Primeira serie brasileira de humor da Netflix criada por Felipe Braga e produzida por Alice Braga, Samantha! acerta no tom nostálgico e cheio de referências aos loucos anos 80 da TV brasileira

Acaba de estrear no serviço de streaming Netflix mais uma produção nacional e, dessa vez, o humor é o foque da série junto com a nostalgia. Criada por Felipe Braga e produzida por Alice Braga, Samantha! aposta na nostalgia, atuações fluidas e competentes e os loucos anos 80 da TV aberta brasileira.

Com um ar muito semelhante ao filme de Daniel Rezende, Bingo, Samantha! brinca com os conceitos das celebridades televisas nacionais que sobrevoaram o período, rendendo assim um bom argumento que beira ao inusitado, mas quem viveu aquela época sabe muito bem que tudo era possível.

Somos apresentando à pequena Samantha, uma estrela mirim que viveu o apogeu de seu sucesso na televisão junto com a turminha Plimplom, e esse sucesso do passado foi estrondoso, rendendo shows lotados, músicas de sucesso, bonecas com direitos a lendas urbanas (será que tem uma faca na boneca da Samantha?) e parcerias com a nobreza da música popular brasileira.

Divulgação / Netflix

Mas o tempo não foi generoso para Samantha, que ao crescer, foi esquecida e deixada no limbo oitentista como tantos outros grandes sucessos dessa época. Ela cresceu, casou com um jogador de futebol que foi preso, teve dois lindos e carismáticos filhos, e acrescentou um acento de exclamação em seu nome, sendo agora chamada de “Samantha!”

“O importante é não deixar de acreditar”

Mas Samantha está esquecida, e ainda precisa lidar com o ex marido que acabou de sair da cadeia, e essa relação ainda é muito conturbada na vida do dois. “Há, mas lembra a menina fofinha, cantora e cheia de talento e luz?” Então, ela não é tão fofinha assim, na verdade, ela é bem endiabrada e cheia de si, onde a versão adulta não mudou tanto e a busca pela fama e volta aos holofotes é prioridade para ela.

Em seus 7 episódios com média de 35 minutos, a série consegue nos preencher de grandes momentos e muita nostalgia. Para uma criança dos anos 80 como eu, fica difícil não ligar Samantha a uma pequena cantora que fez muito sucesso nesta época, tendo direito a programa de TV, grandes shows e dupla com o Rei Roberto Carlos.

Para os aficionados em referencias, a série é um prato cheio, tem desde tocar o disco ao contrário e aparecer uma mensagem subliminar, cantor brasileiro que casou diversas vezes, mascotes que não fariam tanto sucesso hoje (mas na década de 80 era tudo normal), bonecas bizarras e a aparição de personalidades que fizeram muito sucesso nesta época, como a Luciana Vendramini e a dona da internet, Gretchen.

“Estão prontos para passar vergonha na TV aberta?”

O elenco mantém o excelente nível da série, nos trazendo momentos fantásticos de interação nonsense.

Divulgação / Netflix

Para o papel principal, a cantora e atriz Emanuelle Araújo mantém o tom de humor lá em cima, e mostra que pode ser muito plural em sua atuação. Douglas Silva, o Dadinho de Cidade de Deus, em uma personificação de ex jogador de futebol arrependido e viciado em catuaba, com a cara do Childish Gambino, agrega bastante para o humor do show. Os filhos do casal, Cindy (Sabrina Nonato) e Brandon (Cauã Gonçalves) formam uma dupla muito divertida e cheio de grandes momentos.

Ponto alto para os amantes da 9° arte de todo o Brasil, temos a participação de Daniel Furlan (Choque de Cultura) interpretando Marcinho, agente de Samantha! e um cara de pau impagável.

Ary França, o incorreto mascote Cigarrinho, apresenta um personagem extremamente importante para ligar Samantha! com seu passado e criar uma reunião muito inusitada.  A própria Alice Braga faz uma ponta na série, assim como Sabrina Sato Rodrigo Pandolfo.

Em um trama que faz o velho modo de fazer TV conversar com o novo, a internet e a importância dos antigos programas para os nossos dias, sem deixar a peteca do humor cair em nenhum momento, Samantha! é um deleite para os amantes de uma boa serie, que entrega tudo aquilo que estava em sua proposta: humor, nostalgia e a maluquice que era a TV nos anos 80.

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