Tudo ia bem na vida de Ulisses, exceto o fato de ter perdido dez anos de sua vida em uma guerra que não terminava nunca. Mas agora tudo estava acabado e ele singrava águas tranquilas em direção à sua terra natal e sua família. Mas havia uma ilha no meio do caminho. E nela, um monstro gigantesco de um olho só que tinha uma predileção por carne humana, vinho não diluído e piadas de humor negro.

É sabido que Polifemo, o ciclope criado por Homero, não era de muita conversa e nem um grande exemplo de inteligência. Qual o seu nome?, perguntou ao herói. Ninguém, respondeu o rei de Ítaca. Depois de um banquete bem servido – de carne, ossos e músculos gregos – e uma boa dose da bebida dionisíaca, Ulisses e seus companheiros furaram seu olho, artimanha que lhes garantiu sair da caverna do monstrengo enquanto este gritava pela ajuda de seus irmãos, que viviam do outro lado da ilha.

Quem te feriu, perguntaram eles. Ninguém me feriu, Ninguém me feriu, urrava o pobre infeliz. Achando que Polifemo havia enlouquecido, os irmãos o deixaram à solidão e continuaram com suas ocupadas vidas de ciclopes. Pobre Polifemo! Além de não entender a diferença entre um Substantivo Próprio e um Pronome Indefinido, passou o resto da existência sem enxergar nada. Lembram que no texto passado eu enfatizei a falta que faz uma boa gramática enquanto ferramenta fundamental a todo aventureiro?

Mas não foi apenas o desconhecimento gramatical de Polifemo que o levou à derrota: foi sua visão obviamente limitada. Para um sujeito que tem apenas um olho, perceber o mundo a partir de uma única perspectiva é até compreensível. Porém, ele poderia ter se esforçado mais para ampliar seu ponto de vista e melhorar suas interações sociais. Talvez desse modo, não teria caído na cilada do industrioso herói da Odisseia.

Mas o que Ciclopes tem a ver com boas histórias, como sugere o título da coluna deste mês? Hoje, discutiremos o que torna uma obra de ficção eficiente e atraente e como nós, como autores iniciantes, poderemos aprimorar nossos textos com uma visão mais abrangente do fazer criativo. Diferente de Polifemo, que via o mundo de um único modo, não queremos deixar passar os diversos elementos que compõem uma boa obra de literatura, seja ela fantástica ou não. Vamos então à pergunta que norteará nossa discussão.

O que é mais importante em uma boa obra de ficção?

Em resposta a esta pergunta, muitos autores apresentarão opiniões bem específicas, muitas vezes antagônicas, como resposta. A primeira coisa que muitos defenderão é a importância da história em detrimento dos personagens ou vice-versa. Já outros, especialmente os que trabalham com ficção pop, irão apontar como fundamental um bom enredo de ação, calcado num conflito claro. Nesses casos, o conteúdo ou o enredo da história será o primordial. Já especialistas em literatura, sobretudo aqueles inseridos em cursos de pós-graduação, valorizarão o estilo do texto ou então seus temas ou alegorias, muitas vezes definindo a boa literatura como um estudo de personagem ou análise psicológica.

O que está em jogo aqui é a velha – e na minha opinião, inútil e equivocada – diferenciação entre alta literatura e literatura popular, ou entre arte de um lado e entretenimento de outro. E fiquem tranquilos, meu objetivo aqui não é adentrar a obscura caverna da discussão teórica sobre conceitos literários ou mesmo sobre o campo de embate de décadas que perpassou a produção literária de um lado e a academia de outro. Antes, é percebermos o quanto essas defesas apaixonadas, mesmo que aparentemente contraditórias, nos ajudam a ver com mais clareza o que caracteriza a boa ficção.

Em nosso caso, que estamos começando a desenvolver nossa história, a criar nossos personagens e a colocar no papel aquilo que tínhamos apenas guardado no universo dos nossos pensamentos, como devemos proceder? Haveria uma forma correta de se pensar essas questões? Na sua opinião, o que seria importante numa boa história? Podem responder de forma bem livre ao nosso primeiro exercício criativo, escolhendo um ou dois ou mais elementos que você valorize na hora de pegar um livro ou de avançar na leitura de um texto, de preferência refletindo um pouco sobre os porquês dessas escolhas.

EXERCÍCIO CRIATIVO 5:

NA SUA OPINIÃO, O QUE É MAIS IMPORTANTE NUMA BOA OBRA DE FICÇÃO?

Agora que visitamos – e sobrevivemos! – ao árido território do debate literário e todos os seus antagonismos, e que escutamos nossa própria voz quanto ao que importa nas histórias que apreciamos, que tal ouvirmos algumas opiniões externas? Para tanto, não poderíamos deixar de buscar aqueles que podem falar com propriedade: os próprios escritores.

