Na Girl Space de hoje, Céfora Carvalho mostra que o feminismo não deveria ser apenas um discurso e sim um lifestyle

Durante dois finais de semana, tivemos o prazer de receber o Rock in Rio aqui na Cidade Maravilhosa, festival que traz grandes nomes da música de vários estilos musicais ─ motivo de polêmica e reclamação por parte dos rockeiros mais conservadores. Entre as atrações desse ano, tivemos a incrível Alicia Keys. A cantora tem sido um fôlego de R&B na cultura pop ─ e que fôlego! ─ sempre colocando canções do gênero nas paradas musicais. Com um show intimista e desprovido de muitas distrações como vídeos e efeitos em tela, Alicia chegou apenas com sua voz, piano e banda e deu uma verdadeira aula de música e empoderamento.

Tudo começa com seu estilo: box braids, extremamente representativas para o público negro e nada de maquiagem. Alicia defende que a maquiagem escondia quem ela realmente era e que toda mulher pode ser linda sem tudo isso. Desde então, tem adotado looks mais fresh e levantado fortemente a bandeira por uma beleza mais natural. Durante o show, a cantora convidou ao palco uma representante dos povos indígenas, dando espaço para que ela falasse contra as mudanças que querem aprovar em relação à Floresta Amazônica e também um grupo de funk e outro de pagode, características marcantes da cultura carioca que ainda sofrem muito preconceito por serem populares nas periferias.

As ações da cantora me fizeram refletir sobre o que é apoiar um movimento e uma ideologia. Apesar das discussões virtuais sobre o assunto serem importantes para a expansão do movimento, corremos o risco de nos acostumarmos a elas e cairmos na mesmice. Só o discurso não é o suficiente, precisamos agir! E Alicia mostra que a ação não precisa ser espalhafatosa. Não precisamos chocar ninguém para passar nossa mensagem, principalmente se nosso público é mais velho e simples.

Alicia não está sozinha e vem acompanhada de várias outras artistas que também têm mostrado atitudes cada vez mais inspiradoras. Para começar, posso citar Shailene Woodley, a estrela de Divergente e A Culpa é das Estrelas vive de forma bem hippie e já foi até presa por estar participando de um protesto. A atriz dá todo o seu dinheiro para os pais e mora de forma quase “nômade” na casa de amigos. O mais interessante é que Shailene não possui redes sociais e diz não ligar pra isso, diferente de muitos famosos, ela prefere agir sem se mostrar. Ela também é adepta da beleza natural e faz uso de produtos e técnicas nada industrializadas.

Outro grande exemplo é a cantora Meghan Trainor, depois do sucesso All About the Bass, onde ela valoriza as mulheres curvilíneas, a cantora lançou outros clipes. Um deles foi o da música Me Too, que logo foi retirado do ar a pedido da cantora. Segundo ela, havia muito photoshop em seu corpo para que parecesse magro e isso seria contra sua ideologia. Nossa eterna Hermione, Emma Watson também recusou padrões de beleza irreais e decidiu não usar corpete para o papel de Bela em A Bela e a Fera, exibindo uma cintura normal.

Por último, mas não menos importante, temos outros grandes ícones como Viola Davis, Beyoncé e Lupita Nyong´o que estão sempre evidenciando a causa negra contra o racismo e valorizando sua cultura de raiz africana através de ações. Com todos esses exemplos, espero ter mostrado que precisamos de menos “lacre” nas redes e mais ações no dia-a-dia. Pra quem nossos textões estão sendo direcionados? De que servem tantas curtidas se o movimento não chega às mulheres mais simples que realmente precisam dele? E o mais importante: estamos realmente dispostas a segurar o peso e sofrer as consequências de defender uma ideologia? Reflita e até a próxima!

P.S: A autora se inclui na reflexão e críticas aqui feitas.

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