Episódio dirigido por Jodie Foster tem bons conceitos mas peca na execução.

A quarta temporada de Black Mirror continua utilizando conceitos já apresentados em episódios anteriores para histórias completamente novas. Em Arkangel vemos o conceito do grão apresentando em “The Entire Story of You” sendo usado em um novo contexto, no caso de mãe e filha. Esse review contém Spoilers.

O episódio dirigido por Jodie Foster traz uma mãe super-protetora que instala um chip na filha controlado por um aplicativo. Nesse app ela pode ver o que a filha vê e checar os sinais vitais e emocionais da mesma. A história se complica quando esse programa começa a influenciar a vida das duas de forma negativa.

uma medica colocando um chip na cabeça da criança e a mãee olhando

Não dá para negar que o episódio é, infelizmente, um dos mais fracos da série. Mas como eu sempre gosto de dizer, até os episódios fracos de Black Mirror ainda estão acima da média. O problema aqui é que eles repetem muito das discussões já apresentadas muito bem no episódio anterior já citado, somente colocando em um novo contexto.

A direção de Jodie Foster é precisa e funciona bem com a trama, temos aqui um drama familiar clássico e intimista onde não existe certo ou errado. A mãe tem seus motivos para ser protetora e também é claramente crível a raiva da filha ao descobrir que está sendo observada sem o seu consentimento. A fotografia acinzentada do episódio e seu ritmo lento remetem a filmes mais cult do cinema europeu e dão um ar realista para a história.

a mãe do episódio olhando preocupada para o lado

Apesar de muitos conceitos batidos, existe um que eu gostei bastante e que fiquei incomodado por não ter ido para frente. Ao ser privada de ver violência e outros conteúdos impróprios por um filtro no seu implante, a garota quando nova começa a ter comportamentos meio psicopatas por não entender muito bem as consequências da violência. Infelizmente essa ideia é deixada de lado e não justifica a agressão dela para com a mãe no final do episódio, visto que essa ideia foi deixada de lado por grande parte da trama.

Eu, como um rapaz que foi criado bem preso por uma mãe coruja, entendo os dramas do episódio, mas acho eles muito fracos e desinteressantes, deixando bem aquém de outros episódios da série. A história parece não saber terminar, colocando um confronto de mãe e filha e logo depois terminando deixando uma fuga em aberto, nada muito criativo. A lição de moral aqui é ser menos protetor, pois o filho criado preso acaba querendo voar mais alto do que pode por não entender os riscos.

a criança sendo empurrada no balançador

Arkangel consegue trazer um conceito muito interessante e já conversado na série, mas infelizmente não consegue utilizar bem essa ideia, entregando um episódio mediano somente. Esses episódios que trazem a tecnologia de forma intimista com problemas pessoas não são ruins, mas realmente ficou faltando algo aqui.

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