O que é mais importante, história ou personagem? Enredo claro ou análise psicológica?

Christian David, autor O Monge Rei e o Camaleão (Besouro Box), livro que mescla alta fantasia e ficção científica futurista afirma que geralmente “a história vem antes. Com isso, eu acabo adaptando o personagem às necessidades do enredo. Em outras vezes, encaixo um personagem que criei em alguma história já em desenvolvimento. Há algum tempo escrevi um conto sobre uma menina que havia nascido em circunstâncias especiais devido a ser metade alienígena. Em outro momento, ao escrever uma novela de fantasia para adolescentes, precisei de um personagem que servisse de oráculo para a trama principal e usei a mesma menina, e o conto como um intercapítulo explicando sua origem.”

Já para o escritor e pesquisador Bruno Anselmi Matangrano, autor da coletânea Contos para uma noite fria (Editora Llyr), é o inverso. No seu caso, “o personagem costuma vir antes. Eu tendo a me preocupar mais com as sensações, com a descrição dos tormentos internos, muito mais do que com as peripécias e aventuras. Muitos de meus contos são estáticos, no sentido de que se passam em um espaço limitado. A maior parte da trama é desenvolvida na mente da personagem, logo a história se desenvolve a partir desse ponto de vista e é filtrada pelos sentimentos, gostos e experiências do protagonista. Sendo assim, fica difícil pensar na história antes da pessoa que vai vivê-la – não coincidentemente, tenho uma preferência imensa por escrever em primeira pessoa.”

David, Matangrano e Rossetti

Também há autores que evitam a dicotomia, justamente apontando para o fato de que é muito difícil falar de um elemento – história ou personagem – sem trazer junto o outro. Marcella Rossetti, por exemplo, autora da fantasia protagonista por lobisomens adolescentes, Os Filhos da Lua (Editora Avec), responde essa pergunta com o seguinte gracejo: “Ao invés de escolhermos entre a história ou o herói, não pode ser a história do herói? Eu primeiro penso na personagem protagonista e na evolução que quero que ela vivencie. Ou seja, eu penso como eu quero que ela comece a história e como quero que ela acabe a história, falo da perspectiva interna. A partir daí construo toda a história e o universo de fantasia ao seu redor. Isso também acontece com os personagens coadjuvantes.”

Como notamos, cada escritor irá priorizar um elemento ou uma perspectiva que seja adequada ao seu processo criativo. Porém, muitos deles acabarão concordando que por mais que se parte da história ou do personagem, em algum momento os dois elementos irão se entrelaçar. Porém, para aqueles que consomem literatura e para aqueles que estudam literatura as prerrogativas podem mudar.  Para leitores que adoram devorar um romance e esquecer-se da vida entre as páginas de um livro, o principal será um enredo bem elaborado e construído de forma eficiente, além, é claro, desse enredo ser protagonizado por um personagem que seja marcante e atraente, mesmo em suas falhas e dicotomias.

Por outro lado, os que estudam literatura em cursos de Letras, por exemplo, aprendem que estudos psicológicos, crítica social e tramas regionalistas ou contemporâneas são primordiais. Logo no início desses cursos, é ensinado que o autor está morto e que sua biografia importa pouco para a compreensão da obra. Ainda mais, que o personagem não passaria de um construto de palavras e letras, um truque de mágica executado por um hábil narrador ou contador de histórias. A partir desta lógica, tramas metaficcioais ou estudos de personagem em tramas que destacam o absurdo da existência ganham elogios e prêmios… muitos prêmios.

Obviamente, pensando que eu sou um escritor de fantasia e também um acadêmico, não trago essas opiniões dicotômicas para defender uma ou outra. Sobretudo porque, em último caso, elas não passam de perspectivas diversas, que acabam não apenas ampliando nossa visão sobre o texto literário como também nos auxiliando a melhor compreendermos suas potencialidades. Ora, se para alguns o que importa é a trama e os personagens e para outros os exercícios metaficcionais ou estilísticos, haveria autores que defenderiam esse segundo eixo? Como veremos, sim, e com resultados bem interessantes.

Ainda na Caverna do Ciclope: Conteúdo ou Forma? Enredo ou Estilo?

