Tragédia com vocalista do Linkin Park reforça importância do diálogo sobre a depressão

No dia 20 de julho, recebemos uma péssima notícia: Chester Bennington havia se suicidado horas depois do lançamento de um novo vídeo de sua banda, o sucesso mundial Linkin Park. Chester tinha apenas 41 anos e deixou filhos, amigos e fãs desolados. Desde então, discussões sobre suicídio têm tomado as redes sociais.

Enquanto alguns aproveitaram o momento para tentar conscientizar sobre doenças que atingem a saúde mental, outros resolveram julgar a ação do cantor, dizendo que sentiam raiva por ele ter feito isso. Lendo esse tipo de comentário, foi impossível não lembrar das inúmeras reações que a série 13 Reasons Why ─ lançada nesse ano pela Netflix ─ causou.  A série mostra a história de Hannah Baker, uma adolescente que se suicidou e deixou fitas contando os motivos que a levaram a fazer isso. Muitos se colocaram em posição de julgamento, dizendo que a personagem não tinha motivos reais para fazer isso e passou apenas por um momento de “rebeldia adolescente” que acabou muito mal.

Parecia inofensivo quando falávamos sobre uma personagem, mas quando a mesma reação acontece sobre o suicídio de alguém real, precisamos nos preocupar. Esse tipo de resposta às doenças mentais só mostra como o preconceito e desinformação em relação ao assunto continuam grandes. A depressão e ansiedade são doenças silenciosas, geralmente pouco notadas pelas pessoas que nos cercam. Existem sintomas que podem ser percebidos, mas nosso atual estilo de vida não nos permite parar e olhar para o outro ─ nem para nós mesmos.

Já citei em um texto passado e volto a afirmar: algumas pessoas parecem querer ir contra tudo o que consideram “modinha” e as doenças mentais entraram nesse pacote. Não é preciso procurar muito na internet para encontrar alguém afirmando que depressão e ansiedade se curam com trabalho, dinheiro e outras coisas materiais. Por outro lado, também existe uma banalização: pessoas que gostam de dizer que têm problemas do tipo para atrair atenção e curtidas.

A internet tem nos proporcionado um verdadeiro show de horrores, mas em compensação, também tem sido usada de forma interessante para conscientizar as pessoas. Acredito que o mais importante é saber que doenças mentais não são exagero, a depressão realmente tira a vontade de viver e torna atividades rotineiras impossíveis! Precisamos nos atentar a isso e procurar ajudar pessoas que apresentam sintomas de afastamento social, pois isso não é uma besteira.

A depressão é considerada por muitos especialistas como a doença do século, mas ela tem tratamento! Um passo importante é deixar no passado a ideia de que psicologia ou psiquiatria são ciências “para malucos”. Apesar de nova, é uma ciência que visa o nosso bem-estar mental e não há o menor problema em admitir que não está se sentindo bem. Quanto mais nos conscientizarmos disso, menos Chesters e Hannahs vão existir.

Não cabe a nós julgar os motivos que levam alguém a se matar, mas uma reflexão sobre como estamos ajudando essas pessoas é sempre bem-vinda. Comece a observar as pessoas a sua volta: seus amigos de faculdade, seus companheiros de trabalho… Dê uma pausa na correria e olhe para você, reveja suas ações, pense em como elas estão atingindo os outros e nunca hesite em pedir ajuda.

Acredito que esse texto de conscientização seja o mínimo que podemos fazer após a morte de alguém tão querido. Não temos como trazer Chester de volta, mas podemos evitar que mais gente como ele perca a vida e a esperança. Vamos falar muito sobre o assunto, até porque “falar é a melhor solução”!

Patrocinado

Comentários