Se você assistia às séries e filmes de ficção científica e observava que mesmo com a coerência de mundo do futuro proposta pelos roteiros, sempre haviam certos detalhes que geravam as perguntas: “Por que nunca se checa a capacidade de oxigênio das roupas antes de sair da nave? Por que o vilão sempre tem que explicar o quanto é mal antes de dar o último golpe no herói que geralmente falha? Por que o Yoda é verde?”. Final Space é uma série de animação criada para você.

Olan Rogers, criador de Final Space

Não, ela não vai responder essas perguntas. Final Space vai usar todos os clichês de sci-fi possíveis para fazer rir. Olan Rogers criador da série é um dos roteiristas e faz a voz do personagem principal. Gary Goodspeed é um jovem malandro que cumpre pena por suas transgressões estúpidas, em uma nave espacial prisional. Solitário, Gary acaba criando laços de amizade com HUE, a inteligência artificial da nave que tem a função de Grilo Falante de Pinóquio. Se juntam a turma KVN um chato robô multifuncional, Avogato um gato humanoide mercenário e Gary encontra também Mooncake, uma criatura verdinha fofíssima e aparentemente inofensiva.

Gary Goodspeed

A comicidade da série aparentemente caminha para a piada de besteirol, meio pastelão. Mas não se engane. Final Space esconde divertidas reviravoltas em seus 10 episódios de pouco mais de 20 minutos, em sua primeira temporada disponível no Netflix. A princípio, Olan Rogers havia criado essa série para a web. Tanto que o episódio piloto está em seu canal pessoal (https://www.youtube.com/watch?v=6Yco11ZQ0UE). A ideia chamou a atenção da TBS que entrou com força total na produção e convocou o showrunner experiente David Saks (3rd Rock from the Sun, The Tick e Porco Cabra Banana Grilo).

O design simples de animação 2D e a utilização de fotos da NASA nas cenas de espaço se misturam de forma homogênea. Deixando para os diálogos e tramas do roteiro a grande missão de fazer rir e, em alguns momentos, até pensar. As cenas em slow motion, com música no melhor estilo rock indie alternativo, as cenas de solidão do personagem e os diversos clichês dos filmes de ficção científica compõem um conjunto de fatores que funcionam muito bem.

Eu encontrei referências a 2001 – uma odisseia no espaço, Gravidade, Perdidos no Espaço, Star Wars e, principalmente, Passageiros. O mais interessante é que essas referências não são descaradas como nos filmes pastelões “Todo mundo em Pânico” ou “Vampiros que se mordam”. Pelo contrário! Elas são tão sutis que você poderá encontrar referências de outros filmes não citados por mim. Final Space é mais uma excelente animação adulta disponível no Netflix. A segunda temporada já foi encomendada. Talvez uma das poucas baixas da série é o final desnecessariamente e extremamente aberto. Nada que prejudique a diversão digna de uma alucinante maratona, para acompanhar o ritmo da série.

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