Gabriel Alves já é considerado um dos pioneiros na indústria de jogos independentes nacional

Na América Latina, o Brasil lidera o ranking dos maiores consumidores de games. O país demonstra rentabilidade no segmento e teve receita de US$ 1,27 bilhão em 2016, de acordo com a Newzoo. Apesar desses dados, que são positivos e promissores, ainda é muito difícil trabalhar com jogos independentes no país. É uma tarefa que exige muita dedicação e perseverança das mentes que criam os games, os desenvolvedores. Gabriel da Costa Alves é uma dessas mentes criativas que abraçaram o desafio de trabalhar com games. Aos 31 anos, ele já é considerado um dos pioneiros na indústria de jogos independentes no Brasil. Desde 2010 trabalhando no segmento, Alves já soma em sua carreira prêmios e conquistas, como o fato de ter tido um dos primeiros projetos nacionais aprovado e lançado na maior plataforma de jogos do mundo, a Steam. Acompanhe na entrevista a seguir um pouco mais sobre o trabalho desse designer.

O que te levou a trabalhar com games?

Gabriel Alves – Eu iniciei na carreira como um amante por games. No final de 2010, a ideia de trabalhar com desenvolvimento de games começou a florear em minha cabeça, quando, no ano seguinte, eu me uni a mais 3 amigos para atuar em uma área, até então, bastante inexplorada no Brasil. Nessa época, não existiam cursos ou a quantidade exorbitante de universidades que oferecem especialização nessa área como existem hoje no Brasil. Havia somente a vontade de tentar algo apenas pela paixão por vídeo games.

Que barreiras você e seus amigos tiveram que enfrentar?

Gabriel Alves – Essa época foi muito desafiadora porque tudo o que tínhamos como referência para começar a desenvolver eram artigos estrangeiros. As condições financeiras não nos permitiram investir em bons equipamentos e softwares apropriados. Isso fez com que nos virássemos com o que já tínhamos à disposição e seguir em frente. O bacana era que, naquele período, em vários cantos do Brasil, junto conosco, surgiam desenvolvedores tão curiosos quanto nós, o que fez com que criássemos uma pequena comunidade de pouquíssimas pessoas, onde compartilhávamos experiências e desafios. Isso foi importante para que a comunidade evoluísse bastante junto com os seus projetos.

Que trabalho foi produzido nesse período?

Gabriel Alves – Em 2012, eu lancei o projeto “Mr. Bree Returning Home”, um game desenvolvido em Flash para a plataforma web que foi vendido para um grande portal estrangeiro e, consequentemente, foi vendido e publicado nos maiores portais de jogos em Flash do mundo.
Foto abaixo: Desenvolvedores nacionais reunidos no Brazilian Independent Game Festival 2013. Gabriel Alves está em pé, de camisa branca.

Quais frutos rendeu o “Mr. Bree”?

Gabriel Alves – Esse projeto deu a mim e ao nosso estúdio (TawStudio) muita visibilidade na área, fazendo com que fossemos muito requisitados em entrevistas sobre o desenvolvimento de games independentes no Brasil e o pioneirismo no segmento. Fui convidado para dar diversas palestras, inclusive na maior feira de tecnologia do país, a Campus Party, em 2013.

E quanto ao “Jelly Escape”?

Gabriel Alves – Nesse mesmo ano, lançamos o “Jelly Escape”, projeto que alcançou mais de 9 milhões de gameplays, somando junto do “Mr. Bree” cerca de 13 milhões de gameplays pelo mundo.

Como foi a experiência no Greenlight?

Gabriel Alves – Em 2012, a Steam (maior plataforma de jogos online do mundo), lançou o “Steam Greenlight”, um espaço onde qualquer desenvolvedor no mundo pudesse submeter o seu projeto para que pessoas usuárias da Steam pudessem votar se o jogo merece ou não ser comercializado na mesma. Isso me incentivou a iniciar o desenvolvimento, junto da minha equipe, do projeto “Mr. Bree+” – uma versão totalmente nova do nosso primeiro projeto -visando uma oportunidade pelo Greenlight. Em 2013, fui um dos primeiros jogos nacionais a ser aprovado no Greenlight com uma aprovação recorde, atingindo a marca de 25.000 votos em 3 dias. Então, consegui lançar o jogo na Steam e em todas as maiores plataformas de venda de jogos online. O link na Steam é: http://store.steampowered.com/app/264220/Mr_Bree/.

Seus games foram reconhecidos no Brasil?

Gabriel Alves – Sim, ainda em 2012, eu ganhei na categoria Melhor Jogo de PC e Web do Brasil com o “Mr. Bree” pelo SBGames (Simpósio Brasileiro de Games), e o “Jelly Escape” ficou em terceiro lugar, na mesma categoria. No final do ano, concorri com o “Jelly Escape” na categoria Jogo Online no BIG Festival (Brazillian Independent Game Festival) e fiquei em primeiro lugar.

Quais são seus próximos passos?

Gabriel Alves – Em meados de 2015 começou o embrião do projeto no qual trabalho hoje, o “Hemera” (www.hemeragame.com). Um projeto super ambicioso pois, sozinho, sou o responsável por toda a parte artística e conceitual do projeto. Com animações feitas de maneira tradicional (quadro a quadro) e cenários totalmente ilustrados. Com ele, eu espero continuar todo o sucesso que conquistei com a TawStudio no mercado nacional e lançar o nome da empresa, agora, no mercado internacional.
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