O texto contém spoilers e foi baseado apenas nos acontecimentos da série Game of Thrones da HBO

Imagem de capa: Aleksandra Klepacka

Para o segundo texto do nosso especial, escolhi falar sobre uma personagem muito controversa: Cersei Lannister. Amada por alguns e odiada por outros, Cersei vem desde a primeira temporada mostrando uma personalidade ambiciosa e de muita fibra. Admito que será um desafio para mim escrever sobre a personagem, já que passei muito tempo odiando sua presença, mas foi um exercício interessante pensar Cersei enquanto exemplo de empoderamento.

Na primeira temporada Cersei é apresentada como a arrogante rainha de Robert Baratheon, que em segredo se relaciona com seu irmão gêmeo, pai de seus filhos. Sim, os contos de Nelson Rodrigues perdem feio para Game of Thrones. Um detalhe que me incomoda muito é o fato de não focarem em como o marido de Cersei é abusivo, na primeira temporada ela aparece apenas como uma mulher medíocre que quer trair seu marido pelo poder.

Não estou aqui justificando os erros da personagem, mas mostrar só um lado da história esconde outras características importantes. Ao contrário de Daenerys, Cersei já começa sendo mostrada como uma mulher formada, mãe de três filhos e muito segura de si. O olhar de desprezo para todos da corte ─ pessoas que, em sua maioria, abominam a presença ativa de mulheres em assuntos que ultrapassem a maternidade ─ e a forma como Cersei interfere na política, ignorando todas as “regras” geralmente impostas, é um exemplo de força.

Cersei é da família Lannister, conhecida por possuir muito dinheiro. Isso também a coloca em vantagem contra as outras famílias, é dela que vem o dinheiro para manter o reino sobre controle. Isso também pontua algo interessante sobre o universo de Game of Thrones: as mulheres, no geral, têm um bom poder e influência.

Nas próximas temporadas, Cersei vê seus filhos entrando no poder. Primeiro Joffrey, uma espécie de adolescente mimado e extremamente sádico e depois o doce Tommen. Longe de seu irmão Jaime, ─ voltaremos a essa relação mais tarde ─ Cersei acaba tomando algumas decisões precipitadas que custam muito caro. Na tentativa de se livrar da família Tyrell, ela dá poder a um sacerdote extremista, que acaba por colocá-la na prisão e fazer com que a personagem seja muito humilhada.

A cena de Cersei andando nua, com os cabelos cortados, enquanto toda a população joga lixo e dispara xingamentos é brutal. Lembro que foi nessa cena que deixei de sentir raiva da personagem e comecei a torcer para que ela se reerguesse logo. Sim, Cersei é a vilã que amamos odiar. Outra cena que causou polêmica e merece citação é o estupro que ela sofreu de seu irmão Jaime enquanto estava superando o luto por seu filho.

Sua relação com Jaime, o irmão gêmeo e pai de seus filhos é um tanto conturbada. Não se sente um amor genuíno entre os dois, é um sentimento quase doentio. Por indicação da Cris do Coxinha Nerd, li uma entrevista muito interessante onde a atriz Lena Headey fala mais sobre esse relacionamento. Ela afirma que Cersei quer ser como o irmão e por isso fica com ele. “Há inveja por parte dela, porque ele nasceu com o privilégio de ser homem.” Confira a entrevista na íntegra aqui.

Na última temporada tivemos a tão aguardada volta da rainha. Ela simplesmente explodiu todos os seus inimigos de uma vez e pegou o poder, já que seu filho mais novo se matou depois de ver que a esposa Margaery havia morrido. Atualmente Cersei está no trono de ferro, mas Daenerys e um grande exército estão chegando para enfrentá-la. Sinto que talvez sejam os momentos finais da personagem, mas acredito que Cersei Lannister nos ensinou muito nessas seis temporadas. Não esqueçam de comentar quem vocês querem ver semana que vem aqui na coluna e até a próxima!

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