Diferente de Roanoke, Ryan Murphy e Brad Falchuk não enrolaram muito para divulgar o tema da nova temporada de American Horror Story. E logo de cara a escolha gerou discussões calorosas entre os fãs. Abordando o período da eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, American Horror Story: Cult brinca com o maior medo da sociedade moderna: a política. Ah, também existem palhaços. Só para variar um pouco ¯\_(ツ)_/¯

Mas ao término de Election Night, primeiro episódio da temporada, American Horror Story: Cult mostra que vai seguir um caminho muito mais sacana, deixando a obviedade um pouco de lado. Invocando uma das grandes características do terror, Ryan Murphy ironiza e ataca características risíveis da atual fase da população americana (e mundial). Esquerda, Direita, Democratas, Republicanos, todos saem feridos dessa estreia de temporada.

Os exageros ficam claros logo nos primeiros minutos do episódio. Ally (a polivalente Sarah Paulson) acompanha apreensiva os momentos decisivos da eleição. Quando Hillary joga a toalha e Trump faz seu discurso de vitória, ela grita e se desespera como se tudo ao seu redor entrasse em colapso. Em outro lugar, Kai (Evan Peters) acompanha com extrema empolgação o desenrolar da situação. Quando seu ídolo vence, ele extravasa um comportamento quase orgásmico. O roteiro, de forma inteligente, pinta os extremismos dos dois lados dessa moeda.

Election Night capricha no humor negro e nas críticas a toda essa baboseira de tratar política como torcida de times de futebol. Kai é o esteriótipo do que se enxerga de pior nos apoiadores de Trump, como se a vitória do nanico laranja desse vazão para qualquer tipo de comportamento socialmente inadequado. Já Ally é a sátira aos pró-Hillary, agindo como se o fim do mundo estivesse próximo. Existe uma dinâmica troca de papéis vilanescos aqui, ficando clara nas trilhas sonoras e paleta de cores de cada núcleo.

Sarah Paulson em cena de American Horror Story: Cult (Divulgação: FX).

Claro que existem boas doses de terror nesse episódio, porém indo no sentido oposto de outras temporadas da série. American Horror Story: Cult assume uma pegada mais parecida com Uma Noite de Crime: o terror urbano. Grandes locações dão espaço para ambientes mais familiares ao espectador. Grupos radicais, semelhantes aos que aterrorizaram a mídia mundial semanas atrás, assumem o manto de grandes ameaças e completam a referência a franquia moderna. Mascarados pregam discursos e ações contra imigrantes e homossexuais.

Esse realismo também abre espaço para um terror psicológico. Evocando clássicos de Polanski como O Bebê de Rosemary, O Inquilino e Repulsa ao Sexo, o roteiro mostra Ally enfrentando suas fobias e o confronto entre realidade e devaneio. Essas dúvidas recaem sobre o espectador, que também passa a questionar o quanto de tudo que foi mostrado realmente aconteceu. Se bem utilizado, tal recurso pode gerar cenas realmente perturbadoras. Não que palhaços com máscaras deformadas precisem de muito esforço para causar mal-estar em alguém.

No geral, American Horror Story: Cult entrega um poderoso primeiro episódio. Tratando com uma acidez efetiva temas como extremismo político, fobias e paranoias. Fica a expectativa para que essa abordagem evolua ao passar dos episódios, transformando a temporada em algo muito maior do que apenas críticas sociais fodas.

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