Já faz algum tempo que o gênero de Visual Novels ganhou espaço no Steam e gameplays do Youtube, o gênero geralmente relacionado com animes e cultura Otaku traz pouco gameplay e muita história, sendo muitas vezes como um filme ou anime interativo. Existem diversas bizarrices no tema, dentre elas um Dating Sim onde seu namorado é um cavalo e um com pombos, mas um jogo gratuito na Steam ganhou bastante fama nesse mês e traz muita inovação para o gênero, o nome dele é Doki Doki Literature Club.

Para quem não jogou o jogo, esse texto está coberto de SPOILERS e fica aqui a indicação. Vale a pena pegar o jogo e aguentar seus primeiros minutos de Visual Novel tradicional, a recompensa vale a pena. Até porque o jogo é gratuito.

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DDLC é uma carta de amor e ódio aos Visual Novels e a cultura anime, de acordo com seu próprio criador. O jogo brinca com diversos estereótipos do tema e engana bem o jogador por um bom momento. No início parece que você é só um jovem garoto do Japão que entra para um clube de poesia com garotas bonitas que tem uma queda por você, mas o clima do jogo vai ficando cada vez mais pesado até chegar um ponto que tudo é jogado para o alto e a realidade é transformada de uma forma absurda.

Eu não tenho muita experiência com esses jogos e tenho que dizer que essa cultura Otaku me irrita em certos pontos, por isso achei a primeira parte do jogo bem longa e difícil de aguentar em certos momentos. Mas concordo que ela é importante para criar uma atmosfera e quebrar suas expectativas de uma forma mais agressiva. As relações e romances vão sendo desenvolvidos e no meu caso fiquei esperando a história virar (pois já sabia de algumas coisas), você acaba se importando com algumas personagens e sente pela loucura que acontece depois que o jogo muda.

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Antes de entrar nos quesitos de quebra da quarta parede, o jogo em si tem uma boa escrita principalmente quando se trata da personagem com depressão. O modo como a depressão é tratada no jogo é madura e realista. Muitas vezes a vida real é como nesse jogo, você vê uma pessoa definhando na sua frente com sentimentos que nem você nem ela entendem direito e você não pode fazer nada. O terror do jogo é bem construído e os momentos de glitch na câmera me davam uns sustinhos, tenho que confessar.

Mas o jogo brilha mesmo com todo o plot da personagem Monika e sua metalinguagem. Desde pequenas dicas sobre salvar o jogo até obrigar o jogador a interagir com objetos nas pastas do Steam, essas interações e diálogos são muito interessantes e bem feitas. Vai me dizer que você nunca ficou pensando o que os personagens dos jogos fazem quando você não está olhando? Como será que é a vida desses seres que estão presos a um programa de computador e tem todas as suas ações escriptadas?

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O jogo gratuito feito por praticamente uma pessoa leva toda essa metalinguagem a outro nível. Em um certo momento Monika fala seu nome e coisas sobre sua vida ao ler arquivos em seu computador, e naquele momento em que está só você e ela, a personagem tem 45 minutos de fala sem se repetir, é muito trabalho e cuidado! É interessante também como o jogo te engana, inicialmente ele te ensina com todas as palavras a salvar antes de grandes decisões. Tudo isso para tirar essa escolha de você e lhe deixar na mão, teve um certo momento que eu achei que o jogo realmente ia congelar em uma cena e não saía mais dali. Outra ótima ideia é corromper o arquivo no final do jogo, sendo possível rejogá-lo somente reinstalando o aplicativo.

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Doki Doki Literature Club é uma ótima paródia ao gênero de Visual Novels e traz uma narrativa inovadora e exclusiva dos jogos. As interações de gameplay são poucas mas todas muito bem pensadas para passar medo e agonia. A arte e a música do jogo são bem clichês mas bem executados, funcionam muito bem para passar a ideia de um Visual Novel “real”. DDLC é um jogo gratuito que DEVE ser experimentado e discutido, espero que inspire outros desenvolvedores indies do futuro.

PS: Por falar em música, o jogo termina com essa bela canção que é assustadora, fofa e triste ao mesmo tempo. Um trabalho de mestre.

 

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