) anda tendo crises envolvendo o Mundo Invertido, onde eles não sabem ao certo se são lembranças do trauma que passou, ou se trata-se de um perigo iminente. Enquanto os episódios trabalham para desenvolver essa segunda hipótese, temos um grande ar de novidade, mesmo com os mesmos personagens, na interação de Will com sua família e amigos (algo praticamente inexistente na primeira temporada de Stranger Things). A adição de Sean Austin como Bob ao seu núcleo acrescentou bastante em qualidade (além da automática referência a Goonies, filme do qual participou há 30 anos)

Há diálogos poderosos também, principalmente entre Eleven (Millie Bobby Brown) e Hooper (David Harbour). O policial acolheu a garota em sua cabana, assumindo a responsabilidade de protegê-la e alimentá-la até que se torne seguro ela poder sair e reencontrar os amigos. Acontece que esse dia nunca chega, culminando na insubordinação de Eleven e diversos atritos. A interação entre os dois é uma das coisas mais interessantes a ser apontada nesses primeiros episódios. Jim não é o mais responsável dos protetores, enquanto Eleven é um verdadeiro diamante a ser lapidado, tanto no que diz respeito à sua personalidade quanto aos seus poderes. Já o personagem de Harbour possui toda a carga emocional por ter perdido sua filha há muitos anos.

Novos personagens dão as caras também, como Maxine (ou Max, vivida por Sadie Sink) e Billy (Dacre Montgomery). Porém, pouco sabemos sobre a origem dos dois, além do fato de que não são irmãos, mas possuem algum elo muito forte por algum motivo. A entrada de Max ao grupo dos garotos oferece boa dose de diversidade de gênero, além das piadas e ótima referência ao primeiro filme Mad Max, com Mel Gibson.

Referências é o que não falta. Algumas conversam de forma orgânica com a trama, como Os Caça-Fantasmas no segundo episódio, já outras estão lá apenas para quem gosta desse tipo de comunicação, como quando aparece propagandas de O Exterminador do Futuro.

A respeito da própria mitologia estabelecida, fica claro que os irmãos Duffer estão trabalhando afim de mirar as próximas temporadas da série, apesar de questões aparentemente pontuais envolvendo a criatura principal da primeira temporada (ou pelo menos sua espécie). Mora aí o perigo: está tudo muito mais divertido, engraçado e muitas vezes emotivo, mas a balança entre produto entregue e expectativa para o que há por vir às vezes pode determinar o fracasso ou sucesso de uma obra. Mas por enquanto, Stranger Things 2 está sensacional.

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