A dualidade entre um super-herói e sua identidade secreta é algo sempre presente nas HQ’s. A lista de personagens que já passaram por isso é enorme, tanto na Marvel quanto na DC Comics. Se a primeira temporada de Supergirl trabalhou a importância da imagem da Garota de Aço e a segunda focou em seus problemas como Kara Danvers, o primeiro episódio da terceira temporada promove o choque desses dois mundos. E vai direto no verdadeiro significado do que é ser um herói, ou heroína nesse caso.

Após os eventos da season finale do último ano, quando foi forçada a se separar de seu amado Mon-El, Kara/Supergirl precisa enfrentar as consequências de suas escolhas. E o processo não está sendo nada fácil. Tanto que agora ela assume um estilo workaholic, impedindo qualquer tipo de crime em National City. Tudo isso em detrimento de sua vida social. É a forma que ela encontrou de fugir da dor do coração partido, algo tipicamente humano.

No entanto, não existe nenhum segredo aqui: Supergirl só consegue ser completa quando está em harmonia com Kara Danvers. Melissa Benoist é muito mais heroica que a nova versão cinematográfica do seu primo. Tão importante quanto salvar o dia é fazer isso com um sorriso no rosto. Ser o verdadeiro símbolo da esperança. Algo que seu talento e carisma tornam fácil de executar. Por isso não incomoda tanto que esse problema interno seja resolvido ainda no primeiro episódio. É mais do que necessário. Até mesmo o término do romance água com açúcar ajuda nesse processo. Kara volta a ser protagonista de sua história, retomando sua riqueza narrativa.

O melhor nisso tudo é que sua jornada não ofusca o brilho dos coadjuvantes. Diferente das outras séries do Arrowverse, aqui eles possuem relevância longe do Quartel General. Alex Danvers (Chyler Leigh) e Maggie Sawyer (Floriana Lima), o casal mais interessante da trama, estão mais próximas do casamento. Cat Grant (Calista Flockhart), que faz muita falta em episódios regulares, agora é a secretária de imprensa da presidente dos EUA (ninguém menos que Lynda Carter), enquanto Jimmy Olsen (Mehcad Brooks) tenta se acostumar com sua rotina de chefe da CatCo. O que ainda incomoda um pouco é a figura de Lena Luthor (Katie McGrath). Apesar de sua importante amizade com Kara, falta um pouco da malícia dos Luthor. Uma certa dubiedade em suas ações daria uma dinâmica interessante para a personagem. Fica a dica.

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No time dos vilões temos a apresentação do canastrão Morgan Edge (Adrian Pasdar de Agents of SHIELD), que promete atrapalhar e muito a vida da Supergirl. Nas HQ’s, Edge é líder de um grupo de mafiosos; servo de Darkseid e dono de uma empresa de comunicações que chegou a comprar o Planeta Diário. Aqui, ele possui envolvimento com criminosos e até mesmo orquestrou um plano para comprar a CatCo, o que não deu muito certo. Só é devaneio imaginar sua ligação com Darkseid, mas alguma aliança entre malfeitores deve surgir.

Mas se Morgan atua nos bastidores, também vislumbramos quem vai trocar socos com a Supergirl: a monstruosa Reign. Nos Novos 52, ela foi a principal inimiga de Kara. Criada por Zor-El, a matadora de mundos é conhecida por ser a guerreira perfeita. Um desafio gigantesco para a protagonista, que mais do que nunca precisará estampar um sorriso no rosto diante do perigo.

Supergirl retorna em ótima forma, consertando alguns equívocos narrativos e investindo nos melhores elementos da série. É reconfortante saber que, mesmo que tudo dê errado, temos a Garota de Aço para nos proteger. Uma lição e tanto para um certo escoteiro de Metrópolis. Que até já confessou que jamais será tão forte quanto ela. Em vários sentidos. Quem sou eu para discordar ¯\_(ツ)_/¯

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