Carlos Ruiz Zafón encerra sua tetralogia com O Labirinto dos Espíritos

Precedido por A Sombra do VentoO Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, “O Labirinto dos Espíritos” é o quarto e último livro na tetralogia criada pelo autor Carlos Ruiz Zafón. Com mais de 700 páginas, o romance finaliza a trama de maneira magistral e leva a série para mais de 2.000 páginas, completando um ciclo de quase duas décadas de desenvolvimento.

Todos os livros da série podem ser lidos de forma independente e na ordem que o leitor desejar. Entretanto, levando em conta o nível de complexidade das tramas e as diversas relações importantes entre as personagens recorrentes, é recomendado ler todos na ordem em que foram lançados. Além de ser mais fácil acompanhar tudo que está acontecendo, ler os livros de maneira cronológica permite ao leitor uma deliciosa sensação de recompensa já que ao terminar de ler este último volume ele finalmente será capaz de enxergar todas as peças de um quebra-cabeça difícil e complicado se encaixando de uma forma que só pode ser descrita como perfeita.

Novamente, a trama ocorre em Barcelona. Hoje em dia a cidade é internacionalmente conhecida por seu clima ensolarado e foco no turismo esportivo, mas em O Labirinto dos Espíritos somos transportados para uma era completamente diferente, na qual tudo dela é envolto por uma sombria névoa de mistério na qual existem pistas escondidas por todo o lugar. E é neste local misterioso que Alicia, a nova protagonista do universo criado por Zafón, terá que desvendar uma série de mistérios relacionados ao sequestro do nefasto e poderoso ministro Mauricio Valls, mesmo vilão de O Prisioneiro do Céu e velho conhecido dos leitores.

Alicia possui poucas pistas para solucionar o caso, mas sua inteligência e sagacidade como investigadora deixariam Sherlock Holmes orgulhoso. É incrível poder observar como ela une eventos e fatos aparentemente desconexos, muitos relacionados aos outros livros da série, para finalmente solucionar o problema final.

Assim como aconteceu com Daniel Sempere, Fermín, David Martín e Isabella Gispert nos livros anteriores, que felizmente retornam neste volume, é impossível olhar para Alicia apenas como uma personagem em uma série. Sua personalidade marcante e bem construída transborda das páginas do romance e ela inevitavelmente se torna uma pessoa real, da qual o leitor com certeza sentirá falta após terminar tudo.

O desenrolar da história é tão bem realizado que é muito fácil se perder dentro do mundo criado por ele e na estrutura narrativa que por vezes remete a um romance de investigação policial. A sensação de imersão é tamanha que várias vezes durante a leitura é possível esquecer que se está lendo e ser imediatamente transportado para uma das cenas descritas com maestria e precisão.

Conforme o próprio Zafón afirmou em algumas entrevistas, a série é uma grande carta de amor à literatura e isto transparece em cada um dos livros que a compõem, tanto pelos temas tratados quanto pelas inúmeras referências literárias. Assim como nos outros, a escrita do autor é simplesmente magnífica e repleta de construções frasais complexas e elegantes, que conseguem mostrar os anos de esforço e dedicação gastos pelo autor no aperfeiçoamento da sua arte.

O final, que apesar das quase 800 páginas parece chegar rápido demais, dá ao leitor uma sensação de conclusão e desfecho satisfatórios, com praticamente todos os fios da história se unindo no último livro em um retrato uníssono e completo, com tudo que aconteceu e ainda vai acontecer nas vidas das personagens em relação à trama bem resolvido.

Resumindo tudo, a série como um todo é um prato cheio para quem gosta de romances com muita aventura, mistério e uma trama bem desenvolvida e com este último livro Carlos Ruiz Zafón definitivamente consagrou seu nome como um dos grandes escritores deste século.

Informações Técnicas

Título: O Labirinto dos Espíritos

Assunto: Investigativo

Editora: Suma de Letras

Número de Páginas Total:784 páginas;

Publicado em: 2017;

Edição: 1ª;

Tipo de Capa: Capa Comum;

Idioma: Português.

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