Alex Mandarino, autor de O Caminho do Louco (Editora Avec), um romance que relê os arcanos do tarô numa trama de conspiração que lembra Dan Brown e os quadrinhos de Grant Morrison, afirma que no seu caso o mais importante é a atmosfera. Para o autor carioca, “antes de tudo vem o clima da história, um aspecto um tanto indefinível, meio visual, meio mental, mas que para mim é bem claro. Esse é o gatilho inicial. Então acho que posso dizer que para mim começa quase sempre com uma ambientação, uma vontade de expressar algo de uma maneira específica. Isso logo se traduz em cenas soltas e só então em personagens. A história em si vem de certa forma por último, ao menos em sua formatação mais estruturada (ou voluntariamente desestruturada, se for o caso). É importante para mim que a forma fique do jeito que eu quero, o que não quer dizer que eu fique polindo as frases, em um processo interminável. Pelo contrário, algumas das coisas que mais me agradaram escrevi de uma vez só, no primeiro esboço. Acho que posso dizer que a voz é o mais importante para mim.”

Quando um autor como Mandarino destaca a “voz”, ele está salientando um aspecto estilístico que, no seu caso, precede até mesmo a trama e os personagens. Outro autor que destaca a importância da musicalidade, do tom e da atmosfera é Andrio Santos, autor do romance de Dark Fantasy O Réquiem do Pássaro da Morte (Amazon): “A música sempre foi uma parte importante da minha vida. Eu não consigo pensar no meu dia a dia sem trilha sonora. E boa música, com letras legais e uma atmosfera marcante afetam muito o resultado dos meus textos. No meu romance, O Réquiem, por exemplo, há passagens que são exatamente as mesmas da primeira escrita, porque eu escrevi num ritmo frenético, embalado pela música, o que acabou imprimindo essa sensação no texto.”

Mandarino, Santos e Kastensmidt

Talvez alguns dos leitores e futuros escritores estejam achando estranho essa ênfase tão grande no estilo e no modo como a história é contada. Não estranhem, pois essa será uma discussão bem comum em nosso Bestiário Criativo. O mesmo espaço que dedicaremos a tramas bem construídos, personagens marcantes e conflitos de tirar o fôlego, também será dispensado a frases bem escritas, diálogos verossímeis e estruturas narrativas inovadoras. Talvez alguns se perguntem o porquê dessa atenção à forma e o estilo. Por uma razão bem simples, que afeta o consumidor final de qualquer livro: enredos maravilhosos e personagens fabulosos são muitas vezes abandonados por serem mal escritos.

O autor norte-americano Christopher Kastensmindt, que mora no Brasil há mais de dez anos, destaca esse aspecto como um problema sério na ficção de modo geral. Autor da série fantástica passada em um Brasil colonial, A Bandeira do Elefante e da Arara (Editora Devir) e finalista do prêmio Nebula, Kastensmidt adora refletir sobre processos criativos e os desafios da indústria editorial em nosso país e no estrangeiro. Sobre as razões que o fazem desistir de um livro, ele confessa: “O livro mal escrito é a maior delas: o escritor que não estudou suficiente a escrita para se expressar à altura da história que quer contar. Não é de um dia para outro que a pessoa se torna um escritor, leva anos de prática. Quando a própria prosa atrapalha a leitura, desisto. Outro motivo é o cliché. Mais de metade dos livros simplesmente repetem outras obras, sem acrescentar nenhuma novidade. Personagens de papel também irritam, ou sem personalidade, previsíveis, que só existem para apoiar a narrativa. Se o próprio autor não se importa com suas criações, porque eu devo me preocupar?”

Notem que para Kastensmidt não se trata apenas de um problema de enredo ou de estilo e sim das duas coisas, de dois elementos que, em sua visão, são fundamentais à escrita literária: a boa história e a boa forma de contá-la. Com isso, começamos a melhor compreender o texto literário como a união de uma série de elementos que, unidos, resultam em uma boa obra de ficção. Até agora, defendemos como importante a história instigante e o personagem bem desenvolvido, a trama bem amarrada e a complexidade psicológica, o enredo claro e o texto bem escrito.

No meu caso, tentei dar “check” em cada um desses elementos à medida que trabalhava em A Lição de anatomia do temível dr. Louison (Editoria LeYa). A trama de mistério policial e horror psicológico deveria receber a mesma atenção que os personagens que contariam essa história, naquele caso os heróis da nossa literatura. Mas não queria apenas usar seus nomes de um modo aleatório e sim retornar às suas fontes de um modo que o Simão Bacamarte de Brasiliana Steampunk falasse como sua contraparte machadiana e que Rita Baiana fosse tão encantadora quanto a fulgurante heroína de Aluízio de Azevedo. Além disso, abri mão de uma trama linear para abraçar um mosaico narrativo que obrigasse o leitor a ir, página após página, montando o quebra-cabeça narrativo que levaria à explicação da misteriosa fuga de Louison do Asilo São Pedro para Criminosos Insanos.

