No ano de 2016, a lendária série de Shigueru Myamoto completa 30 anos de existência. The Legend Of Zelda por muitas vezes quebrou paradigmas da indústria dos games, restando em um patamar de jogos únicos. Passaremos aqui, a discutir uma característica marcante em  The Legend Of Zelda, a forte presença das personagens femininas existente na série.

Nos encontramos no tempo em que cada vez mais há a existência de personagens femininas fortes nos vídeo games, mas em  The Legend Of Zelda foi criado todo um panteão extraordinário de mulheres poderosas, à começar pelo título da série de jogos. Já aí, percebemos uma diferença quando comparamos com outros jogos de gênero semelhante. Ainda que tenhamos o controle de Link, personagem masculino, é o nome da princesa Zelda que estampa a capa do jogo.

Zelda não é retratada como uma princesa indefesa, ao contrário, é uma mulher forte, detentora de beleza e sabedoria, mesmo na terna idade em que algumas vezes é encarnada. Por vezes, é guerreira, pirata, comandante de exércitos e não exita em se sacrificar por um bem maior.

The Legend Of Zelda

Myamoto teve a ideia da criação do jogo tirada de suas aventuras quando criança, mas de onde ele tirou o nome de Zelda?

O nome da princesa foi tirado da novelista norte-americana Zelda Sayre Fitzgerald. Afirma Myamoto, que Zelda era uma linda mulher e a sonoridade de seu nome era perfeita para a personagem que o game designer tinha em mente.

Zelda Fitzgerald
Zelda Fitzgerald

Outro motivo que podemos elencar onde a série da Nintendo trata diferente suas personagens femininas é quando falamos do seu mito da criação. Não há aqui a presença de um deus homem, mas sim de três deusas, são elas Din, Farore e Nayru.

Três Deusas da Criação
Três Deusas da Criação

Ainda há na mitologia uma quarta deusa, conhecida como Hylian, que foi deixada na terra para proteger a sagrada Triforce. Por sua vez, a deusa termina por reencarnar na figura da princesa Zelda. Ou seja, notamos que não há a presença de um único deus homem sequer na série.

Zelda, a princesa de Hyrule

A personagem Zelda, tem uma atenção e cuidado especial, assim como outras personagens da Nintendo, pois não a vemos como uma mulher submissa ou sexualmente objetificada. Zelda é uma princesa que não precisa de um príncipe, nem um rei como seu cônjuge, governa Hyrule sozinha, sempre colocando a necessidade de seu povo em detrimento da sua. Ainda ocorrendo uma clara mudança de direcionamento durante esses 30 anos de seu jogo, sim, ela começa como uma princesa indefesa lá no primeiro game da série em 1986, mas no fim dos anos 90 temos uma guinada total na personagem como um todo, a qual deixa de ser alguém passiva no jogo para lograr um quase protagonismo imediato. Depois disso, Zelda já foi retratada como ninja guerreira, que provavelmente salvou o mundo, princesa que participa da luta final com seu algoz e captor e, até pirata temida.

Essa mudança de direcionamento passa por um dos games mais icônicos da franquia. Começa em Ocarina Of Time.

Ocarina Of Time

Falar que  Ocarina Of Time é um dos jogos mais importantes da indústria é chover no molhado, mas sabemos que ele é um dos jogos responsáveis por essa igualidade de gênero nos consoles. Puxando pela minha memória, não recordo de um jogo que tenha um destaque tão grande de personagens femininas. Para se ter um exemplo disso, vejamos o número de sages do jogo, são sete ao todo, esse número fica impressionante se notarmos que cinco são mulheres.

Falando em sábios, começarmos a análise das mulheres de Ocarina pela personagem Saria, que é a única a tratar Link de forma igual, mesmo quando todos os outros o tratam com desprezo por esse ser um garoto que não possui fada. Saria é a primeira dos sete sábios que encontramos no jogo, ou seja, o primeiro dos sábios é uma mulher.

Continuando essa análise temos a princesa Ruto, no começo é uma princesa mimada, mas quando salva por Link, não exita em quebrar convenções, ao se ajoelhar e pedir o jovem herói do tempo em casamento. Ainda no futuro quando Link retorna ao Zora´s Domain é Ruto que se encontra no trono pronta para salvar seu povo, sem esperar por herói de sexo algum.

Outra personagem de destaque é Nabooru, guerreira e chefe da tribo dos Gerudos, por sua vez, inspirada nas antigas amazonas da mitologia. A tribo de mulheres de Gerudo Valley é conhecida por possuir o dogma de que nasce um homem a cada cem anos, esse é automaticamente declarado líder de seu povo, mas Nabooru não aceita esse dogma e enfrenta esse homem buscando a liderança de seu povo. Outra característica que chama atenção nas mulheres Gerudos são suas habilidades em combate, percebemos que todos os inimigos do jogo são derrotáveis de alguma forma, o mesmo não acontece em Gerudo Valley. Fato comprovado quando Link não ousa medir forças com essas impiedosas guerreiras do deserto, bastando qualquer uma delas avistá-lo que o mesmo é levado direto para a prisão, sem esboçar qualquer reação.

Próxima personagem é Impa, guerreira da tribo dos Sheikah e guardiã de Zelda. Impa é a responsável por guiar Link em boa parte do tempo durante a aventura, também é ela que salva a princesa Zelda da usurpação do castelo de Hyrule por Ganondorf, vilão do jogo. Impa, por vezes, é retratada como uma anciã, mas foi em Ocarina Of Time que a vimos pela primeira vez como uma guerreira implacável. Impa é uma guerreira mortal medindo forças e até sendo superior a muitos homens da série, sempre demonstrando uma expressão austera, mostrando que com essa mulher não se brinca.

Outras curiosidades que podemos mencionar acerca do tema e presente no jogo é que a fiel montaria de LinkEpona, é uma égua e não um cavalo, sim, aqui não temos o herói da trama montando um garanhão veloz, mas uma égua companheira e fiel.

Além disso, outra personagem feminina que gostaríamos destacar é Malon, filha de Talon, dono do rancho Lon LonTalon é retratado como um personagem preguiçoso, enquanto Malon é aquela que “toca” os negócios pra frente, não tem preguiça e é disposta para o trabalho. Podemos afirmar que a sobrevivência do rancho depende de Malon, ou seja, há aí uma mulher mais capacitada que um homem para a realização de trabalhos no campo, negócios e não sendo suficiente ainda cuida do pai.

Por fim, temos a manifestação da princesa Zelda como a mulher que lidera os sete sábios e como a ninja Sheik, personagem importante para trama, além de arregaçar as mangas e partir para o combate junto com o herói do tempo. Assim, encontra-se em uma posição de igualdade com o personagem que o player controla no jogo.

Link, Sheik e Impa
Link, Sheik e Impa

Encerramento

Encerramos aqui a primeira parte do nosso debate sobre a posição das mulheres de Hyrule, no próximo artigo, abordaremos mais algumas personagens notáveis da série e o futuro das mulheres nos próximos jogos de Zelda.

Nos vemos em Hyrule!

 

 

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