Quando eu estava pesquisando sobre os bastidores do filme “Hotel Transilvânia 3” para poder escrever a coluna daquela semana, encontrei o nome de uma brasileira que fez parte desta produção. Está mulher é Natalia Freitas. Encontrei ela pela internet e falei da minha vontade de entrevistá-la. Para falar sobre sua vida, as possibilidades que a animação proporcionou e como seu trabalho tem se desenvolvido. Ela prontamente me respondeu topando a entrevista que hoje compartilho com você nesta edição da Animaland.

A mineira de Belo Horizonte batalhou por uma bolsa de estudos na Alemanha. Estudou Animação e Efeitos Visuais, trabalhou muito, obteve experiências incríveis e tem um currículo para lacrar o LinkedIn. Ela trabalhou em produções da Disney como Moana e, mais recentemente, Hotel Transilvânia 3. Já morou na Califórnia e hoje vive no Canadá. E o mais importante, atenciosa e humilde como os grandes profissionais devem ser.

Natalia Freitas, uma brasileira nos gigantes da animação mundial. Foto: Nick Thiessen

ANIMALAND: Natália, você rodou o mundo por causa dos estudos na área e os trabalhos ligados a animação. Qual é a importância de viver experiências fora do Brasil? Estamos distantes do mercado exterior?

NATÁLIA FREITAS: Bom, quem quer trabalhar fazendo animação, não necessariamente precisa sair do Brasil. No entanto, ter experiências em empresas internacionais, dá um “peso” no currículo. Eu tive a oportunidade de adquirir experiência fora após ganhar uma bolsa de estudos. Depois de aprimorar meus conhecimentos na faculdade, outras “portas” se abriram e por isso continuei trabalhando no exterior. Mas conheço ótimos profissionais que nunca saíram do Brasil ou aprenderam por conta própria, e fazem um trabalho muitas vezes melhor do que o meu. Não acredito que o Brasil esteja “distante” do mercado exterior. Muito do que é produzido nos estúdios de publicidade do pais tem a mesma ou até melhor qualidade do que alguns estúdios de fora.

ANIMALAND: Você trabalhou em “Moana” e em “Hotel Transilvânia 3”, produtos dirigidos por empresas diferentes e em situações diferentes. Você sentiu diferenças no processo de execução e como foi o seu trabalho para Disney e para a Sony?

NATÁLIA FREITAS: Sim, cada estúdio possui um estilo e processo de produção diferentes. Na Disney, por exemplo, nosso departamento de Look Development era responsável por fazer as texturas dos elementos 3D, shading dos materiais pra dar o aspecto realista e também grooming (cabelo, pelos, etc). Já na Sony, os departamentos são mais segmentados. Lá eu trabalhei fazendo somente as texturas dos personagens e cenários. A equipe também era menor, o que por um lado foi bom pois me permitiu pintar muita coisa do filme (eramos 10 artistas e 2 supervisores).

ANIMALAND: Como você gerencia a carreira? O que você acha importante para chegar até trabalhos tão incríveis?

NATÁLIA FREITAS: Eu tento sempre produzir trabalhos pessoais. Acho que é importante, não somente para mostrar o meu estilo, mas também para apresentar de uma forma geral minhas habilidades. Quando se trabalha em um filme, você faz parte de uma grande equipe e muitas vezes o que eh feito é visto somente por alguns segundos. Por isso, ter trabalhos pessoais, mostrar o “breakdown” do seu processo de criação é também importante para se destacar como artista. Os estúdios gostam de ver trabalhos pessoais bem feitos.

ANIMALAND: Quais são as suas maiores referências profissionais?

NATÁLIA FREITAS: Há vários artistas que admiro muito e que me influenciaram nesses quase 14 anos dedicados a animação 2D e 3D. Mas, se eu tiver que citar alguém agora, eu diria o nome de dois artistas brasileiros incríveis: os famosos Victor Hugo Queiroz e Pedro Conti. Eu tive a honra de trabalhar ao lado deles na Disney e aprendi muito no dia-a-dia com eles que sempre tiravam minhas dúvidas. Ambos aprenderam 3D sozinhos e são a prova de quem quer consegue. Além disso, eles estão sempre produzindo trabalhos pessoais incríveis de alta qualidade e por esses motivos eu os admiro.

ANIMALAND: Cite 3 animações que você ama, tirando as que você produziu certo?

NATÁLIA FREITAS: Poxa vida, essa pergunta é dificil. A lista é grande, mas acho que vou ficar com “A Bela Adormecida”, “Robin Hood” e “Rango”.

ANIMALAND: O que você sente mais falta nos mercados estrangeiros? O brasileiro é bem visto dentro do mercado de animação, não digo pelos filmes que produzimos, digo os artistas, trabalhadores que são contratados por eles?

NATÁLIA FREITAS: Acho que não há nada que eu sinta falta. Estou satisfeita com o trabalho e sempre aprendo muito com os diferentes estúdios por onde passo. E na maioria das empresas em que trabalhei haviam outros brasileiros. Nós somos sim bem vistos no mercado. Todos os brasileiros que conheci fora são geralmente pessoas esforçadas, com muito conhecimento e talento. Tenho orgulho de todos!

ANIMALAND: Quais seus próximos trabalhos e como você vê o mercado da animação no futuro?

NATÁLIA FREITAS: O contrato dos estúdios geralmente são feitos baseados nos projetos. Depois de concluir dois filmes na Sony, no momento estou sem contrato fixo. Aproveito esse tempo para fazer freelance para alguns estúdios e também para produzir mais trabalhos pessoais. Conclui em Junho “Cuckoo Land”, um curta 2D (motion-design) em parceria com minha irmã, a cantora lírica Nivea Freitas. A animação foi feita especialmente para uma apresentação musical feita em Hamburg, na Alemanha, e o repertório foi escolhido fazendo correlação com a narrativa do filme. Agora, estou na pré-produção de um novo curta pessoal que será todo feito em 3D.

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Para conhecer mais o trabalho da Natalia, acessa o site www.natfreitas.com. Agradeço demais a atenção desta grande artista que ela continue elevando cada vez mais o nome do Brasil na animação mundial.

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