Nova Doctor Who expõe machismo, mas também maturidade do mundo nerd

Sou extremamente fã do Luide ─ colaborador de sites como Amigos do Fórum e Não Salvo ─ e apesar de saber que muitas das coisas que ele fala são irônicas, preciso concordar com suas críticas ao meio nerd moderno. No geral, somos chatos. Odiamos que mudem qualquer vírgula daquele programa, série, filme ou quadrinho que amamos. É bizarra e assustadora a forma como o conservadorismo está presente nesse grupo com tanto acesso ao conhecimento – o que pode provar que informação não é tudo, quando estamos cercados por uma sociedade doente, mas esse é assunto para outro texto.

Hoje vou me ater a falar sobre algo que também balançou o mundo nerd nessa semana. Depois da volta de Game of Thrones e morte de George Romero, ─ que foi homenageado aqui no site pelo querido Charles ─ Doctor Who também conseguiu um lugar nos holofotes ao anunciar que o substituto de Peter Capaldi será uma mulher. Sim, teremos uma Doctor na nova temporada da série.

Li comentários de que isso estragaria a série, mas fiquei aliviada ao perceber que a maioria pareceu não se importar tanto, apontando que o importante é a personalidade e carisma do doutor, ou seja, o que importa é se a atriz fará bem seu trabalho, independente de qual seja seu gênero. Mas a parte mais conservadora pareceu se incomodar, então vamos entrar na Tardis e voltar no tempo para relembrar alguns pontos importantes.

Essa não é a primeira vez que o Doctor se regenera como uma mulher. Como bem foi lembrado por Ana Caroline Leonardi da Super Interessante, em 1999 houve uma espécie de especial-paródia de Doctor Who, onde uma mulher representou o personagem, mas o roteiro deixou muito a desejar. A Doctor entrou em cena apenas para protagonizar romances e reforçar esteriótipos, mas na época ninguém reclamou porque o papel não incomodou.

Percebo atualmente uma necessidade de criticar tudo o que se considere “politicamente correto”, todo e qualquer espaço dado para mulheres é acusado de estar tentando agradar a todos. Afinal, por quais motivos Jodie Whittaker, com 12 anos de uma carreira promissora e muitas indicações, seria escolhida apenas por seu talento? O problema é que os fãs conservadores não percebem como a inflexibilidade atrapalha o andamento e sucesso de qualquer programa de televisão.

Doctor Who já é uma série velha, com mais de 50 anos de história e precisa se renovar! Nada mais justo do que fazer isso se adequando a sua época, onde mulheres e negros vem ganhando cada vez mais espaço. Quando colocamos todas as cartas na mesa, fica claro que o “conservadorismo” e preocupação com a qualidade da série é só mais uma desculpa para reforçar discursos machistas. É triste ler isso e talvez eu receba muitas respostas negativas, mas faço um apelo: precisamos parar de ser chatos!

Em suma, torço para que Jodie faça um bom papel e que a nova temporada possa trazer os ares de renovação que Doctor Who tanto precisa. Mudanças são sempre alvo de críticas, mas tenho certeza de que a polêmica ajudou a trazer mais expectadores pra série, mostrando que o segredo de 50 anos de sucesso têm sido sua capacidade de renovar histórias e realidades. Até a próxima!

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