Lição de Anatomia e os heróis de Brasiliana Steampunk por Diego Cunha

Se consegui executar adequadamente todas essas intenções, sinceramente não sei. Mas gostaria de ressaltar que estarmos, como escritores, cientes de que todas essas possibilidades tornam a nossa obra mais complexa, nosso texto mais preciso e nossos esforços mais abrangentes. Isso dito, que tal revisarmos nossa discussão até aqui e substituirmos a reflexão opositiva defendida por muitos por uma lógica integradora, sabendo que temos à nossa disposição uma caixa de ferramentas magnífica para contarmos nossas histórias? Para tanto, vamos ao sexto exercício de escrita da nossa coluna:

EXERCÍCIO CRIATIVO 6:

PEGUE UM PEDAÇO DE PAPEL E COLOQUE O TÍTULO DA SUA HISTÓRIA SEGUIDO DOS 6 CRITÉRIOS QUE DISCUTIMOS: HISTÓRIA, PERSONAGENS, ENREDO, ANÁLISE PSICOLÓGICA, TEMA E ESTILO.

Não fique assustado se você ainda não consegue ver com clareza como resolverá um ou mais desses itens. Num primeiro momento, vemos com clareza aspectos mais abrangentes, como história ou personagem, mas ainda temos dificuldades em definir que tipo de complexidade nossos personagens terão e como iremos escrevê-los. Nos textos seguintes da nossa coluna, detalharemos cada um deles. Mas o importante é que agora, mesmo no estágio inicial do trabalho, tenhamos tudo isso em mente.

E aqui mais uma verdade: toda e qualquer obra de ficção bacana e relevante dá “check” em todos esses itens. Pensem em Homero, por exemplo, o pai da nossa literatura. Sua história é simples – um homem tentando voltar para casa e para a sua família – e seus personagens são memoráveis, sejam os três protagonistas – o pai, a mãe e o filho – sejam os diversos coadjuvantes, entre eles o ciclope que conhecemos no início desse texto. Além disso, Homero monta seu enredo de forma bem estruturada e experimental, invertendo acontecimentos, alternando narradores e adiando respostas, o que só deixa os leitores mais e mais interessados.

Quanto ao tema, ele é bem simples, e confunde-se com a história e o enredo, ressaltando elementos universais: o vínculo com a terra de origem, a saudade da família, o amor verdadeiro, a necessidade de um mestre, entre muitos outros. Por fim, há nele profunda análise de personagens e descrições elaboradas e ricas, tudo isso escrito com maestria, numa linguagem ao mesmo tempo acessível e clara.

Agora que dei minha aulinha – desculpem! – façam vocês o teste: peguem as obras que vocês costumam gostar e analisem-nas ou simplesmente pensem-nas a partir desses seis elementos. Vocês verão que tudo está lá e que a compreensão de como os escritores usaram cada um dessas categorias revela porque essas obras estão entre as suas favoritas. Vamos finalizar então?

Substituindo visões limitadas por opiniões abrangentes

Para encerrar o texto desse mês, gostaria de apresentar a vocês o nosso protagonista: Mofelipo, o ciclope espertinho. Tendo percebido que um dos problemas de Polifemo, seu primo distante, era justamente a limitação de sua visão, Mofelipo encomendou um ultramoderno conjunto de lentes especiais para diferentes desafios, territórios e inimigos.  Graças a elas, ele pode não apenas ler vários tipos de impressos, desde livros com fontes minúsculas até belíssimos livros só de figuras. Por ter essa visão abrangente e multifacetada, ele está começando a se aventurar pela criação literária.

Diferente de Polifemo, ele sabe que quanto mais conhecimentos tiver e quanto mais opiniões colher, melhor será a sua obra. Certamente, os autores convidados do Bestiário Criativo, tanto os deste mês como os dos anteriores, possuem uma aparelhagem sofisticada como essa, o que explica em parte suas criações divertidas e memoráveis, com personagens complexos e bem escritos. Eu confesso que diante dele, eu fiquei meio intimidado, sobretudo por sua proeminente bocarra. Mas eu também sei que ciclopes adoram uma boa taça de vinho e um divertido par de histórias.

Então, não teremos problemas. Ao menos é isso o que eu espero.

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Um abraço a todos e boas histórias, na vida e nos livros.

Enéias Tavares, o autor desta coluna, é criador de Brasiliana Steampunk (LeYa) e coautor de Guanabara Real – A Alcova da Morte (Avec), duas séries literárias ambientadas em um Brasil retrofuturista. É também um dos coordenadores do projeto Bestiário Criativo e professor de Literatura Clássica na UFSM. Nas poucas horas vagas, cozinha, nada e cuida das suas duas panteras domésticas, além de estar escrevendo uma História da Literatura Fantástica no Brasil com Bruno Matangrano. Jessica Lang, a responsável pelo simpático Mofelipo e por outras criaturas deste singular bestiário, é designer e vampira e uma das criadoras da Web Comic Metalmancer, ao lado de Andrio Santos.

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