E vamos à segunda matéria da série “Como é ser cosplayer?” Os entrevistados de hoje são a Tamis Dória e o Iuri Nunes. Ambos moram em Aracaju-SE e são cosplayers há um bom tempo! Confira, na íntegra, as experiências deles nesse universo tão apaixonante:

INÍCIO NO MUNDO COSPLAY

Tamis Dória – Não tenho certeza do ano, mas meu primeiro cosplay foi entre 2012 e 2013, foi no primeiro evento de anime que aconteceu aqui na minha cidade. Foram dois dias de evento, no primeiro dia tinham vários cosplayers, mas só fui de cosplay no segundo dia. Fui de zumbi da série The Walking Dead, fiz a maquiagem, rasguei uma roupa e fui. Foi a coisa mais legal do mundo! Todo mundo queria uma foto comigo, me senti muito famosinha rsrsrs.

Iuri Nunes – Desde cedo eu participava de eventos de anime e HQ’s, na época não existia a terminologia ‘Nerd’ nem rótulos, no máximo se chamavam Otakus os fãs de anime. Os eventos eram bem amadores, organizados basicamente pra reunirem as pessoas com mesmo hobby ou gostos e a entrada quase sempre era franca ou entregando 1Kg de alimento. Foi neles que tive o meu primeiro contato com cosplayers, quase todos amadores. A curiosidade de fazer as roupas dos personagens de games e animes, e até mesmo HQ, ser “uma outra pessoa” por algumas horas, brincar um pouco e fugir por algumas horas da realidade me levaram ao universo cosplay. Meu primeiro cosplay foi melhor do que eu esperava, na época haviam poucos cosplayers na cidade, fiz o cosplay de Inuyasha junto com minha namorada na época que interpretou a Kagome. Nunca pensei que faria tanto sucesso no evento, era difícil até de andar, as pessoas sempre paravam para pedir fotos, algumas até mesmo no auge da brincadeira pediam autógrafos. O anime na época estava fazendo muito sucesso no Brasil.

PRINCIPAIS DIFICULDADES

Tamis Dória – Por morar em um lugar pequeno, cosplay ainda é visto com olhos meio tortos, mas isso a gente tira de letra. O que pesa mais é dinheiro mesmo, pra quem não costura e não confecciona os itens do personagem, já sofre com o preço caro de cosmakers. Eu não costuro, então mando fazer a roupa, mas pra mim até hoje foi tranquilo porque tenho uma prima que me ajuda com as roupas, e eu mesma confecciono os itens, é o que mais demora na confecção, os itens a parte. O cosplay da malévola, por exemplo, eu demorei 5 dias pra produzir os chifres, e usei materiais simples como jornal e fita isolante. Então é preciso tempo para produzir o cosplay.

Iuri Nunes – Sempre que penso em algum novo cosplay eu esbarro muitas vezes no material. Muito caros aqui no Brasil, mesmo cosplays simples tem um custo relativamente alto para a confecção. Perucas, botas de couro, e alguns acessórios como espadas que ajudam a deixar a indumentária mais próxima possível do personagem tem valores bastante altos. Mesmo se encomendados a cosmakers profissionais. Eu particularmente, tento fazer eu mesmo o máximo de detalhes dos meus cosplays e ainda pretenso investir em um curso de corte e costura para produzir minhas roupas eu mesmo. Quanto a acessórios por morar em apto não tenho espaço para investir em ferramentas adequadas pra produção de algumas coisas, no final das contas recorro a cosmakers ou vídeos com tutoriais na internet pra coisas mais simples. Em cidades maiores fica mais fácil conseguir certos materiais pra se trabalhar e até com valores mais em conta, por aqui, muitas vezes se a gente não for criativo, tem que comprar fora do estado e aguardar a chegada o que encarece ainda mais a produção.

ESCOLHA DOS PERSONAGENS

Tamis Dória – Sempre busco personagens que gosto ou me identifico, não adianta querer fazer um cosplay só porque acha a roupa bonita ou tá na moda e todo mundo tá fazendo, tem que gostar do personagem já que vai incorporá-lo.  Até hoje já fiz, zumbi de The Walking Dead, Malévola(que foi a que mais usei) ,Freddy Krueger e Mia Wallace de Pulp Fiction, essa foi a última que fiz na comic con.

Iuri Nunes – Sempre busco personagens que eu me identifico, ou admiro de alguma forma algum traço da personalidade que gostaria de ter. Sempre temos aquele personagem que temos um carinho especial e que gostaríamos de ser como ele. É assim o meu processo de escolha.

PRÓXIMOS PROJETOS

Tamis Dória – Já comecei o projeto da Arlequina clássica, mas ficou meio parado porque coisas acontecem na vida que atrasam também, mas é ela quem eu pretendo fazer em um curto espaço de tempo. Mais pra frente, pretendo fazer a Cammy do Street Figther, e a Vampira do X-men dos anos 90. Tem muitos outros, mas por enquanto, são esses os mais próximos.

Iuri Nunes – No momento está em andamento o cosplay do Mihawk – Olhos de Falcão do anime/mangá ‘One Piece’. Junto a um cosmaker que conheci, entreguei as medidas pra confecção da espada em tamanho natural e proporcional ao personagem, a espada tem pouco mais de 1,80 m e a roupa está na costureira, breve pronta para a segunda prova. Ainda pra o começo do ano que vem pretendo fazer o cosplay do Dr. Estranho, um dos meus personagens favoritos da Marvel.

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