Publicada pela Editora Intrínseca, Nimona, primeiro trabalho da quadrinista Noelle Stevenson, publicada inicialmente em formato de webcomic, chegou ganhando um Eisner e abrindo portas a uma profissional de grande talento e personalidade

Existem HQs que você consegue ler com muita velocidade, pelo simples fato da narrativa ser tão agradável e a historia te atrair de tal forma, que você simplesmente não consegue parar de consumir esse material. Mesmo ele tendo mais de 250 paginas, você devora tudo com muito afinco e lê com um sorriso nos lábios.

Foi justamente isso que me aconteceu com NIMONA, de Noelle Stevenson, em uma narrativa que mistura um dos cenários que mais curto, o medieval. Cheio de cavaleiros, dragões, heróis e vilões, mas unindo algumas tecnologias muito similares com as que conhecemos atualmente, algumas bem futurísticas, diga-se de passagem.

Logo no inicio da HQ somos apresentados ao vilão, Lorde Ballister Coração Negro (nome muito maneiro) e sua pretensa ajudante, que consegue a vaga com muito humor e surpresa para o degenerado vilão. Essa personagem cheia de força, carisma e um passado envolto em mistérios, é a pequena metamorfa, NIMONA.

É obvio que temos um herói galante de belas madeixas loiras e armadura dourada e brilhante, o perfeito e heróico, Sir Ambrosius Ouropelvis. Ele quem luta para proteger o reino da tirania de Ballister e sua mais nova ajudante com poderes além da compreensão.

Tudo muito belo e redondo, uma narrativa clássica dos contos cavaleirescos, mas é preciso estar atento as nuances dessa historia, por mais cliché que seja, nada é o que parece. E se o vilão não for tão mal assim? E se existir um passado muito próximo entre o herói e o antagonista? E se o belo guerreiro, protetor do reinado, não for tão nobre?

Aí quebram-se todos os paradigmas da narrativa clássica, Ballister Coração Negro não tem um coração tão negro assim. E Ouropelvis não reluz igual a ouro, e o passado dos dois esta muito conectado, de formas que vão nos fazer odiar e entender os caminhos seguidos.

Para melhorar a trama, existe uma instituição perversa que domina todo o status quo dessa sociedade e buscar dar fim em NIMONA. Afinal, essa menina possui mais poderes e segredos do que a historinha rasa que ela contou para Coração Negro.

Noelle Stevenson nos apresenta um conto divertido que subverte completamente o gênero Espada e Feitiçaria, trazendo muito humor e fluidez em sua narrativa visual, que me deixou muito curioso para ler seus trabalhos na Marvel, DC e no projeto para a Boom! Studios, Lumberjanes. E ainda mais curioso para ver a animação remake da She-Ra para a Netflix, pois Noelle é produtora executiva.

Uma narrativa que brinca e subverte com conceitos estabelecidos, apresentando personagens extremamente cativantes, NIMONA, que foi originalmente publicada no digital e sentimos isso com as separações iniciais de capítulos curtos, que te pegam inicialmente pela fluidez e diversão e depois te prende com um conto cheio de reviravoltas, amizade e amor vindo dos lugares menos imaginados, afinal, ele há de vencer sempre, mesmo não estando explicito.

Comentários