Série criada pelos irmãos Duffer, Stranger Things retorna em 2017 com sua mais do que aguardada segunda temporada!

Após os fatídicos eventos que aconteceram na “pacata” cidade de Hawkins, Indiana, um ano se passou e tudo parecia estar normal no lugar e com as crianças. Mas as aparências enganam e tudo estava para começar a desabar outra vez. Desta vez, com nove episódios, a nova temporada de “Stranger Things” mantém seu nível enquanto maximiza para novos horizontes.

Não é segredo que obras dos anos oitenta nos cativam tanto por sua qualidade, pioneirismo em diversos aspectos, principalmente nos quesitos: aventura, terror e amizade. O que foi abordado na primeira temporada de “Stranger Things” já mostrava como isso era feito com maestria e esmero, trabalhando os clichês de formas inteligentes e atuais. Se o clichê não fosse clichê, é porque não seria bom. Novamente, nos encontramos com o padrão de carinho e trabalho.

A nova trama ainda parte do elemento sobrenatural presente neste universo: O Mundo Invertido. Basicamente, temos uma emulação do roteiro do primeiro arco da série. Mas isso não significa que ruim ou preguiçoso, como isso é abordado é que é o segredo. Até por conta que os rumos da história já deixam claro isso, ela não tenta ser mais do que é, é coesa e se sustenta por suas regras bem estabelecidas e responde só aquilo que deve responder. Desta vez, a narrativa opta por um modo mais lento de apresentar seu elementos, focando ainda mais nas relações interpessoais; reforçando-as, ampliando e agregando, deixando a ação e a dose de alta aventura mais para o clímax final de sua temporada.

O que mais foge à curva desta temporada, é o episódio de número sete. Ele destoa do restante e vai para a fora da zona de conforto e do que já havíamos sido situados. Faz parte de uma subtrama envolvendo a personagem Eleven (Millie Bobby Brown) e seu passado sombrio e desconhecido -Tal capítulo ainda confirma uma teoria feita por fãs na primeira temporada- Ainda sendo um ponto fora da curva, ele de certa forma soma ao todo, entretanto, é apressado e não torna o drama tão sensitivo e palpável, tal fator que é suprido pelo excelente trabalho de atuação de Millie. Mas é funcional.

O roteiro conta com dois acontecimentos principais envolvendo Dustin (Gaten Matarazzo) e Will Bayers (Noah Schnapp), acontecimentos esses que conversam muito bem entre si e se interligam na trama e sendo os seus principais alicerces. Vale um grande destaque para os dois, para Noah que conseguiu mostrar mais de Will e por fazer o espectador sentir o sofrimento e medo desesperador que é confrontar o desconhecido, e para Gaten que traz um Dustin ainda mais divertido e confiante. Todo o elenco dos garotos continua devoto aos seus respectivos personagens e evoluindo suas nuances. Mike Wheeler (Finn Wolfhard) demonstra certa rebeldia e raiva, emoções que são em decorrência dos eventos do último ano na pequena cidade. Ele e Will, são os que mostram que mais foram afetados por tudo o que houve.

Winona Ryder prossegue com seu magistral trabalho como Joyce Byers, ela possui um senso de urgência que sempre dá energia em cena, e parece nunca estar confortável com a situação, deixando sempre “uma pulga atrás de sua orelha“, sempre alerta. Com ela em cena, temos Bob (Sean Austin) que é seu namorado, existe um fator nostálgico presente, Austin interpretou Mikey Walsh em “Os Goonies“, uma das influências da série, vê-lo nessa onda anos oitenta novamente é com certeza um fator que soma e referencia muito bem. Ele cumpre função, não está jogado só para preencher tabela, é orgânico.

Por outro lado, há pouco espaço para algumas novas personalidades nesta segunda temporada. Max (Sadie Sink) e Billy (Dacre Montgomery) possuem pouco tempo de tela, principalmente Billy. Max “vira” parte do grupo dos garotos, mas embora isso aconteça, ela se desenvolve pouco, mas possui grande potencial numa vindoura terceira temporada. Billy é meio irmão de Max e é a figura arquétipo do bully, rebeldia é sua vida e seus idiomas principais são provocações e violência, este igualmente, também pode ter um desenrolar interessante se bem aproveitado.

Algumas interações bem inesperadas aconteceram e são deveras orgânicas e bem divertidas, gerando bons diálogos, alívios cômicos e aventura. Steve Harrington (Joey Keery) e Dustin desenvolvem uma partner party e o que poderia ser algo sem qualquer química, mostra mais uma vez o poder de um elenco bem selecionado e de personagens bem estruturados, entendo que o bem maior supera as grandes diferenças.

Jim Hopper (David Harbour) e Eleven possuem um relacionamento paterno, dando espaço para a narrativa inserir flashbacks do que ocorreu entre a primeira e segunda temporada. Todas as cenas no passado vem em prol da história e não se torna cansativo, sabendo quando parar e deixar o futuro continuar.

O vilão dessa vez, o chamado “Mind Flayer” ou “Esfolador de Mentes“, mais um monstro de D&D, é uma incógnita por boa parte da trama, não sabemos seu nome. O que nos mostra é o que ele pode fazer, suas habilidades, não de forma expositiva, mas com acontecimentos ao redor de Hawkins. O clímax final, no nono episódio, é menos ação do que o clímax de sua temporada anterior, mas não significando que isso torne pior, as vezes o menos é mais e “Stranger Things” entende isso muito bem. E os dez minutos finais de episódio é mais uma ode a tudo que faz parte dos filmes oitentistas, bailes, os amores, a dança e tudo que mais que tiver direito.

Destaque grande para a trilha sonora, que conta ainda com os famosos 80’s synthwaves e ainda músicas bastante conhecidas por estarem em filmes e baladas da época. Devo – Whip It, Paul Engemann – Push it to the limit, Ghostbusters – Theme, A-ha. A fotografia também melhora e realça os perigos e situações de tensão com o uso de um neon roxo e vermelho muito intenso, principalmente o vermelho em seu final, um paralelo quase com o inferno.

Uma vindoura terceira temporada é iminente, devido aos eventos finais da trama. “Stranger Things 2” diverte ainda mais e maximiza para novos horizontes na Netflix.

 

 

 

 

 

 

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