Após pegar todo mundo de surpresa ano passado, Caçadores de Trolls transformou-se em uma das animações mais queridas da Netflix. O projeto desenvolvido por Guillermo Del Toro, baseado no livro escrito por ele e por Daniel Kraus, logo foi agraciado com uma base entusiasmada de fãs. Dessa forma, a segunda parte das aventuras de Jim e seus amigos ganhou contornos ainda mais importantes, com a expectativa atingindo níveis altíssimos. Por sorte, ou melhor, por competência dos envolvidos toda essa espera foi recompensada.

No último episódio da Parte 1, Jim resolveu enfrentar o vilão Gunmar em seu exílio nas Terras Sombrias. Ao mesmo tempo em que executava uma missão de resgate do irmão mais novo de Clara. O ato heroico, porém impulsivo, deixou toda a Arcadia desprotegida e colocou um peso maior nos ombros do resto da equipe. É desse ponto que Caçadores de Trolls – Parte 2 começa. Clara e Domzalski precisam camuflar o sumiço de Jim enquanto protegem o Mercado Troll com o auxílio de Blinky. Porém, é impossível manter essa condição por mais tempo e o retorno de Jim torna-se algo crucial.

É nesse aspecto que reside o grande acerto dos novos episódios. Não existe vitória fácil e cada ação gera uma reação devastadora. Contrariando o que muitos pensavam, Jim não chega nas terras sombrias como um herói invencível. Apesar de ainda não contar com todas as forças, Gunmar é uma barreira que o jovem herói não pode vencer apenas com força de vontade. Por isso, rasteja entre cavernas na esperança de concluir sua missão dupla. Nem mesmo a nova armadura, que em outras obras representaria um upgrade em suas habilidades, consegue equilibrar as coisas.

Jim corre perigo em Caçadores de Trolls – Parte 2. Divulgação: Netflix.

Já no Mercado Troll, as mentiras para acobertar o sumiço do Caçador de Trolls já não funcionam mais. Por isso a equipe decide bolar um mirabolante e arriscado plano de resgate. Que apesar de bem sucedido, não escapa das reações catastróficas. E mesmo com toda a emoção em seu retorno, é interessante como o roteiro trata de deixar algumas farpas na relação entre Jim e seus amigos. Pena que é algo facilmente contornado, impedindo assim o desenvolvimento de aspectos mais interessantes.

Outro elemento abordado ao longo dos episódios é o egoísmo. Todos que foram ajudados por Jim agora o julgam e pedem sua cabeça em uma bandeja de prata. Até mesmo o protagonista experimenta do sentimento quando vislumbra sua vida sem as responsabilidades impostas pelo amuleto. Culpa, decepção, traição, amor, desespero, comprometimento e muitos outros temas são destrinchados ao longo dos 13 episódios. Algo importante se levarmos em conta que Caçadores de Trolls é, em sua essência, algo voltado para o público infanto-juvenil.

Nos quesitos técnicos, a animação mantém seu padrão de qualidade. O trabalho da DreamWorks Animation continua impecável, rendendo algumas das cenas mais bonitas do ano. A dublagem original também continua em alto nível, encabeçada por nomes como Anton Yelchin (em sua última contribuição antes do trágico acidente que tirou sua vida), Charlie Saxton, Lexi Medrano, Kelsey Grammer, Steven Yeun e com o acréscimo de luxo de Mark Hamill. Palmas também para Del Toro, que mantém sua marca registrada ao compor os elementos das Terras Sombrias, das novas criaturas que surgem e da beleza do Mercado Troll.

Caçadores de Trolls – Parte 2 é uma ótima continuação ao mesmo tempo em que estabelece um futuro promissor para a franquia. Que a magia de Guillermo Del Toro continue a serviço da Netflix por muito tempo. Todos nós ganhamos com isso.

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