Ver desenho é divertido. Entretém as crianças, adultos, ficamos colados nas temporadas esperando suas estreias… por todos esses motivos, a produção de animação é uma indústria real. E não devemos ter medo de tratá-la como uma indústria. Não é feio, nem menos artístico por isso. A prova disso é que além de todos os números gigantes de espectadores e de filmes exibidos no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, o evento ainda possuí uma série de programações voltadas para o mercado.

A uma pequena caminhada do Bolineu, local central de exibições em Annecy, encontramos o Palais Imperial, um hotel/palácio construído em 1913. Em sua área de eventos acontecem os encontros e conferências do MIFA, reunindo profissionais, empresas, delegações de diversos países. São mais de 660 expositores de mais de 70 nações. Entre elas está o stand da delegação brasileira que além de ser colorido e bonito está recheado de bons materiais sobre a nossa produção nacional. “São 41 produtoras brasileiras presentes no MIFA, a maior delegação brasileira em Annecy. Se contrapondo a média de 8 das outras edições” afirma Márcia Nejaim, diretora da APEX Brasil que junto de outras instituições como a Brazilian Content, Brazilian Music Exchange, Cinema do Brasil e a FilmBrazil tornaram possível esse marco histórico.

Painel sobre o Brasil como um território fértil.

Acompanhei o painel “Oportunidades de Trabalho com o Brasil” onde o Presidente da ANCINE (Agência Nacional do Cinema), Christian de Castro e a Diretora de Negócios da APEX Brasil, Márcia Nejaim, apresentaram números e boas sinalizações para co-produções e comercializações dos produtos brasileiros. Márcia conversou conosco e comemorou esse momento da animação brasileira.

“A APEX vem apoiando essa área da economia criativa desde 2004. A gente começou trabalhando a música e ao longo desses 14 anos o segmento evoluiu muito. O interesse das empresas brasileiras em acessar o mercado lá fora e o interesse de compradores internacionais em consumir esses serviços e produtos do Brasil. Eu vejo de forma positiva como a animação vem evoluindo e todo o potencial que ainda existe de aumentar o market share do mercado da economia criativa, que chega até 4 trilhões de dólares no mundo”, explica Márcia.

Além dos números oficias da ANCINE e APEX, o painel abriu espaço para alguns cases brasileiros de sucesso com o mercado exterior. Entre eles, Paula Taborda dos Guaranys diretora de conteúdo do canal Gloob, Matheus de Paula diretor da LOBO, Zé Brandão do Copa Studio e o cineasta Luiz Bolognesi.

Luiz Bolognesi no painel.

Luiz Bolognesi, vencedor como melhor longa de animação no Festival de Annecy de 2013 com o filme “Uma História de Amor e Fúria”, conversou conosco também e falou sobre esse momento da animação. “O Japão produz 50 filmes longas por ano, os Estados Unidos 40, e parecia impossível para o Brasil entrar nesse território de gente grande. Mas pela resistência dessa geração de curta-metragistas nós sobrevivemos nesse território. Aí algumas pessoas investiram em produzir nas tentativas de longas como Otto Guerra, Alê Abreu e o mundo percebeu que o Brasil é um território de qualidade, um mercado fresco em linguagem e em ideias originais” argumentou Luiz.

Com igual simpatia característica dessa turma brasileira que produz animação, Zé Brandão  do Copa Studio que produz “Irmão do Jorel” e “Tromba Trem”, sucesso em dezenas de idiomas pelas TVs do Mundo, não escondia a felicidade de fazer parte desse momento que ele mesmo chamou de “Brazilian Storm” durante o painel.

Zé Brandão do Copa Studio

“Fazer parte deste momento e estar competindo com ‘Irmão do Jorel’ na categoria programa de tv junto com outras 8 animações finalistas em suas categorias é incrível e mostra que essa homenagem de Annecy à animação brasileira não é uma coisa escolhida a esmo, essa homenagem tem tutâno” brincou Zé.

Confesso que quanto mais caminho em Annecy, mais dá orgulho e uma vontade de fazer ainda mais pela animação brasileira e não deixar esse trem parar. Termino a coluna com esse vídeo que está rolando no stand e no painel sobre o território brasileiro.

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